Não esperes, de mim, palavras doces…

Chapada Diamantina

E Ele me disse, na escuridão de meus ouvidos: 

“De que reclamas, se, em tua vida, realizastes mais do que a maioria dos mortais?”

E insiste, enfático:

“O que esperas de mim, se, convicto, me negastes durante teus curtos dias nesta Terra, espaço inútil, a quem amas mais intensamente do que àquele que te criou e concebeu?”

Mas eu, no mais obscuro silêncio dos recônditos esconderijos de minh’alma, ouso responder:

“Jamais reclamo, pois sei que, de minha efêmera existência, nada levo, tampouco nada deixo para trás; sequer saberia dizer para onde se destinam as almas, se existem, quando a vida deixam para trás…”

E, entusiasmado com a retórica de minha inaudita afirmação, prossigo, irreverente:

“Se Tu existes somente na imaginação dos homens, a cada um mostrando a outra face – não a Tua – por que iludes assim a humanidade, crente em recompensas que nem mesmo o silêncio das eternas moradas as revelará, ainda que muitos afirmem tê-las visto, vagamente, na penumbra da quase-morte do infinito renascer matutino, reverberando em suas próprias construções mentais?”

Prossigo, ainda, insistente, em minhas confabulações inúteis:

“Onde estão aqueles que doaram suas vidas a causas iníquas, se Tua Sabedoria Universal afirma a efemeridade de tudo o que existe, existiu ou virá a ser, um dia, neste transitório mundo dos homens?

Finalmente, satisfeito com minha argumentação vazia, lanço meu veredito:

“Se confabulo com o Inexistente, mas apenas meus pensamentos ouço em derredor, onde estaria, enfim, o derradeiro Reino que escreveste em todos os Livros Sagrados, em diferentes línguas, em variadas metáforas e parábolas, em artimanhas do pensamento, que só os homens, em suas manifestações terrenas acreditam compreender? Onde estaria, afinal, Tua Morada, ainda que não fosse, tão-somente, outra das inesgotáveis armadilhas construídas pela imaginação humana?”

“Não esperes, de mim, palavras doces, daquelas que escutastes dos poetas, dos amantes nas alcovas, a prometer, em versos, o seu amor eterno, e a esquecê-las, céleres, ao amanhecer!”

“Não creias, pois, nos pensamentos que vazam, aos borbotões, nas frases que se despejam, sem cessar, dos textos que publico, na intenção não manifesta de iludir os meus leitores, ao afirmar a ilusão da própria vida, em suas manifestações inesgotáveis, neste eterno alvorecer.”

Não o faço, porém, com a má-fé dos “pastores de alma”, que encontram, em palavras vãs e sibilinas, a provável indicação do eterno Reino daquele que, tendo sido o “Criador das criaturas”, delas não fez um ser perfeito, deixando, a cada um, a missão improvável de resgatar a alma impecável que existiria, supostamente, na obscuridade do futuro, desconhecido e cruel.

Apenas creio saber, no âmago de meu ser, que tudo o que fizemos e deixamos para trás, no ocaso de nossos dias terrenos, de nada servirá para salvar a humanidade, nascida órfã e deixada aqui, abandonada “neste vale de lágrimas”, a padecer eternamente, enquanto vivos.

Não esperes, de mim, palavras doces, mensagens de conforto ou de consolo, pois, na tumba em que repousará o teu cadáver, serás apenas, e tão-somente, alimento aos vermes… nada mais.

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por João Carlos Figueiredo Postado em Poesia

Dane-se o mundo!

Amo alguém que não existe
Não sou quem eu penso ser
Acredito no Absurdo
Confio na Solidão
Escuto o que não ouço
Sigo os passos do Oculto
Vejo tudo na escuridão

Sei que são Assombrações
Nada além da Imaginação
Fico cego na Evidência
Sou ninguém, sou traiçoeiro
Inimigo da Razão
Minha senda é a Sedução

Mas não cedo à tentação
De ser apenas apático
De confiar na Justiça
Na Bondade, na Ilusão
Sou apenas prisioneiro
Do óbvio, da contradição

Renuncio ao meu direito
De ser o beneficiário
De ser somente cidadão
De ser apenas cordato
Na vida que se apresenta
Nesse mundo de ilusão

Enquanto tudo se esgarça
Em vaidades, miséria, esbórnia
Em ambição desvairada
Enquanto poucos se fartam
Da mesquinhez do mundo cão

Sou um simples marginal
Desse mundo desigual
Luto só por ideal
Supondo até ser possível
Um universo real
Onde primam a Justiça, o Bem e a Bondade

E o Amor sem compromisso
E a Vida só, sem maldade

Mas tudo isso é bobagem
De um pensamento pagão

Afinal, somos apenas loucos
De confiar na suposição
De que além desta vida
Existe a compensação
De tamanho sofrimento
Por um Paraíso de Amor
De Paz e de Compreensão

No fundo… tudo e tão-somente
São os frutos da Ilusão!

por João Carlos Figueiredo Postado em Poesia

Andrajos

 

Da ponta fina e sutil escorre meu pensamento:
Ora, em profunda tristeza, ora, pleno em alegria.

Seria, a tinta, o humor, o sangue de nossas vidas?
Quem alterna o sentimento, da dor à melancolia?
Quem, da mão, faz sua escrava, levando à mente a vontade,
Calando, em si, o desejo, recompondo a harmonia?…

Seria, enfim, ao contrário, apenas por ironia,
Que a vida se originasse da folha em branco e vazia?

Assim, por mero capricho, rabisco esta poesia,
Que nada diz, na verdade, pois nada me restaria,
Senão silêncio e saudade, senão andrajos de amor…

por João Carlos Figueiredo Postado em Poesia

Dinorah

Por ti compadecemos, impotentes, mãe querida,
Sem conhecer-te os sonhos… sem compreender-te a dor…
E de tal modo nos acostumamos com tua breve partida
Que jamais soubemos onde guardavas tanto amor…

Suave, serena e forte, tua chama delicada conduzias…
E enquanto o sofrimento ocultavas no silêncio dos teus dias,
Teu pequenino corpo pressentia o iminente desenlace
Sem uma lágrima sequer jamais verter em tua face.

Valente e decidida, optaste por permanecer presente
Quando a vida, ao teu redor, já perdera todo encanto,
Na escuridão dos dias infinitos, em seu estar silente,
A nos dar o teu carinho… a nos esconder teu pranto…

E agora, que nos deixaste sem o teu calor,
Completamente sós… desamparados… tristes…
A lamentar tua ausência… a compreender tua dor…
O que nos resta é lamentar, calados… e murmurar silentes:

Ah… Dinorah… que falta sentiremos no resto dessa vida!…

por João Carlos Figueiredo Postado em Poesia

MADRASTA SOLIDÃO

 

Vejo-a com meus olhos de menino
Encantado por sua dedicação
E nada fiz por merecê-la
Simplesmente existi

Vejo-me pelos seus olhos pequeninos
Embaciados pela vida que passou
E nada fiz por recompensá-la
Pois só cuidei de mim

Enclausurada em sua solidão sem fim
Não a encontro mais perto de mim
E nada posso fazer por revivê-la
Senão fechar os olhos

…e adormecer também…

ESTRANHA CIDADE

 

Não pertenço mais a esta cidade
Mas algo me traz de volta aqui
Venho apenas para reviver
Os sonhos que algures deixei

Meu pai talvez soubesse a razão
Porém, ele se foi e me deixou vazio
Levou consigo nosso castelo de ilusão
E me escondi em outros pesadelos

Entreguei-me ao prazer de conduzir
Almas, seres humanos, gente como eu
Perdidos nas incertezas do amanhecer

Mas não existe Amanhã no Ser…
Por isso, talvez, perambulei por aí
Buscando, quem sabe qual motivo
Para perseverar, ainda que disperso
Em pensamentos que não são meus

Como posso refletir se já não tenho paz?
E, no entanto, continuo aqui…

AMAZÔNIA

 

Estranho mundo perdido no passado
Entristecida gente deixada no caminho
Inebriada pelo falso brilho da civilização

Não são brancos, pardos, negros, índios…
São só caboclos, despidos de identidade

Chamam-se ingenuamente de parentes
Como a dispersar assim as desavenças
Deixadas pela dominação caucasiana

Gente sem passado, cantam suas ilusões
Fingem preservar, assim, as tradições

Mas elas não existem mais… se foram…
E não haverá quem as resgate do passado
E viverão assim na eternidade que não há…

SEM DESTINO

 

Quisera não compreender a realidade
Iludir-me, como o fazem todos os demais
Fingir que ainda acredito na humanidade
Que ainda existem esperanças nesta vida

Mas não sou assim: perdi a ingenuidade
E sei que um dia tudo encontrará seu fim
E que não é possível salvar este planeta

Porém, já terei ido quando isso acontecer
E o mundo se ocultará de vez nas trevas
E os homens padecerão os seus pecados
Pagando o preço do desprezo pela vida

E não haverá mais florestas, flores, animais
E o que restará serão somente os desertos

Mas, ainda assim, existirão os homens
Enclausurados em seu planeta morto
E chamarão a isso o Grande Progresso
E cultuarão suas próprias invenções
Sem perceber que nada valem de per si

Talvez migrem até para outros mundos
Colonizando escravos, destruindo tudo
Como fizeram por milênios por aqui

Talvez apenas desapareçam, um dia
Sem deixar rastros, nem lembranças
E se reintegrem ao pó da Eternidade…

SONS INESQUECÍVEIS

 

Ouço o silêncio obscuro de meu interior
Que os sons deste mundo já não ouço mais
Parecem-me ruídos, gritos esganiçados,
Ofendem meus ouvidos já cansados

Ouço o som do Universo ao meu redor
Meu pai diria: “ouça o som das esferas”
E vejo os mundos a rodopiar nos céus
E o brilho inconfundível desses astros
E o som inaudível da luz cortando o éter

Ouço o murmúrio das águas pelas pedras
E sinto a paz que já não existe mais

Ouço o burburinho das crianças
Algazarra feliz, descontraída e bela
Cantigas ancestrais trazidas da lembrança
Bailam em roda, despreocupadamente
Ainda não perderam a pureza dos anjos
Nem se tornaram perversas como os pais

Ouço o farfalhar das folhas na floresta
E o sublime cantar dos passarinhos
A chamar suas fêmeas, a tecer seus ninhos
Percebo a sombra dos grandes animais
E suponho suas vozes, a rugir, medonhos…
A espantar inimigos… a impor domínios…
Apenas sons imaginários… nada mais

Tempo demais!

Busco os limites de meus infortúnios

Nos atos, nos pensamentos, nas palavras…

Na solidão que me cala e consente,

Na angústia de não ser presente…

 

Procuro, na vida que me resta,

Um motivo, uma razão, uma vontade

Que seja, para perseverar e crer…

Para prosseguir, mesmo contra a razão.

 

Porém, minhas mazelas são pequenas,

Meus limites são restritos, fracos…

Meus propósitos, mesquinhos,

Ao menos aos olhos da realidade…

 

E o caminho que percebo é enorme!

Tempo demais para percorrer,

Antes que o desejo se acabe,

Antes que o fim se alcance…

por João Carlos Figueiredo Postado em Poesia

Oração do Velho Chico

Senhor, fazei-me instrumento de vossa generosidade!

Onde houver Seca, que eu espalhe Águas da Fertilidade!
Onde houver Miséria, que eu distribua a Fartura das Colheitas!
Onde houver Sertão, que eu me torne o Mar da Vida!
Onde houver Trevas, que eu conceda Energia e Luz!
Onde houver Isolamento, que eu mostre Caminhos da Integração!
Onde houver Fome, que eu abasteça de Água as Plantações!
Onde houver Discórdia, que eu seja Reencontro e Harmonia!

Que meus braços se estendam e se multipliquem pela transposição de meus domínios, levando ao Sertão e ao Agreste a transpiração de minhas águas férteis, para que…

…Onde houver Desespero, que eu seja a Esperança!

Leia mais sobre minha expedição pelo rio São Francisco em Meu Velho Chico

por João Carlos Figueiredo Postado em Poesia

Sentimento Estranho

Estranha sensação que me envolve e cala,
Desejo incontido e mudo neste chamado inútil…
Secreto sentimento na mensagem cifrada,
Entendimento cego que amedronta e mata…

Há um engasgo em meu peito… um soluço rouco,
Receio de mim mesmo – desvario ou sonho?
Pesadelo recorrente, a me levar desperto,
Temor apavorante de acordar sozinho…

E me perceber silente, desfalecido, exangüe,
O pulso inerte, o peito ocluso e meu olhar sem luz,
E a sensação confusa de me saber ausente,
E a consciência inconsolada, a consumir meu ser…

Em meu entorno, a noite: negra, eterna e fria,
Em mim, alma apartada, a solidão perene,
E a certeza atordoante de meu destino, enfim,
Saber constrangedor de não estar aqui…

por João Carlos Figueiredo Postado em Poesia

A uma criança abençoada…

Pequenino ser que, aos poucos, se transforma e encanta,
Tornando viva a primordial semente do amor que o gerou…

Que lhe reserva a Vida, minha criança? ouso lhe perguntar, silente.
E ouço o som de um coração que pulsa, intenso, de esperança!

Em sua mente ainda não germina a dor e o sofrimento…
Tampouco crescem virtudes e mazelas desta humana Terra…

Qual será o seu destino, enfim? insisto em indagar, perplexo…
E, novamente, apenas o coração responde com seu eco forte.

Pois, sim, uma criança ainda em formação no seu materno ventre
Não sabe o mundo que herdará dos pais que hoje nos tornamos…

Portanto, às indagações alguém responderá, enternecido e breve:
De nós terás a "natureza morta" ou a indescritível beleza preservada!

Assim, meu neto, querido ser tão esperado, busco fazer minha parte,
Retribuindo o que restou da herança recebida de meus ancestrais…

E sei que o tempo, célere, exige, de cada um, o esforço extremo
Por retratar-nos do mal que praticamos ao devastar o Paraíso Eterno!

Vem, neto querido, ajude a compreender essa fundamental missão:
Que haja, na Terra Prometida, mais bondade, empenho e caridade!

Que venham a nós crianças abençoadas pelos desígnios do Bem!
E possam, nossos filhos, resgatar, do caos, o Shangrilá perdido…

Nicolas, meu netinho, benvindo às infinitas belezas desse mundo,
E lute por cultivar virtudes, a despeito do mal que não se esconde…

Essa é a lei do Bem e da Verdade, que espero ver cumprir, um dia:
Em lugar do vale de lágrimas que religiões terrenas nos legaram,
Apenas Luz, a indicar a estrada que o mundo desconhece…

por João Carlos Figueiredo Postado em Poesia

Tédio


Falares desnecessários…
Dèja vu… tudo me parece igual…
Até os latidos dos cães!
… a monotonia das feições…
… os pensamentos…
ROTINA!!!!

Quem disse isso?
Silêncio dentro de mim…

Latidos desnecessários…
Dèja vu… tudo me parece igual…
Até os falares dos mortos!
… a monotonia dos pensamentos…
… as feições…
ROTINA!!!!

Quem disse isso?
Silêncio dentro de mim…

Acordar… para que?

por João Carlos Figueiredo Postado em Poesia

Anhumas

Algum lugar além… Onde estás? Anhumas…
Abismo de meu ser… Quem verás? Nenhumas?!!!
Mergulho em tuas entranhas, estranhas catedrais,
Calcáreas formações… Anhumas! Anhumas!

Resvalo em teu silêncio, perdido em solidão…
Milênios de brancuras, inculta expressão
De um eterno adormecer…

Profundas sutilezas revelam tuas fendas.
Caminho em tuas sendas em busca de um alguém.
Algumas ilusões perduram sem razão.
Onde estás? Talvez em algum lugar: Anhumas!
por João Carlos Figueiredo Postado em Poesia

Desconsolo

Se a dor da vida me enfraquece e cala,
O que fazer de toda essa emoção contida?
Por que me foi negado o fim da história,
Se os erros meus se sublimaram nesta solidão perdida?

E aqui me encontro, novamente, em prantos,
Por não poder manifestar minha paixão sofrida…
E as horas passam numa angustiada espera,
Que não se encerra, a alimentar a ilusão sentida.

E você segue seu caminho, sem me ver ao lado,
A recolher migalhas de seu coração partido…
Desconsolado, já nem mesmo me incomodo
Em disfarçar tamanha humilhação vivida…

E me entrego, enfim, a essa triste sina,
A confundir a imaginação… e a verdadeira Vida!

por João Carlos Figueiredo Postado em Poesia

Angústia

Por que me seduziste novamente
Se negas teu amor, sem compaixão?
Meu peito aperta angustiosamente,
Dilacerado em dor e solidão…

Se, ontem, fui feliz, por um momento,
Inebriado em sonho e ilusão,
Agora, recompõe-se o meu tormento,
Abandonado e só, sem compreensão.

Não tenho teu carinho, nem afeto,
Nem sei por onde estás, meu coração…
A trama de Pierrot eu interpreto,
Calado o grito mudo da paixão.

E, mesmo procurando ser discreto,
Confesso minha culpa, e estendo a mão…

por João Carlos Figueiredo Postado em Poesia

Luna Llena

Escotilha iluminada

Na infinita ausência de luz…

Assim te vejo, Lua,

Passagem entre Universos,

Boca de um cone

A se perder na ignorância do Ser…

Não existes,

Senão na imaginação dos amantes,

Ou nas pegadas dos astronautas,

Derradeiros visitantes do passado…

Ambos extintos

Pela absoluta abstinência da Paixão…

por João Carlos Figueiredo Postado em Poesia

Desencontro

Teus olhos ao alcance dos meus olhos,
Tuas mãos, quase ao calor de minhas mãos,
Teus lábios a murmurar em meus ouvidos,
Meus lábios a ansiar os lábios teus…

Ali, quase a tocar-nos, tua ausência…
Parte de um sentimento se perdeu…
Constrangidos pensamentos que vagueiam
No silêncio de um desejo apenas meu.

E a noite se arrastando pela vida,
E o tempo a se perder em meus sentidos,
Minh’alma a reclamar tua presença,
Teu corpo a recusar minha paixão…

por João Carlos Figueiredo Postado em Poesia

Viver é…

Viver é superar os seus temores,
É entregar-se a vinte mil amores,
E descobrir-se só…

Viver é enfrentar os riscos desmedidos,
É renegar seus ritos mais antigos,
E reduzir-se a pó…

Viver é mergulhar na mais profunda solidão,
Expor-se aos perigos de mais uma ilusão,
E sublimar-se em dor…

Viver é sentir-se completamente ensandecido,
Abandonar-se ao mais desconhecido,
E perceber-se nu…

Viver é quase nunca dizer “não”,
Ao ser amado entregar sua paixão,
E desdenhar seu dó…

Viver é nunca mais deixar de partir,
Ao seu passado só saber sorrir,
E, novamente, descobrir-se só…

por João Carlos Figueiredo Postado em Poesia