A banalização do vulgar

Saí de casa como de costume, já enfrentando o congestionamento habitual, veículos se alternando em uma fila imensa, cada um com seus pensamentos, e as notícias corriqueiras. Um radialista dizia quais caminhos estavam menos engarrafados, entremeando comentários dos ouvintes com músicas toscas… se já não tinha muita vontade de sair de casa, essa sucessão de trivialidades me emudeceu.

O que se percebe é o esgotamento de um modo de vida vazio, sem sentido, onde todos se sentem amortecidos pelos acontecimentos em um mundo sem ideologias, com seres humanos sem altruísmo e políticos sem vergonha na cara. As notícias já não nos surpreendem, as pessoas já não nos emocionam, o futuro já não motiva gestos de dignidade nem comportamento ético ou edificante…

Seguimos pela vida como zumbis, perdidos na multidão ignara e amorfa, antropofagicamente nos devorando sem sentir dor ou prazer. Não há mais ideal que nos leve a um comportamento social aceitável. Tudo é permitido nesse mundo sem leis, sem princípios e sem ídolos com os quais possamos nos identificar. As figuras públicas apodrecem diante de nossos olhos, sem uma punição compatível com os crimes praticados contra as minorias, contra a Natureza, contra os mais elementares valores da Humanidade…

Enquanto o planeta se deteriora diante de nossos olhos, causada pela irresponsabilidade, avareza e desmesurada ambição dos poderosos, a sociedade se aliena nos devaneios das redes sociais, inebriada pela tecnologia anestesiante e estúpida. A cada dia, mais poder é concedido aos grandes responsáveis pela degradação da Terra: latifundiários da soja e do gado, mineradoras, madeireiras, especuladores imobiliários, empreiteiras inescrupulosas envolvidas em escândalos financeiros e políticos… muitos políticos corruptos e atuantes, aproveitando-se de um governo fraco e igualmente corrupto, a legislar em causa própria, sem que um poder judiciário lhes barre o descalabro de seus atos irresponsáveis.

O que será do Brasil? O que será feito desse mundo decadente, perdulário e tresloucado? O que será feito de nós, minoria insignificante de cidadãos honestos e responsáveis, que não temos mais voz para gritar e denunciar tamanhos malfeitos? É provável que essa sociedade putrefacta nos leve à extinção, consumando a trágica obra de milhares de anos de uma humanidade que só teve disposição para a guerra, para os crimes, para a usura e a crueldade, numa História degradante e humilhante de nossa curta existência…

A mim, pouco importa, pois já perdi a esperança de ver um novo ser humano nascer do esgoto que a humanidade plantou neste planeta… o vulgar, o tosco, a sujeira humana prevaleceu contra as expectativas de um mundo digno de se viver… que pena…

por João Carlos Figueiredo Postado em Ensaio

A Vida fala por si

Difícil é envelhecer. Dizem que começamos a envelhecer no dia em que nascemos, mas isso não é verdade. Nosso corpo começa a mostrar sinais de envelhecimento quando os olhos já não mais conseguem se fixar nas palavras de um livro, quando as idéias se confundem no embaralhamento dos sentidos, quando a mente manifesta a intenção de agir, mas o corpo não reage no momento esperado. Envelhecemos quando a paciência deixa de ser uma de nossas virtudes, quando o corpo declara a dor que se instala, cruelmente em cada articulação. Envelhecemos quando, finalmente, admitimos esta realidade.

Não é verdade o eufemismo da terceira idade, da “melhor idade”! Só os tolos acreditam nisso. A velhice é a idade da solidão, da melancolia, da insegurança e do sofrimento. Mesmo a alegria, quando chega, é contida, temerosa de seu inevitável fim. Manifesta-se cautelosamente, incrédula, quase triste…A velhice é a espera da morte, sem eufemismos, crua e cruel. É a certeza de que o nosso tempo passa a ser contado em ordem decrescente, o quanto ainda temos para sofrer e suportar as dores do envelhecimento. E a única esperança é que ela venha rápido e dure pouco. O medo de ficar em uma cama, entregue aos cuidados de um estranho, um estorvo para os filhos, uma presença indesejada, esse é o sentimento que acalenta nossos pesadelos.

Já não é assim para aqueles que acreditam em Deus. Os crentes ainda esperam pela “providência divina”, pelo “paraíso”, pela “ressurreição”; mas nós, ateus, sabemos que a morte é, simplesmente, o fim de uma vida. E nada haverá depois da vida. Essa é a razão das religiões terem tantos adeptos: quem, afinal, consegue encarar o vazio após a morte? O NADA? A ausência absoluta de tudo o que fomos em vida? Como, enfim, viver, se sabemos que nada temos e nada levaremos no desenlace de nosso cordão umbilical com esse inferno terreno?

Pior do que morrer, seja lá como for, é o sentimento claro, a percepção inequívoca de nosso envelhecimento, a perda de nossas capacidades adquiridas ao longo do caminho, o isolamento dos jovens, que já não mais nos compreendem, a consciência de que tudo aquilo porque lutamos foi, simplesmente, inútil… para que “Causas Altruístas” se mesmo o mundo, tal qual o conhecemos, perecerá um dia? Por que acreditar que a Natureza é bela, se nossa percepção do mundo é limitada por sentidos frágeis? Seria, o que vemos, a verdadeira natureza das coisas, ou apenas a ilusão de nossos olhos e de nossas mentes? Seria, o que sentimos, Amor, ou tão-somente um apego primário a outro ser, temerosos de nossa própria solidão?

Sim, a Vida é efêmera… mas pior ainda é temer que mesmo esse curto existir foi fundamentado em percepções equivocadas, ilusões de nossa mente! Resta-nos, apenas, admitir a insignificância do ser, e deixar que a areia escorra, lentamente, levando-nos com ela para o infinito inexistente…

por João Carlos Figueiredo Postado em Ensaio

A POLÍTICA A SOCIEDADE E O GOVERNO DO FUTURO

Cyberspace: o mundo do futuro, onde as distâncias perdem o significado

Muito se fala sobre “Reforma Política”, “Reforma do Estado”, “Reforma das Instituições” e outras “reformas” necessárias à contemporaneidade do mundo. No entanto, tais reformas, tal como têm sido concebidas e propostas, nada possuem de contemporâneo e muito menos de visionário. Tratam-se apenas de adaptações que ignoram as transformações extraordinárias que vêm ocorrendo, principalmente, em função das novas tecnologias da Informação e da Comunicação. Não são meras mudanças decorrentes da tecnologia, mas a superação dos espaços, tais como concebidos em eras anteriores ao século XX.

Para se compreender a complexidade desse “Admirável Mundo Novo” e os impactos que dele advirão para as sociedades do futuro, é necessário antever algumas das possibilidades tecnológicas e as transformações que acarretarão na vida humana. Basta, porém, ter a convicção de que as instituições que existem hoje não terão lugar na sociedade do futuro. E esse futuro já bate à nossa porta, e as tecnologias existentes já permitiriam que essas transformações se processassem, não daqui a dez, cinquenta ou cem anos, mas agora!

O que certamente desaparecerá nesse mundo novo? O papel, os automóveis, o petróleo, os latifúndios, as aldeias, o casamento, as cadeias, a polícia, o exército, as assembleias, câmaras, congressos, partidos políticos e outras associações, a propriedade privada, os escritórios e organizações, os cinemas e as salas de espetáculo, as igrejas e as religiões, as escolas, os animais de abate, os zoológicos, a carne como alimento, o esgoto e os lixões, os fios, as linhas de transmissão de energia e as hidrelétricas, as ideologias e as guerras.

Muitos se perguntarão como seria possível um mundo sem essas instituições e sem esses objetos e conceitos, hoje essenciais para a vida de qualquer ser humano. Mas, se observarmos atentamente, todas essas “coisas” e conceitos são primitivos, e vinculados às características de nosso mundo em transição. Assim, passarei a descrever cada um deles e as causas de seu desaparecimento.

PAPEL. Só existe porque é usado, ainda, como meio de comunicação. Porém, as tecnologias digitais já tornam supérfluo e inaceitável o “papel” como mídia destinada à veiculação de idéias, de notícias e de conhecimentos. Estou escrevendo em um meio digital, para ser publicado em um espaço virtual, para conhecimento de milhões de pessoas que se interessem pelo tema e que sejam estimuladas pelas “tags” (ou palavras-chave) que eu colocar em minha mensagem. Tudo sem usar o papel. Além disso, o papel é fruto da destruição das florestas.

AUTOMÓVEIS. Como meio de transporte, os automóveis são resquícios de uma sociedade aristocrática e ineficiente. Todas as vias construídas para esse tipo de veículo são sub-aproveitadas, assim como o próprio veículo per se, que ocupa o espaço de dez pessoas sentadas em um veículo coletivo, mas transporta, em média, apenas duas. Veículos individuais e coletivos, percorrendo trajetos planejados, utilizando energias renováveis, substituirão os automóveis assim que outros paradigmas sociais tenham sido removidos.

PETRÓLEO. Simples corolário do item anterior, além do resultado do esgotamento desse combustível fóssil, o petróleo desaparecerá assim que sua produção e comercialização sejam inviabilizados pela produção de outras formas de energia renováveis, mais econômicas e não poluidoras. Talvez mesmo antes de que os investimentos do pré-sal tenham sido amortizados, o petróleo já terá se transformado em uma fonte proibitiva e inviável, política e economicamente, superado por fontes limpas e sustentáveis de energia.

LATIFÚNDIOS. Esse tipo de lavoura, que utiliza espaços gigantescos com baixa produtividade em relação ao consumo humano, e com enorme impacto sobre o meio ambiente, deverá ser substituído por fábricas de alimentos sintéticos, resultado do desenvolvimento da biogenética e de novas versões de transgênicos que não dependam do solo para sua fertilização e produção. Os latifúndios são o reflexo de uma sociedade feudal inaceitável, e que já deveria ter sido extinta, pois é geradora de privilégios e comportamentos inadmissíveis em um mundo superpovoado, como será a Terra no final deste século.

ALDEIAS. Pequenas aglomerações humanas se tornarão impossíveis em um mundo cujos espaços sejam cada vez mais insuficientes para abrigar uma gigantesca civilização cibernética. A ideia romântica de vilas, povoados e aldeias dará lugar ao pragmatismo da sobrevivência da espécie humana. Comunidades indígenas, quilombolas, de lavradores e ribeirinhos não caberão nesse mundo novo que se prenuncia. Serão absorvidas pelas novas cidades cibernéticas.

CASAMENTO. A união conjugal vem passando por transformações históricas. Embora a homossexualidade seja tão antiga quanto o homem, só neste século é que a sociedade passou a admitir que a escolha de parceiros sexuais é uma decisão que não cabe à sociedade julgar, em termos de moralidade. Por outro lado, o casamento, que nas suas origens representava a bênção da igreja para a procriação, deixou de fazer sentido com essas modalidades conjugais, tornando-se mero contrato social destinado a assegurar os direitos de cada parte na união.

CADEIAS. Prisões são feitas para isolar o indivíduo que quebra as regras de convivência social, em prejuízo de alguém que se sentiu lesado, ou como prevenção a novos crimes praticados contra a sociedade. Com o crescimento demográfico, as cadeias passaram a ser amontoados de pessoas, sem que pudessem cumprir a finalidade a que se propõem, qual seja a de dar ao prisioneiro uma oportunidade de se redimir pelos erros cometidos e se reintegrar na sociedade. A sociedade do futuro terá outros mecanismos e instrumentos para controlar e fiscalizar esses indivíduos, sem que, para isso, tenham que ser afastados do convívio social e serem mantidos em celas que mais parecem um zoológico. O que se prevê é a “reprogramação comportamental” através de sessões de medicação, condicionamento intelectual e até mesmo interferências genéticas na mente do indivíduo “meliante”.

POLÍCIA. O aparato policial de que dispõe a sociedade para coibir, reprimir e capturar criminosos é desproporcional à sua finalidade social, e fonte de corrupção e descaminho. O futuro produzirá meios de controle social sem o uso de armas ou de violência, e poderá ser monitorado por centenas, milhares, senão milhões de câmeras distribuídas estrategicamente nos agrupamentos urbanos, e de aparatos (chips) instalados no indivíduo ao nascer. E a captura do criminoso se dará por meios legítimos de neutralização e remoção do indivíduo da cena do crime, até que sua “readaptação” social seja efetivada.

EXÉRCITO. Essa instituição só tem sentido na medida em que existem fronteiras, limites geográficos, e nações e países, que acreditam que o espaço de confinamento demonstra e caracteriza a personalidade e a identidade das pessoas com o espaço nacional dos países em que habitam. Abolindo-se as fronteiras, as bandeiras, os hinos e a história isolada desses países, o Exército se tornará inútil e supérfluo, e as guerras de conquista serão apenas memórias históricas de um mundo dividido por ideologias e conceitos medievais.

REPRESENTAÇÕES POPULARES. As assembleias, câmaras, senado, partidos políticos e outros tipos de representações populares serão consideradas nefastas e geradoras de discórdias. Por outro lado, o poder de manifestação será melhor exercido através de recursos tecnológicos que permitam, não apenas a formação de grupos virtuais heterogêneos, como estarão disponíveis através de diferentes ferramentas destinadas a criar e desfazer alianças temporárias, para finalidades variadas, conforme o interesse dos cidadãos, permitindo-lhes o exercício da democracia plena e da representatividade absoluta em cada nova situação.

PROPRIEDADE PRIVADA. A posse de bens é, talvez, a mais nefasta das concepções humanas, na medida em que cria a falsa ideia de que o mundo pode ser loteado para poucos, em prejuízo de muitos. Por outro lado, para que possuir bens se tudo pode ser usufruído por todos em qualquer situação, sem que, para isso, seja concedida a posse exclusiva e egoísta desses bens a um único indivíduo? O direito de uso não agrega valor a uma existência efêmera de poucas décadas. E a herança desses bens é o mais poderoso instrumento de perpetuação de castas e privilégios que a humanidade já tenha criado.

ESCRITÓRIOS DO FUTURO. Ainda nos parece essencial ter um lugar físico para se exercer as atividades burocráticas de uma organização. A esses lugares se denominou, no passado, de “escritórios”, ou “lugar para se escrever”. A ação de se escrever era, no passado, difícil e restrita aos poucos (geralmente, os “escribas monásticos”) que dominavam a “arte da escrita”, ou seja, o conhecimento de um idioma, com seus símbolos gráficos, regras de sintaxe e ortografia, e o manuseio de pincéis ou canetas; as máquinas de escrever e, principalmente, a estrutura organizacional física surgiram com a revolução industrial. Escritórios do futuro já existem, e são virtuais. Podem estar em locais compartilhados e temporários, podem estar nas casas dos funcionários, os “home office”, ou podem, simplesmente, não existir, na medida em que cada pessoa estaria exercendo suas atividades em qualquer lugar, conforme seu conhecimento ou experiência, sendo que a articulação dos processos seria construída conforme a necessidade momentânea ou duradoura de um projeto, programa ou plano. Assim, não existiriam organizações formais, mas grupos de trabalho destinados a exercer atividades específicas, enquanto fossem necessárias, desfazendo-se quando a função, ou a missão, ou o projeto estivesse concluído. Simples assim.

CINEMAS E SALAS DE ESPETÁCULO. As manifestações artísticas e culturais estariam disponíveis a todo momento, cada grupo podendo se apresentar virtualmente, para quaisquer públicos interessados. Estes, por sua vez, teriam condições de se manifestar virtualmente, fazendo parte do espetáculo de forma interativa, anônima ou não, agrupando-se também de forma virtual, enquanto fosse de seu interesse. Cada indivíduo ou grupo, seja de atores, seja de espectadores, se formaria e se desintegraria para cada apresentação. Todos os espetáculos poderiam ser guardados virtualmente, fazendo parte do acervo individual ou coletivo, através de filtros de seleção e preferências manifestadas.

IGREJAS OU RELIGIÕES. Assim como os partidos políticos, as igrejas e as religiões, bem como países e estados, e qualquer tipo de agrupamento de seres humanos cria instituições sectárias preconceituosas, perniciosas à harmonia social, devendo ser definitivamente extintos e proibidos. A manifestação de ideologias, sociais ou espirituais, deve ser livre e fazer parte da cultura de qualquer indivíduo, sem que, para isso, se converta em seita de fanáticos, que se manifestam coletivamente, perdendo sua identidade individual, e tornando-se, portanto, impessoal e ameaçadora à paz e à liberdade coletiva. Talvez, esta seja a maior das transformações que o mundo, tal qual o conhecemos e o experimentamos, presenciará nas próximas décadas, uma vez que extinguirá a farsa que domina, pela ignorância, as mentes dos menos privilegiados, intelectualmente.

ESCOLAS. Pode parecer estranho não existir escolas, mas elas apenas existem porque a transmissão do conhecimento ainda é primitiva e lenta. Passamos cerca de um quarto de nossas vidas aprendendo coisas inúteis, desconexas ou desnecessárias às atividades que exercemos, deixando de aprender o essencial, que é o conhecimento da finalidade da vida, da missão da sociedade humana, da percepção das sinapses que construímos em nossas mentes, e dos valores e princípios que deveriam nortear o comportamento humano, sem ter, contudo, o domínio do processo de organização desses complexos caminhos de armazenamento, de busca e de organização da inteligência humana.

ZOOLÓGICOS, ANIMAIS DE ABATE E A CARNE. Uma das mais importantes mudanças no comportamento humano será o entendimento de que não podemos ser carnívoros, seja porque as proteínas da carne não são as únicas que poderiam suprir nossas necessidades diárias, seja porque, neste futuro utópico, a comida será sintetizada artificialmente, acabando com as fazendas agrícolas e a criação de animais para abate, seja, ainda, porque precisaremos de todo espaço disponível na Terra para o lazer, as habitações e as atividades humanas. Zoológicos são aberrações que criamos para conhecer os animais, que deveriam estar vivos em seus habitats, e não confinados em jaulas ou em paisagens artificiais, construídas para serem usadas como presídios de visitação e deleite dos seres humanos.

DEJETOS HUMANOS: OS LIXÕES. Segregamos locais para despejar o nosso lixo, transportado por tubulações e veículos de carga, deixando de reaproveitá-lo para reuso e consumo. Esses lixões e esgotos são uma excrescência de nossa civilização e deverão ser eliminados. Os processos de separação de lixo devem fazer parte de nossa rotina diária, e não servir de motivo de segregação de uma população diminuída em seu papel de seres humanos catadores e separadores de nosso próprio lixo.

PRODUÇÃO E TRANSPORTE DE ENERGIA. Outra forma primitiva de vida, que caracteriza nossa sociedade humana, é a produção e o transporte de energia: hidrelétricas, termelétricas, usinas nucleares, linhas de transmissão, com enormes perdas pelo caminho, estações rebaixadoras e todo esse processo antiquado de produção, transporte e distribuição de energia deverá ficar no passado. Cada unidade humana, seja uma residência, seja uma unidade produtiva, seja qualquer equipamento útil, deverá ter sua própria fonte de energia, eliminando toda essa estrutura produtora e portadora que existe hoje.

IDEOLOGIAS E GUERRAS. Talvez devêssemos acrescentar, a essa dupla concepção, as religiões, já tratadas junto aos partidos políticos e associações. O fato é que toda dissidência humana se inicia em um embate de ideias sem o propósito construtivo da manifestação intelectual, mas apenas com a intenção de fazer prevalecer nosso ponto de vista ao dos nossos adversários. Daí, talvez, a necessidade de se discutir, aqui também, as atividades competitivas dos seres humanos, como o futebol e outros esportes geradores de discórdia e desunião. Mas trataremos apenas das ideologias e das guerras. Extintos os territórios, os países e seus limites, as guerras deixariam de existir, assim como as disputas pela sua posse. Não precisamos de terrenos murados, cercas, bloqueios de qualquer espécie, destinados, única e exclusivamente, a demarcar territórios que não nos pertencem. O mundo é dos seres vivos, independentemente de sua inteligência, sua cultura, suas linguagens e suas construções mentais. Quem contestará o fato de que surgimos da evolução das espécies? Quem assegurará que outras espécies poderão, eventualmente, evoluir para outras formas de vida inteligente, até mais qualificadas do que os seres humanos, tal como somos?

Essas considerações despretensiosas foram escritas para meditarmos a respeito do que nos separa, daquilo que nos segrega em nossa sociedade atrasada e arrogante, tornando ideias, que deveriam existir para serem compartilhadas, em armas para nos separar e desunir. Acabamos de sair de uma disputa ideológica que não trouxe vitoriosos, mas apenas perdedores. Tendo sido discutido exaustivamente o tema das “MUDANÇAS” por ambas as candidaturas finais do confronto ideológico, tudo o que não aconteceu foram “MUDANÇAS”! Ficou o mesmo grupo no poder, com as mesmas ideologias ultrapassadas, confrontadas com outro grupo ideológico também ultrapassado. Ficou um gosto amargo da derrota para ambas as partes, que não conseguiram convencer o eleitorado da prevalência de suas ideias às ideias opostas. Usou-se de artifícios e mentiras para iludir uma parcela indefesa da sociedade. Perdeu-se uma oportunidade de nos afastarmos da disputa ideológica para algo mais pragmático, como a “SUSTENTABILIDADE” de nossos processos produtivos, sociais, intelectuais, comportamentais, diante de um mundo em transformação, onde as “MUDANÇAS CLIMÁTICAS” determinarão os rumos de nossas vidas nas próximas décadas.

O que virá do caos decorrente de nossas ações predatórias sobre o Meio Ambiente? O que restará depois dos desastres ecológicos que arruinarão nossos sistemas produtivos medievais? Como subsistiremos à morte de nossas fontes de recursos naturais, quando os processos predatórios tiverem exaurido essas riquezas naturais, que desaparecerão pela perversidade e ignorância de governos despreparados para gerir o Universo em que habitamos? São essas as questões que estão em pauta, não a cor da pele e de nossa ideologia, ou a “magnanimidade” das migalhas distribuídas a uma parcela desta sociedade desigual, arcaica, feudal, primitiva, egoísta, sem solidariedade, sem compaixão, sem amor ao próximo, que são estes os princípios e valores essenciais à vida inteligente.

E não saberemos dizer quando teremos outra disputa que valha a pena ser realizada. Esta, certamente, não serviu para nada. Saímos perdedores, acusando-nos, mutuamente, dos mais torpes preconceitos! Perdemos diante de nossos “inimigos”, que são nossos irmãos de sangue, de culturas, de herança genética, de vizinhança, de território, de costumes, ainda que primitivos! Quando teremos nossa próxima oportunidade de rever nossos conceitos? Quando aprenderemos a debater ideias sem que, para isso, tenhamos que humilhar nossos adversários com palavras grotescas e arrogantes, acreditando que as “Nossas Verdades” sejam melhores que as “Verdades Alheias”?

Não existem VERDADES! Existem conceitos divergentes, que o próprio tempo cuidará de comprová-los falsos e decorrentes de nossa percepção míope do Universo que nos cerca. E esse tempo, que nos levará muito antes que tenhamos tempo de aprender o suficiente para sermos humildes, acabará por dar fim a essa humanidade que se vangloria de ser a espécie mais bem sucedida da face da Terra! Será mesmo? Pois seremos nossos próprios algozes, e exterminaremos nossa própria raça, a despeito de cores, credos, ideologias, conhecimentos científicos, realizações materiais ou desenvolvimento tecnológico.

Ao pó das estrelas retornaremos, e lá permaneceremos por milhões, bilhões de anos terrestres, à espera de que a casualidade combine nossas moléculas esparsas, catalizadas por acontecimentos e fenômenos igualmente aleatórios, reconstituindo novas formas de vida que, por sua vez, se reorganizarão até que, um belo dia, nova vida “inteligente” venha a surgir e se desenvolver, cometendo os mesmos erros e determinando o fim dessa nova espécie.

Esse é o ciclo do próprio Universo. Existirá um DEUS, uma inteligência que, como um maestro, conduza o tempo fictício e os eventos cósmicos  em direção à constituição cíclica de eras geológicas, manifestações naturais, surgimento de espécies “VIVAS” e seu desaparecimento, sem que, aparentemente, nada faça sentido para nós, reles seres humanos em vias de extinção? Jamais saberemos.

AS REDES SOCIAIS COMO INSTRUMENTO DE MANIPULAÇÃO DA CONSCIÊNCIA COLETIVA

O advento das redes sociais já foi tema de livros, filmes e debates, pelo seu papel transgressor de comportamentos, e de protagonista das ações sociais em situações de crise ou de instabilidade institucional. Esse recurso tecnológico introduziu um novo modelo de intervenção social, de profundo significado para a organização social e política de países, democráticos ou não, embora para os primeiros essa manifestação se processe sem culpas e sem punições. O propósito desse artigo é discutir a tempestividade dessa ferramenta, e sua apropriação pelos atores sociais, adquirindo recursos tradicionais de análise como arcabouço intelectual para seu suporte, e de profundo impacto para as transformações que presenciamos na sociedade contemporânea.

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Abstracts

The advent of social networks has been the subject of books, films and discussions, the role of transgressive behavior, and protagonist of social actions in crisis situations or institutional instability. This technological feature introduced a new model of social intervention, of profound significance for the social and political organization of countries, democratic or not, although for the first countries, this manifestation is carried out without guilt or punishment. The purpose of this article is to discuss the timing of this tool, and its appropriation by social actors, acquiring traditional resource analysis as intellectual framework for its support, and a profound impact to the changes that we found in contemporary society.

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Nos primórdios de 1970 surgiu a Internet, na época apenas uma rede de relacionamentos acadêmicos destinada a compartilhar trabalhos científicos entre Universidades e Centros de Pesquisa (ARPANET). Era ainda um recurso incipiente, com pouca interatividade, similar aos atuais correios eletrônicos (ou e-mails). A tecnologia que lhe servia de suporte ainda não possuía as interfaces gráficas desenvolvidas, e que surgiram apenas em 1984, com o Macintosh, que viria a se tornar o símbolo da Apple, empresa notabilizada por Steve Jobs e sua equipe como modelo de criatividade produtiva.

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A família Apple se desenvolveu e o Macintosh® se transformou simplesmente em “Mac”, dando origem a uma família de equipamentos, conhecidos como iMac® (“i” de interativo, inovador, interligado), e com um sistema operacional robusto e consistente, que inspirou outro jovem, Bill Gates, a criar a empresa que seria líder do mercado incipiente de computadores pessoais, a Microsoft®, base para a implementação de tecnologias impensáveis nas décadas que os antecederam. Esses equipamentos custavam uma pequena fortuna em seus primórdios e, com a evolução tecnológica e o crescimento acelerado da demanda, acabaram por se tornar indispensáveis a todos os indivíduos, símbolo de sucesso e de status social.

No entanto, durante as quase quatro primeiras décadas, a computação eletrônica, hoje simplesmente conhecida como Informática, e transformada pelas Ciências da Computação em área específica de conhecimento, tinha sua infraestrutura suportada por máquinas de grandes proporções e de altíssimo custo, além de exigir conhecimentos técnicos complexos para sua utilização e para o desenvolvimento de programas e aplicações, exclusivamente de uso científico, industrial e comercial. Eram, então, impensáveis as atuais facilidades tecnológicas.

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O advento do computador de uso pessoal (PC – Personal Computer) ocorreu a partir da década de 1970, mas sua evolução inicial foi lenta e seus recursos limitados, em sua origem. Porém, o surgimento do mercado potencial de usuários injetou-lhe enormes investimentos, que transformaram sua evolução em uma curva exponencial, com resultados surpreendentes, principalmente para os usuários, que não podiam prescindir de um técnico especializado para construir suas próprias aplicações. Surgiram as “Suítes” de aplicativos, como o Lótus 123®, o Quattro®, o Microsoft Office® e tantos outros que viriam em suas pegadas. Para que essas ferramentas se desenvolvessem e compartilhassem recursos entre usuários remotos, outra tecnologia foi produzida com a mesma rapidez e eficiência: as redes locais, inicialmente, as remotas, em seu encalço e, finalmente, a Internet.

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Diversas tecnologias complementaram a “caixa de ferramentas” do usuário contemporâneo, e uma delas foi o advento dos correios eletrônicos (e-mails). As primeiras experiências de redes remotas exigiam um provedor de comunicações (ISP – Internet Service Provider) e sua velocidade de tráfego de dados dificultava seu uso. Alguns desses provedores se transformaram em Portais de Informação, como o AOL®, UOL®, TERRA®, IG®, dentre tantos outros. Os conceitos de Portal de Negócios e de Portal de Informações surgiram na década de 1990, transformando a Internet em um mercado de transações comerciais e de divulgação de notícias. Como negócio, as trocas de mensagens comerciais viriam e se denominar EDI – Electronic Data Interchange, baseada em um conjunto de protocolos (regras de uso e de sintaxe: EDIFACT – Electronic Data Interchange For Administration, Commerce and Transportation), que transformaram a vida das pessoas e das empresas. Esse novo modelo de negócio viria a ser conhecido como Comércio Eletrônico (e-Commerce), e compreendia duas modalidades básicas: B2B (Business to Business – “transações comerciais entre empresas”) e B2C (Business to Consumer – “transações de vendas ao consumidor final”).

O universo da Informática é tão grande nos dias atuais que se torna difícil, senão impossível, resumi-lo em um texto, e esse não é nosso objetivo No entanto, esses conceitos elementares são necessários para apresentar a questão da evolução tecnológica que permitiu o surgimento das redes sociais. Elas apareceram no contexto da Informática na virada do século, logo depois de uma transformação que viria a impactar todo parque tecnológico instalado de computadores, sejam eles domésticos (pessoais) ou empresariais: o evento ficou conhecido como “o bug do milênio”, espécie de praga que viria a inviabilizar, se ocorresse, o uso desses equipamentos.

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É difícil explicar, para quem hoje faz uso da Informática, como e por que essa situação aconteceu; mas, propondo uma síntese, diríamos que as limitações tecnológicas e o elevado custo dos computadores em sua origem, aliados à falta de perspectiva histórica e de antevisão da demanda por esses equipamentos levou os especialistas (programadores e analistas de sistemas) a elaborar uma simplificação prática que, hoje, seria tida como “incompetência” ou “irresponsabilidade”: todas as datas utilizadas (ou armazenadas) em arquivos e sistemas de informação tiveram o “século” suprimido de seu formato (DDMMAA), e eram novamente inseridas em relatórios, como uma constante (19AA). Isso significava que, na mudança de século (3º milênio), todos os relatórios seriam impressos “voltando” 100 anos na exibição de datas: “21/12/2001” seria mostrado como “21/12/1901”, por exemplo.

Esse erro conceitual foi utilizado, inclusive, no desenvolvimento dos sistemas operacionais dos mainframes, e dos pequenos componentes, conhecidos como BIOS, que nada mais eram que minúsculos programas para iniciar o PC (personal computer). O custo das mudanças foi enorme (bilhões de dólares) para as empresas e para os países, mas provocou a mais dramática transformação do uso da Tecnologia da Informação: uma nova geração de máquinas e de programas foi implementada em tempo recorde em todo o mundo, quase que simultaneamente, graças aos enormes investimentos para superar essa falha técnica exemplar, apenas justificada pela incapacidade de se prever que tais sistemas sobreviveriam por décadas e chegariam ao ano 2.000 ainda ativos.

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Sistemas Corporativos

O Novo Milênio trouxe novos conceitos, novas tecnologias e uma redução de custos sem precedentes para os equipamentos de Informática. Se os investimentos no final do século passado se dirigiam à tecnologia per se, criando as grandes estruturas de bancos de dados, os conceitos de orientação a objetos, e os pacotes empresariais conhecidos como ERP – Enterprise Resource Planning, MRP – Manufactoring Resource Planning, dentre outros, no Novo Milênio a preocupação voltou-se para o Relacionamento entre Organizações em seu processo negocial. Surgiram novos conceitos nesta linha de raciocínio, como o CRM – Customer Relationship Management, o CPFR – Collaborative Planning, Forecasting and Replenishment, e os Portais de Negócio. Este último substituiria as tecnologias tradicionais de troca eletrônica de mensagens por novos modelos interativos para o estabelecimento de parcerias comerciais e negociação interativa. Essa nova modalidade atenderia, principalmente, uma cadeia de relacionamentos conhecida como Supply Chain Management, ou Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos, que contemplava desde os fornecedores de matérias-primas até o consumidor final, passando pelas indústrias de transformação, pelos canais de distribuição e, finalmente, pelos pontos de venda. Era uma revolução no processo de produzir e comercializar bens de consumo.

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As Redes Sociais

A contrapartida nos relacionamentos sociais e no uso da computação pessoal viria através das redes sociais. A primeira e mais conhecida rede social foi o Orkut®, seguida pelo Facebook®, que viria a se tornar a maior rede de relacionamentos do mundo, penetrando, inclusive, em países da antiga “Cortina de Ferro” (China e Rússia) e nos países muçulmanos (Paquistão, Líbano, Argélia, Egito), todos com a tradição de extremas restrições dogmáticas aos seus cidadãos. No princípio, foi necessário um extenso aprendizado, tanto por parte dos desenvolvedores, quanto dos usuários desses novos recursos. A interface gráfica carecia de praticidade e as regras de utilização não inibiam abusos, que quase inviabilizaram o desenvolvimento desse mundo novo que se prenunciava.

Esse aprendizado ainda continua, e novas funcionalidades e novas regras são implementadas continuamente, com o objetivo de respeitar leis e costumes dos países, bem como assegurar a privacidade e o respeito aos usuários em sua rede de relacionamentos. Conflitos precisam ser administrados para coibir os abusos, e até sistemas de punições foram estabelecidos para permitir que pessoas se relacionassem em segurança e com comportamentos aceitáveis pelos membros dessas novas comunidades. Hoje, pode-se dizer que essas redes estão maduras e funcionam a contento, permitindo que pessoas de todas as nacionalidades, falando os mais diferentes idiomas, professando diferentes crenças e tendo variados costumes e tradições possam se comunicar. As redes sociais são a Torre de Babel dos tempos atuais, onde cada um fala o seu idioma, só que com capacidade de comunicação e de compreensão. A tradução entre idiomas é simples, embora ainda careça de confiabilidade semântica.

As transformações sociais no mundo contemporâneo

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O Papel da Televisão

Não apenas as redes sociais surgiram no mundo atual. Desde a década de 1950, transformações sociais ocorrem, subvertendo costumes e compelindo pessoas a mudar suas regras e combater preconceitos. Não foi a Informática que iniciou essas mudanças, mas outra tecnologia: a televisão. Depois da Segunda Guerra Mundial, e em função dos investimentos em pesquisa científica e produção de armamentos, novos recursos tecnológicos surgiram para suprir as demandas por supremacia militar. Dentre eles, o que mais impactou as relações sociais foi a televisão. Fruto do desenvolvimento de equipamentos de comunicação durante a guerra, a televisão surgiu no início da década de 1950, tendo evoluído constantemente desde então, tanto com relação a seus recursos tecnológicos (tubo de raios catódicos, transmissão via satélite, integração com a Internet, TV´s de LED e de plasma, redução de custo de componentes, etc.), quanto à sua utilização midiática (recursos de design, programação, interatividade, competitividade pelo comando de audiência, versatilidade de temas, etc.).

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Como recursos de comunicação “ao vivo” e instantâneos, a televisão passou a ser um instrumento de transformações sociais tão importante que, desde seu início, tornou-se alvo de censura e de constrangimentos por parte de governos e igrejas, que não se conformavam com a queda sucessiva de seus dogmas e tradições e com a perda de controle sobre seus membros. O mundo viu, atordoado e em tempo real, o surgimento dos movimentos beatniks, hippie e woman´s lib, nos anos 1960, a implantação de ditaduras militares nas décadas de 1960 e 1970, a queda das mesmas ditaduras nos anos 1980, as guerras do Oriente Médio nos anos 1960 a 1980, os atentados terroristas e a liberdade de escolha de preferências sexuais dos anos 1990 e 2000… todos esses acontecimentos sociais e muitos outros apareciam “ao vivo” nas telas da TV e mobilizavam os sentimentos e emoções de toda a Humanidade.

Pela primeira vez, o homem podia se considerar participante da sua História, membro atuante ou mero expectador de todos os fatos sociais. O jornalismo de notícias e investigativo foi elevado à categoria de líder de vídeo audiências, e presença constante na maioria das casas do mundo civilizado. O papel do rádio, como elemento integrador da sociedade às famílias, foi reduzido às pequenas comunidades desprovidas de recursos da “modernidade”. As novelas e séries de televisão foram, no entanto, os fatores mais importantes das transformações sociais, uma vez que não retratavam a realidade, mas criavam “novas realidades”, jamais concebidas, confrontando regras morais e religiosas e criando uma nova sociedade baseada na liberdade absoluta de expressão e de conduta.

As Redes Sociais como Instrumento de Manipulação da Consciência Coletiva

Ainda que sem esse propósito, as redes sociais ofereceram, de imediato, um instrumento de enorme penetração e sem ônus para seus usuários, e certamente seriam utilizadas para quaisquer fins que se pretendesse: divulgação e comercialização de produtos e serviços, debates e propagação de ideias, publicação de fotografias, músicas, filmes, livros e textos, criação e veiculação de enquetes, uso de jogos eletrônicos, agendamento, divulgação e controle de participação de pessoas em eventos, publicação de curriculum vitae, agenda de aniversariantes, comunicado de fatos pessoais e públicos relevantes, intercâmbio de mensagens, formação de grupos de interesse, construção e gerenciamento de redes sociais privadas, integração de sistemas de mensagens com outras redes sociais, mensagens publicitárias, construção de páginas pessoais, dentre tantas outras funcionalidades.

Logo se percebeu a importância e o alcance desse novo recurso de comunicação e relacionamento, mas ainda não se percebia seu impacto nas relações sociais coletivas. Grupos de interesse com características e propósitos bem definidos logo passaram a veicular ideias e propostas, conclamando os componentes de suas redes para adesão às propostas. As redes, antes individuais, começaram a se interligar, formando suas próprias “sinapses” sociais, fato inusitado e inesperado, seja para os criadores dessas poderosas ferramentas, seja para seus usuários: as redes “aprendiam” com suas próprias experiências, criando estruturas complexas, como são as sociedades humanas. As redes atingiram sua maturidade e começaram a influenciar a Humanidade.

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Essa situação evoluía paralelamente às transformações que o mundo sofria em suas próprias estruturas sociais e políticas. As “primaveras árabes” e as manifestações da Comunidade Europeia, as primeiras em busca de Liberdade e Democracia e as segundas em protesto contra as medidas econômicas na Zona do Euro e o crescimento do desemprego, encontraram nas redes sociais o instrumento adequado de propagação de protestos e de conclamação do povo para manifestações públicas. Eram as redes sociais intervindo na consciência coletiva e funcionando como instrumento de mobilização social em defesa de seus direitos.

No Brasil, um tema aparentemente irrelevante – o aumento de vinte centavos nas passagens de ônibus – foi o estopim das manifestações de rua. Mais uma vez, o meio eram as redes sociais, e o resultado foi a mobilização de dezenas, depois centenas e, por fim, milhares de pessoas, coletivamente manifestando seu direito constitucional de protestar contra o que consideravam injusto na sociedade brasileira. Dos “vinte centavos” originais, dezenas de slogans demonstravam a revolta de um povo aparentemente avesso a protestos e acomodado em suas casas, independentemente das injustiças que presenciavam e que, direta ou indiretamente, afetavam suas vidas.

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Dos transportes coletivos à saúde, à educação, às minorias étnicas oprimidas, à devastação da Amazônia, à política e à corrupção tudo era permitido e, pela primeira vez, se constatava um fenômeno inusitado nas manifestações populares: uma mesma passeata poderia conter os mais diversificados temas, sem com isso perder sua representatividade e significado. Pela primeira vez, também, nenhum partido político teve condições de manipular as massas em seu favor, pois todos os políticos eram “persona non grata” nas manifestações, e foram rechaçados espontaneamente pelo povo, pois não havia líderes carismáticos conduzindo-os; cada um caminhava por si mesmo, por suas ideias, por suas causas e revoltas.

Conclusão

Esse fenômeno, que surgiu da própria evolução tecnológica e foi inspirado na maneira como os jovens se comunicam e se relacionam, assumiu vida própria, instruindo, de certo modo, seus criadores a adaptar seus recursos e funcionalidades a esse mundo novo e admirável, que não tem regras claras, não tem líderes nem legendas, e se manifestam com a mesma naturalidade que demonstram em sua vida real.

Qual o seu limite? Até que ponto esse processo evoluirá e quais novas mudanças ainda estão por vir e serem descobertas, fruto da experiência e do relacionamento interpessoal, cada vez mais complexo e espontâneo, cada vez mais imprevisível, apaixonante e assustador, na medida em que uma espécie de sociedade anárquica passa a existir e a impor seus domínios ao poder constitucionalmente estabelecido e cada vez mais anacrônico?

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Vale destacar que a tecnologia ainda não se mostrou completa (nunca será) e novas possibilidades se apresentam com a evolução dos eletrônicos, cada vez mais interligados, cada vez mais simples em sua utilização e complexos em sua concepção e construção. Da tecnologia embarcada da indústria automobilística para a tecnologia implementada em todos os objetos de nossa vida cotidiana, fazendo-nos parecer personagens de ficção científica, mas, ao mesmo tempo, constatando que os paradigmas que nortearam a constituição de nossas estruturas sociais já não funcionam mais e precisam ser reformados. Haverá, ainda, paradigmas nessa nova sociedade?

Talvez não apenas “reformadas”, mas verdadeiramente aniquiladas para dar origem a uma nova forma de organização social, econômica e política. O modo de produção capitalista atingiu seu apogeu, caminha para o ocaso, e precisa ser substituído. A globalização funcionou perfeitamente, mas foi protagonista e vítima de sua própria entropia, calando a dialética das sociedades desiguais, ainda que desumanas. As diferenças ideológicas se acabaram por falta de criatividade e deram lugar ao vazio intelectual que presenciamos.

Essa juventude, que tínhamos como amorfa e incapaz de protagonizar a mudança, é hoje a única capaz de conduzir, compreender e gerir tais mudanças, buscando na diversidade étnica, sexual e espiritual as fontes de inspiração para superar o risco de extinção da espécie humana, devido ao esgotamento dos nossos recursos naturais, às convulsões sociais e ao consumismo desenfreado e insano. Nessa juventude, desinformada ou incapaz de processar as informações em excesso, depositamos nossas esperanças, acreditando em seu poder criativo e seu comportamento leve e irreverente, que não sabemos, nós da geração que se aposenta, compartilhar ou compreender.As redes sociais talvez não tenham tamanha importância na conjuntura do Universo, mas hoje é o instrumento essencial das transformações que presenciamos, estarrecidos e encabulados, em nosso mundo contemporâneo. Como evoluirá esse instrumento de comunicação? Talvez os novos recursos de comunicação, as novas mídias, nos tragam os esclarecimentos de que necessitamos para compreender essa nova situação e nos indiquem, ainda que involuntariamente, os próximos passos que nem mesmo esses jovens saberiam quais são.

por João Carlos Figueiredo Postado em Ensaio

Recuso-me a falar de AMOR…

_JCF5319Enquanto houver miséria, injustiça, prepotência, arrogância, enquanto houver hipocrisia, vaidade, egoísmo, crueldade, recuso-me a falar de AMOR. Não porque soe piegas, mas porque é absolutamente inaceitável conviver com a falsidade… em nosso redor o que vemos é abuso de autoridade, corrupção, destruição da Natureza, genocídio de indígenas, exploração de trabalho humano e enriquecimento ilícito de políticos, empresários, multinacionais e falsos profetas de religiões messiânicas e fundamentalistas!

Houve um tempo em que eu pregava a revolução, o socialismo e o igualitarismo. Cheguei mesmo a me envolver com os movimentos políticos das décadas de 1960 e 1970, acreditando que o comunismo seria nossa redenção. Acreditava tanto nessa via socialista que me engajei de corpo e alma na luta contra a ditadura militar e contra os crimes praticados nos porões do DOI-CODI e do DOPS paulista. Coloquei minha vida nessa batalha perdida, que durou cerca de 21 anos e acabou com nossas lideranças.

No entanto, veio, finalmente, algo parecido com a Democracia, foi feita uma Constituição solidária com povos indígenas e quilombolas, criou-se mecanismos para que partidos socialistas se instalassem e ganhassem o poder. Ficamos todos eufóricos e elegemos LULA, o “sapo barbudo” e oPTei pelo Partido dos Trabalhadores, certo de que tudo mudaria nesse país. Ledo engano! Lula passou oito anos no poder e deu seu apoio incondicional ao agronegócio, às empreiteiras e mineradoras estrangeiras!

Vi o PT se desmanchar no MENSALÃO, vergonha nacional que o poder judiciário demorou quase DEZ ANOS para levar a julgamento, com um resultado insatisfatório, coberto de regalias e manifestações de “apoio e solidariedade” aos meliantes que roubaram nosso pais e cuspiram em nossa dignidade! Vimos os Zés (Dirceu e Genoíno) fazendo o gesto comunista, punho cerrado e braço esquerdo no ar, caminhando para a CADEIA como se fossem prisioneiros de guerra ou vítimas da ditadura militar!

Vi LULA, o sapo barbudo perder a barba e a vergonha na cara e eleger DILMA, a “gerente do PAC”, desconhecida e burra, subindo a rampa do Palácio da Alvorada, que deveria ser rebatizado como Palácio da Corrupção e do Entreguismo! Sim, DILMA entregou o país aos RURALISTAS AGROTÓXICOS, plantadores de SOJA e criadores de GADO! Nosso país virou a DESPENSA DO MUNDO, entregando nossas riquezas (OURO, FERRO, FLORESTAS, PETRÓLEO) a preço de BANANA e comprando BUGIGANGAS da CHINA a preço de DIAMANTE. Estamos entregando as FLORESTAS, os RIOS e as MONTANHAS para dar a melhor condição de vida aos nossos CLIENTES em troca da MISÉRIA de nossas populações marginalizadas pela pobreza!

Vejo, a cada dia, nossa população bestificada e alienada aceitar essas trocas imbecis, sem reclamar, sem perceber que estamos sendo espoliados, preparando o futuro de nossos filhos com a desgraça que virá quando nosso MEIO AMBIENTE estiver completamente degradado e imprestável até mesmo para CRIAR GADO, PLANTAR SOJA E CANA DE AÇÚCAR e EXTRAIR MINÉRIOS! E esse futuro não está assim tão distante como pensam esses cretinos que votam no PT: nossos netos já não terão lugar para viver com dignidade; nossos indígenas, a maior riqueza étnica do mundo, já terão sido extintos, dizimados pela miséria, corrompidos pela sociedade consumista e pelos empreendedores que constroem estradas e hidrelétricas na AMAZÔNIA!…

Então, por que falar de AMOR diante dessa tragédia anunciada? Por que insistir que “a vida é bela” se sabemos que vivemos uma tremenda ilusão de desperdício e consumismo desenfreado, alimentando a fome insaciável dessa civilização do consumo sem limites? Para que insistir acreditando que tudo vai mudar, que os movimentos sociais estão assumindo o poder, se sabemos que tudo é MENTIRA implantada pela mídia em nossos cérebros vazios de ideias e de altruísmo? Para que perseverar nessa luta entre DAVI e GOLIAS, que não terminará como nos textos bíblicos, mas sim em um esvaimento da seiva da vida que ainda corre nas veias de alguns poucos GUERRILHEIROS DO BEM? Cansei de lutar e de acreditar no SER HUMANO, essa estúpida criatura que não percebe que os verdadeiros tesouros estão na simplicidade da vida, na beleza da NATUREZA, no amor verdadeiro…

Recuso-me a falar de amor simplesmente porque já não acredito mais na salvação da HUMANIDADE e penso que os seres humanos precisam, urgentemente, ser banidos da face da Terra para que uma nova civilização ressurja e tente se livrar dos vícios de nosso passado, escrito com o sangue dos inocentes e construído sobre fortunas acumuladas dos saques dos pobres e oprimidos!

por João Carlos Figueiredo Postado em Ensaio

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Apenas queria dizer que não me importo

Que não preciso de recompensas

Que posso viver sem retribuições pelo meu caráter impecável

Que sou capaz de ser bom, honesto, digno sem esperar reconhecimentos

Quero pensar que não preciso ser feliz

Que a retidão de meu comportamento não tem preço

Que sou capaz de perseverar no caminho do bem sem nada esperar em troca

Mas nem tudo isso é verdade…

Não sou Budha, nem Krishna, nem Allah ou mesmo Gandhi

Sou apenas um homem idealista, mas tremendamente infeliz

E talvez não haja nenhuma razão para isso, a não ser a consciência que tenho desta vida

Ela não me deixa me iludir… sei que a existência é apenas isso

Nada existe no amanhã… nada haverá no dia depois de minha morte

E não tenho a muleta de um santo, de um deus, de uma crença, de uma promessa de vida eterna

Sei que, quando meus olhos se fecharem para sempre, minha mente se esvaziará completamente

E só restarão as palavras que deixei, esparsas, nas minhas manifestações desesperadas por sobreviver

E ninguém terá notado que vivi… serei apenas uma tênue lembrança que se apagará tão depressa quanto o tempo necessário para que as areias se assentem novamente nas dunas eternas das paisagens áridas do deserto depois de uma tempestade

É só isso… sou nada, sou ninguém, serei apenas o passado que se foi nas brumas da memória que se apagou para sempre

Então, por que perseverar? Por que insistir em dizer o que não foi dito ainda com tanta veemência e convicção? Por que deixar um rastro tão sutil que a menor aragem o apagará das areias finas das praias desertas?

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por João Carlos Figueiredo Postado em Ensaio

Os Ciclos da Vida

 

Percebemos nossa existência pelas passagens da Terra em sua rota infinita na elipse ao redor do Sol. É estranho dizer, mas sempre foi assim, desde a remota antiguidade. Todas as civilizações que por aqui passaram e tiveram seu apogeu e sua glória, marcaram sua presença pelos Ciclos da Vida. Para nós, seres humanos, reles mortais, não é diferente, e a cada novo ciclo que se inicia, renovamos nossos compromissos com ideais, sonhos, desejos…

Hoje completo 62 anos de existência… e faço uma breve retrospectiva do que fiz ou deixei de fazer… não há como nos arrepender do passado, nem mesmo lamentar; fizemos o que foi possível, o que nos pareceu justo e correto, a melhor opção diante de cada instante de nossas vidas, de acordo com nossa sempre limitada consciência. E fizemos bem, se não nos desviamos de nossos principios!

Tive uma infância privilegiada, em uma pequenina cidade do interior. Brinquei como todas crianças brincavam; fiz amizades que ficaram no passado… e cresci; tive uma adolescência atribulada, como foi a vida naquele momento difícil de nossa história; mas o sofrimento de ter a liberdade cerceada me permitiu ver o mundo com os olhos políticos que todos temos; tive o privilégio de conhecer pessoas brilhantes e batalhadoras, que não limitavam sua ação pelo medo da tortura.

Tive muitas oportunidades de estudar; fiz engenharia, letras, administração, história e logística; mas não terminei nenhuma faculdade; poderia dizer que o destino não quis, mas não foi assim: abandonei cada curso por decisão própria, algumas por desencanto, outras por necessidades do momento, mas sempre fui eu quem decidiu, e não me arrependo.

Segui minha carreira ao escolher, em uma encruzilhada, um dos caminhos que se mostravam à minha frente; trabalhei muito, durante anos, e me aposentei em 2007; pratiquei inúmeras atividades na Natureza e aprendi a amá-la acima de tudo, até mesmo dos homens, que lhe faltam sempre ao respeito; hoje sou um ambientalista, um ativista em defesa do Meio Ambiente.

Também optei por defender as minorias e me tornei indigenista; trabalhei na Amazônia e percebi que a realidade não é tão simples quanto nos parece, e que as lideranças desses povos humildes não são assim tão humildes, e defendem interesses próprios em detrimento de seu próprio povo, algo assim como nossos políticos, corruptos e desonestos…

Mas assim é a vida… meu pai me dizia que trilhar o caminho do bem não é fácil, pois não há reconhecimento; e mesmo quando optamos por preservar nossos princípios, somos desprezados pela sociedade, que prefere fechar seus próprios olhos e admitir que não tem remédio! Mas temos um compromisso com nossos descendentes, e esse compromisso é inadiável, inarredável, e deverá ser defendido intransigentemente, a despeito de nossos próprios interesses pessoais. Só assim consigo perceber minha missão aqui na Terra.

Hoje se incia um novo ciclo para mim, e novos desafios se apresentam. Começarei uma nova faculdade, de Fotografia, e estou me planejando para um projeto audacioso, ao menos para mim: escalar o pico do Aconcágua até 2015, pela Face Sul, a mais fácil e menos perigosa; mas para mim será um extremo desafio e um motivo a mais para perseverar em meu caminho. Sei que contarei com o apoio de minha família e de meus amigos…

Um grande abraço a todos que se lembraram de mim nesse dia!

Reflexões Insólitas

 

Dizem que o Universo tem 15 bilhões de anos, o Sistema Solar 4 bilhões de anos e a Terra só surgiu há um bilhão de anos. Na verdade, esses números são apenas referências abstratas de quão longa é a existência do Universo, já que ninguém poderá contestá-los. O homem se diferenciou dos primatas há cerca de um milhão de anos e o Homo Sapiens surgiu há cerca de 300 mil anos. O homem “moderno”, tal qual o conhecemos hoje, só apareceu há 50.000 anos e a história da civilização remonta a 10.000 anos atrás.

Ou seja, nós só começamos a transformar o mundo em que vivemos a partir das antigas civilizações, dos Sumérios, dos Babilônios, dos Fenícios, dos Persas, dos Chineses, dos Egípcios, dos Gregos e dos Romanos… de 5.000 anos antes de Cristo para cá. Desde então, a evolução do conhecimento humano ocorre em velocidade exponencial.

No entanto, nem todo o conhecimento humano é suficiente para atender às nossas expectativas e responder às questões elementares de todo ser humano: de onde vim, o que sou, para onde vou. As religiões surgiram e continuam a existir para preencher as lacunas do nosso conhecimento.

No início dos tempos, as aldeias onde se assentavam os seres humanos estavam cercadas por demônios e divindades, que simbolizavam o terror sentido por aqueles indivíduos diante dos fenômenos incompreensíveis que dominavam suas existências. Para eles não existiam opções, e a vida era um tormento marcado pela necessidade de sobreviver, de procriar e de dominar seus semelhantes.

As religiões surgiram para explicar o inexplicável, criando uma entidade abstrata que justificaria tudo o que fosse incompreensível: Deus, a fonte da Sabedoria, o Criador de todas as coisas, o Ser Supremo que tudo pode. O Deus único substituiu as antigas divindades e consolidou o domínio de todas em um só Ser Todo Poderoso e Eterno.

Ao longo dos tempos desenvolveram-se três tipos de religião. Para a primeira, a vida é uma só, única e irreversível; e conforme nosso desempenho e conduta nessa vida, teríamos como destino o Céu, o Inferno ou o Purgatório. As contradições desse tipo de religião são evidentes, a começar pela injustiça latente na origem de cada ser humano e suas possibilidades de sucesso ou fracasso nesta vida, e na duração da própria vida, que poderia abortar uma possibilidade de sucesso antes mesmo que o indivíduo provasse seus méritos para a vida eterna.

A segunda hipótese é a das reencarnações, uma sucessão de vidas ao longo das quais o ser humano se aperfeiçoaria até que não precisasse mais retornar à vida terrena e estaria libertado desse ciclo do renascer. O paradoxo não explicado é o crescimento contínuo da população terrestre e a motivação desse processo evolutivo, uma vez que Deus seria um ser perfeito e suficiente em si mesmo. Então, para que o ser humano?

A terceira hipótese é uma variação da anterior; só que, atingindo a perfeição neste mundo, o espírito passaria para mundos sucessivamente mais sutis, onde continuaria seu processo evolutivo. Quantos níveis evolutivos existiriam? Quem teria voltado da Eternidade para explicar a existência desses outros mundos sutis? Por que os mundos sutis reproduziriam as mesmas condições terrenas de nosso mundo grotesco?

Existe uma quarta via: o Universo é constituído de fragmentos desse ser superior, dessa sabedoria infinita, explosão primal de um Deus que a tudo permeia e que, no interminável rolar dos dias, se recomporá na imponderável concepção do Deus de todos os seres, de todos os planetas, de todas as constelações, de todas as galáxias…

Enquanto a Ciência trabalha para destruir esses simplórios dogmas religiosos, as crenças humanas permanecem intactas, uma vez que o homem não sabe praticamente nada a respeito desse complexo Universo. A religião é necessária para que os homens possam viver em sociedade. Sim, pois se não houvesse um parâmetro de controle, por que as pessoas viveriam em relativa paz? Por que lutariam pela ética, pela justiça, pela dignidade, pela solidariedade?

Nenhum código de vida seria aceito e respeitado se soubéssemos que, com nossa morte, tudo se acabaria, que não existem recompensas pelo bom comportamento, assim como não existem punições para o “pecado”. E o mundo se tornaria um caos, e a barbárie nos levaria de volta aos tempos primitivos, onde a única lei era a do mais forte e desleal.

A Terra terá seu fim, seja porque o Sol se acabará um dia, seja porque o próprio Homem conseguirá antecipar a destruição do planeta pelos seus atos predatórios contra o meio ambiente, e toda fonte de água, de alimentos e de energia se extinguirá em pouco tempo.

Então, todo o conhecimento acumulado pelos homens será perdido para sempre. Talvez existam sobreviventes; talvez o homem encontre outros mundos, outros planetas para ocupar e destruir depois da Terra; mas são meras conjecturas… afinal, o Homo Sapiens é apenas uma aberração genética, uma mutação acidental da vida em suas infinitas manifestações.

Seja como for, assim como ocorreu com todas as civilizações que nos precederam, nossa sociedade contemporânea também chegará a seu ocaso e declínio, desaparecendo em função dos abusos cometidos e da extinção de suas fontes de suprimento. A única diferença é que agora vivemos em escala global, todas as sociedades interligadas em uma única rede de produção e de consumo, sujeitas às mesmas regras que nos destruirão a todos. Curiosamente, se isso acontecer, as sociedades que têm maior probabilidade de sobreviver são as mais remotas, as mais pobres, as mais esquecidas, as mais injustiçadas e humilhadas…

E se esse Universo que concebemos for apenas o interior de uma pequena célula de um Universo muito maior que o contém? E se esse pensamento recursivo se propagar ao infinito, evidenciando nossa total irrelevância no concerto universal das coisas, que jamais caberia em nossa limitada compreensão? E se muito além de nossa imaginação não passarmos de pensamentos nas mentes de outros seres muito mais poderosos e eternos?

Meras reflexões de um passeio pelo bosque…

O Sagrado, o Profano e o fim da espécie humana

Desde suas origens, no momento em que o homem se diferenciou dos primatas pela inteligência, o desconhecido fascinou sua mente e estimulou seus pensamentos acerca do paradoxo de nossa existência. Essa perplexidade diante da vida se manifestou pela contradição entre o profano e o sagrado, entre as forças demoníacas do Mal e as divinas forças do Bem. Essa foi a origem das religiões sagradas e dos ritos satânicos.

Na verdade, a religião, seja ela sagrada ou satânica, existe e foi criada para preencher as lacunas da ignorância humana em seu processo de desenvolvimento da cultura e do saber. Por essa razão, as religiões primitivas eram simplórias e cultuavam as forças poderosas da Natureza, adorando os raios, os trovões, os terremostos, as erupções vulcânicas, as tempestades… tragédias e bonanças, fome e fartura representavam o humor dos deuses, satisfeitos ou não com a conduta humana.

Para aplacar a “cólera dos deuses”, eram feitas oferendas e sacrifícios, às vezes de animais, outras de seres humanos! Quantas jovens virgens não foram assassinadas com o propósito de acalmar tais deuses?

Mas as religiões evoluíram, tornaram-se mais complexas, mais “civilizadas”, criaram-se dogmas, doutrinas e livros sagrados, supostamente inspirados pelos deuses a seres “iluminados”, estabeleceram-se regras de moral e de conduta, restringindo a liberdade do homem em troca de promessas de salvação, de uma vida eterna e plena de alegrias depois da morte, ou de um destino cruel, para os “pecadores”, condenados a arder para sempre nos fogos do inferno!

E sempre que a Ciência dos homens esclarecia um mistério dos deuses, ou destruía um dogma das religiões, estas se adaptavam, criavam novas interpretações dos textos sagrados, pois o desconhecido será sempre muito maior do que o saber humano. Era, portanto, fácil “maquiar” o lapso de ignorância desvendado!

Mas não apenas as religiões se aproveitavam da ignorância humana, pois a fantástica indústria de homens super dotados, possuidores de um poder quase divino e motivados para o Bem, e de super-inimigos, criminosos que a eles se contrapõem em uma luta sem fim, também se alimenta do desejo humano pelo poder ilimitado dos deuses. Mas os deuses não existem, assim como os super-heróis. E não conseguimos conviver com a terrível verdade de que nossa existência é tão efêmera quanto uma simples bolha de sabão.

Nada levaremos desta vida, e não subsistiremos ao tempo, além da morte. Tudo ficará para trás: nossas idéias, nossas crenças, nossos amigos, parentes, pais, irmãos, companheiros… nem o amor sobreviverá e tudo se extinguirá no instante da morte…

É muito difícil aceitar essa verdade, pois ela elimina também o conceito do Bem e do Mal, “assim como falou Zaratustra”, personagem essencial do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Por que cultivar as virtudes? por que não sucumbir ao vício e ao prazer igualmente efêmero? para que trabalhar honestamente, se não existe a dicotomia do Bem se contrapondo ao Mal? Por que não nos entregamos à luxúria, ao oportunismo, às mentiras e à falsidade em proveito próprio? Apenas para preservar o mito da existência humana?

Os mitos religiosos e sagrados tentam manter a humanidade dentro dos parâmetros e regras da sociedade, pois a perda da convicção e da fé religiosa nos levaria, inexoravelmente, ao Caos! A religião, seja ela qual for, satânica ou sagrada, é conveniente para manter a ordem e a sustentabilidade no convívio humano. Senão, o que ensinar aos nossos filhos? Como convencê-los a se manterem dentro dos limites de normalidade usualmente aceitos?

Ser ateu é romper com as regras sociais; é perverter a ordem e o “stabilishment”; é provocar o Caos

Daí se constata a fragilidade das estruturas sociais, que só se mantêm de pé graças à cegueira espontânea de seus componentes. Diz o ditado: “O pior cego é o que não quer ver!” Ou seja, todos os crentes deste mundo!

A vida seria impossível sem as religiões e, portanto, as sociedades só evoluíram ao longo da história porque os homens se negaram a olhar para dentro de si mesmos e constatar: “A Humanidade é inviável!” Sim, apenas a Natureza, inculta e ingênua, inconsciente de si mesma, é passível de existir, e o futuro da humanidade está destinado à extinção.

O DILEMA DA EMANCIPAÇÃO ÉTNICA

Este é o tempo em que minorias assumem o protagonismo de suas vidas e, no entanto, mesmo entre essas populações marginalizadas há um tratamento desigual e injusto. Senão, vejamos: enquanto os descendentes das tribos africanas são, no máximo, considerados “quilombolas” e confinados em territórios onde, na maioria das vezes, mal é possível a sobrevivência, os descendentes dos povos tradicionais da América do Sul são tratados como nações independentes, com imensos territórios preservados, legislação específica e generosa e grandes volumes de recursos para estimular sua transição para a sociedade capitalista. Já os afro-descendentes levam anos para conseguir receber seu título de quilombola, e isso é apenas o começo: às vezes são necessários outros tantos anos para que sejam reconhecidos como seres humanos pelos seus algozes, geralmente latifundiários que cercam suas pobres terras confinadas às margens de um rio ou no sertão mais perverso, pela escassez de chuvas. Se os indígenas têm dezenas de ONG´s repletas de recursos estrangeiros para investir em suas tradições seculares, já os quilombolas, deixados à margem de nossa história, sequer sabem o que é uma ONG!

Mas falo aqui dos dilemas da emancipação étnica, e esse dilema não existe em nenhum dos dois casos citados. Quilombolas serão segregados enquanto a cor de sua pele não se dissolver na miscigenação racial, ainda que nas novelas globais os personagens digam o contrário. Já os indígenas, dificilmente aceitariam essa emancipação, pois perderiam as imensas vantagens conquistadas nos processos de demarcação de suas terras. Alegam que precisam dessas terras para pescar e caçar, para mover sua roça pelas campinas ou baixios, ou mesmo pelos terrenos desmatados; ocorre que a cada dia esses indígenas abandonam suas tradições em troca das modernidades, sejam elas boas ou não.

Falo da bacia do Rio Negro, na região conhecida como “Cabeça de Cachorro”. Aqui, as zarabatanas foram substituídas pelas espingardas; a pesca com timbó ou flecha deu lugar às tarrafas, redes, anzóis ou mesmo aos tanques de piscicultura. Nas comunidades, cada vez mais urbanas, as “vantagens” do capitalismo “solidário”: luz elétrica, internet, celular, antenas parabólicas, televisão, novelas que destroem os valores tradicionais desses povos… cachaça, drogas, prostituição, contrabando, crimes hediondos…

Para algumas etnias, a língua escrita ou falada já desapareceu, e eles assimilam uma farsa trazida pelos religiosos salesianos: o nheengatu, uma língua híbrida e simplificada, traduzida dos Tupinambás e imposta aos alunos dos internatos onde sabe-se lá o que se ensinava, além das letras e números… e os filhos da floresta já não acompanham seus pais e se apegam a outras fantasias do consumismo: as roupas e penteados exóticos, a música tecnobrega importada do Pará, as boates onde rolam sexo e drogas…

Nesse “paraíso” no meio da selva amazônica os esgotos correm pelas sarjetas até encontrar um igarapé, deixando seu cheiro fétido pelo caminho; o lixo se acumula a céu aberto a menos de 10 km do centro da cidade; no final da noite, as sarjetas abrigam os embriagados pelo “caxiri” moderno, temperado a cachaça e emborcado sem parcimônia.
Diante desse cenário sem retoques, o que pensar dos líderes que defendem seus interesses acima das sociedades que representam? Aqueles que querem as benesses do capitalismo sem abrir mão das vantagens quase monárquicas de preservar metade da Amazônia para seu deleite, exploração de minérios, extração de madeira, tráfico de drogas, só para citar alguns poucos vícios adquiridos e defendidos à exaustão…

Dilema? Que dilema existiria no (des) conforto dessa (in) decisão?

Inspiração e arte

Perdi a minha Arte… já disse, um dia, em um poema, que “Arte é Inspiração”. Pelo menos, assim penso que seja quando se trata de poesia. A poesia não depende do talento; ela brota de dentro do ser e irrompe avassaladoramente, obrigando o poeta a manifestá-la perante o mundo, ainda que contra a sua vontade! Foi assim comigo; durante dois anos esse fluxo de mensagens fluía naturalmente, sem que eu precisasse sequer retocar o que escrevia com tanta facilidade.

Se minha arte era rica, não importa. Sei que tinha seu valor e expressava meus pensamentos de forma clara, concisa e lírica como eu nunca mais o faria, pois essa erupção poética se extinguiu assim como chegou. Não lamento, pois creio ter dito tudo o que desejava nesses poucos meses em que fui visitado pela Poesia.

Meus textos são duros, difíceis de encontrar adeptos porque eu falo aquilo que todos se recusam a admitir: que o mundo dos homens não é belo, que a brutalidade das relações se esconde sob as máscaras de cada um, enquanto nossos pensamentos refletem nossa verdadeira personalidade, que ocultamos até de nós mesmos.

Escrevi por mais dois anos sobre o rio… não um rio qualquer, mas o Meu Velho Chico, companheiro de viagem, confidente e amigo, que me acolheu por tanto e longo tempo, compreendendo minhas razões e expondo seu sofrimento devido à ação cruel dos homens. O Velho Chico está lá, percorrendo incessantemente os mesmos caminhos, definhando amarguradamente enquanto dilaceram sua artérias, inexoravelmente…

Eu, por meu turno, segui outros caminhos, não para enriquecer-me de belezas, mas para sentir a dor ainda maior de conviver com inimigos, percebê-los tramando contra mim, que continuo passivo, apenas aguardando o fim que se aproxima. Não da vida, que dela nada sei; nem da morte, que essa seria definitiva e expiaria todo sofrimento… mas da existência por si mesma, aquela dádiva não desejada, concedida ao nascer e confiscada em cada instante do viver. Para ela não há salvação possível, apenas esperar.

No entanto, esses caminhos cruéis que tomei para mim não têm compensações, como aquele por-do-sol que está no ocaso de cada novo dia. Apenas mágoas e revoltas inúteis, pois sou eu quem está na trilha errada; todos os demais encontram-se em seu ambiente natural, e nem percebem que ele é escuro, perverso, sem vida, sem cores, sem sonhos…

Cá estou, no âmago do monstro que me devora vivo, arrastando-me pelas estradas que levam ao meu destino final: a expiação de meu pecado original de pensar em um mundo melhor, justo, digno, ético, igualitário e feliz. Não devemos sonhar: é proibido, perigoso e inútil!

A Hipocrisia da Preservação Ambiental


As preocupações com o Meio Ambiente só se evidenciam quando uma tragédia de grandes proporções ocorre na Natureza. Prova disso é que o Ministro do Meio Ambiente só se manifesta anualmente, para dizer que o desmatamento "diminuiu"! Ou seja, só estão destruindo um campo de futebol por dia de nossas florestas!

O Greenpeace só sabe fazer listinhas de abaixo-assinados contra as devastações da Amazônia e contra os transgênicos, como se isso fosse fundamental! Ou então pendurando faixas na Golden Gate ou no Elevador Lacerda! E a Rede Globo criou um site para que os ingênuos constatem que existem alguns milhares de focos de incêndio na Amazônia, como se isso fosse reverter o processo de desmatamento!

Enquanto isso, Blairo Maggi, nas altitudes de seu poder governamental, e com o apoio de seus omparsas (leia-se UDR e Ronaldo Caiado!), continua devastando as florestas e os cerrados, transformando tudo em uma imensa plantação de soja transgênica!

Programas como Globo Ecologia, Terra da Gente e correlatos mostram as belezas que se acabam e que nossos filhos e netos somente irão conhecer pelos documentários da National Geographic…

A água doce aos poucos se torna salobra ou contaminada, reservando aos nossos descendentes um mundo de fome e sem cores… nossos aquíferos não serão suficientes para mitigar a sede dos que virão; o ar será tão contaminado que precisaremos usar máscaras para respirar; a população continuará a crescer, gerando novas rebeliões e legando o ódio e o desespero aos que herdarão o mundo deixado por nós…

Enquanto isso, continuamos nossa vida de consumismo desenfreado, indiferentes aos alertas que não apenas a Natureza nos encaminha, mas também esse Capitalismo podre que fala pelo idioma das Bolsas de Valores e dos Analistas Econômicos que se divertem digladiando seu conhecimento inútil e supérfluo… tanto faz se a culpa é dos bancos ou dos especuladores; o resultado é o mesmo: alguém irá lucrar muito com isso, enquanto toda a Humanidade sofre pelo desespero da fome! Com toda a certeza, já se esqueceram de Bangladesh e de Ruanda…

A tragédia maior ainda está por vir: depois de devastada, a Floresta Amazônica se transformará em um imenso deserto! Nossos rios serão esgotos ao ar livre! Nossas cidades litorâneas serão submersas pelo aquecimento global e pelo derretimento dos Glaciares e do gelo Ártico e Antártico… não há retorno para essa destruição! O resultado será, inevitavelmente, a Morte, as lutas fratricidas, o ódio e a devastação!

E o mundo se acabará? Certamente NÃO! Ainda viveremos para "admirar nossa obra-prima": um mundo parecido com a ficção… desertos, fome, desgraça…

E os privilegiados da Elite, como ficarão? A História responde a essa indagação: basta ver o desaparecimento das grandes civilizações do passado; os Maias, os Aztecas, os Incas, os Egipcios, os Romanos, os Persas… os primeiros a serem executados serão os poderosos! Afinal, eles decidiram, pela sua "liderança" ou pelo poder imposto, o destino de cada um de nossos descendentes…

Continuemos a fingir que essa desgraça não nos atingirá! Vamos manter nossos hábitos de desperdício e de abuso, imaginando, como o fizeram os antigos, que alguma força superior reverterá a situação e nos trará de volta o Welfare State dos economistas do iníco do século XX!

Afinal, serão os nossos filhos e netos que herdarão a Terra, não nós…

queimadas

por João Carlos Figueiredo Postado em Ensaio

Dogma e Ignorância

Na época da ditadura militar, o Arcebispo de Olinda e Recife era Dom Hélder Câmara, que eu tive o privilégio e a honra de conhecer. Dom Hélder foi um homem corajoso, que defendeu os mais fracos e oprimidos, perseguidos pela violência militar, como deveria se esperar de quem professa a doutrina cristã… Ele nunca se omitiu, nem mesmo quando ameaçado pelos fuzis do autoritarismo, que tantas vítimas deixaram em nossas lembranças.

Mas, infelizmente, não é de tão admirável figura que eu tenho de falar, e sim de seu sucessor, cujo nome nem me preocupo em mencionar… e de um fato lamentável, que me leva a escrever: uma criança de 9 anos, violentada pelo padrasto, grávida de gêmeos, com sua frágil vida em alto risco! O que um pequenino corpo, ainda nem preparado para a gestação, suportaria se essa gravidez covardemente imposta fosse levada adiante?

Pois, com responsabilidade e coragem, os médicos interromperam essa gestação e, pasmem, o dito arcebispo excomungou médicos, famiiares e a própria vítima, e ainda afirmou que o aborto seria um “pecado” mais grave do que o estupro!!! Como assim??? Quem, qual filósofo poderia defender tese tão absurda?

É impossível conceber qualquer argumento que suporte essa teoria, cujo único fundamento se sustenta nos dogmas estabelecidos pela igreja católica. Nenhuma religião pode se intrometer dessa forma na vida dos seres humanos! Quem lhes concedeu tal poder? Que deus poderia justificar tamanha ignomínia? Estamos no século XXI, o emblemático ano 2.000 foi superado sem que o mundo se acabasse, mas a ignorância eclesiástica prevalece nas doutrinas medievais da igreja!

Até mesmo pela atrocidade do ato, o arcebispo deveria ter se calado: pois essa criança foi vítima da monstruosidade de seu padrasto, assim como sua irmã, durante pelo menos três anos! Ou seja, desde os seis anos de idade essa criança foi violentada por esse monstro! E ninguém a defendeu nem denunciou o facínora!

Deveríamos, sim, ter pena de morte ou punição mais cruel para crimes hediondos como o que ocorreu! Um monstro como este nunca poderia ser colocado em convívio com outros seres humanos, se é que se pode admitir que essa aberração seja um “ser humano”! Mas não, ele ainda será julgado, e poderá ser considerado inimputável e levado para uma prisão especial, e ainda voltar à liberdade em poucos anos… e quem resgatará a inocência dessa criança? O Arcebispo de Olinda e Recife?

Dom Hélder Câmara, os homens de bem, dignos, honestos, decentes, que acreditam na vida e na justiça, lhe pedem perdão!…

mepope pope padrespedofilia heil

Seriam esses, pecados menores do que o aborto e o estupro???

por João Carlos Figueiredo Postado em Ensaio

Razões do Existir

Quando nos deparamos com um mistério, um obstáculo intransponível à nossa lógica e entendimento, nossa insaciável necessidade pela compreensão nos compele a recorrer às divindades e ao sobrenatural, justificando o lapso de conhecimento que nos constrange e sufoca.

Mesmo diante da grandiosidade do Universo, da beleza incomensurável da Natureza e dos sentimentos altruístas que nos acometem eventualmente, buscamos no esotérico, no místico, no religioso, no eterno, a explicação das razões do existir.

No entanto, nossa pequenez não nos permite constatar a contradição que nos acomete e nos cega: ao mesmo tempo em que nos surpreendemos e nos extasiamos com a percepção sensorial do Belo, através de nossos olhos, ouvidos e pele, com nossas mãos, ferramentas e invenções o destruímos, contaminamos com nossos dejetos, corrompemos com nossos atos, condenamos com nossas omissões e covardias…

A existência de cada indivíduo, que mal ultrapassa um século, nos impõe os limites do tempo e do espaço… infinito é incompreensível! A existência do homo sapiens, que não chega a 10.000 séculos, nos credita a convicção de nossa superioridade diante da Vida… A existência do Universo, a partir do Big Bang, que supomos não ultrapassar os 40 milhões de séculos, nos leva à indagação: mas, e antes disso, o que existiria?

E a resposta confortável está na Bíblia: "no Princípio era o Verbo, e o Verbo era Deus!"… e por uma palavra de Deus, o Universo se formou, e o dia se separou da noite, e a terra se separou das águas, e os seres vivos se separaram da matéria…

E tudo se resolve em nossas mentes… e, ainda que o Ser Humano venha a desaparecer da face da Terra, seja por uma fatalidade dos transtornos climáticos, seja por sua ação maléfica e daninha sobre a Natureza e sobre si mesmo, ainda assim, em outros planetas, haverá Vida, que se perpetuará pela transformação e evolução natural, gerando ou não seres conscientes de si mesmos, sendo bela por si mesma, ainda que não percebida por ninguém, ainda que não tocada, não vista, não declamada em versos…

E, no entanto, na pequenez de nós mesmos, estaremos a acreditar que a Beleza existe apenas porque nossos sentidos a tornam assim… e que o Universo foi criado apenas para que nós, reles seres humanos, vermes cósmicos imperceptíveis, consumíssemos seus recursos, impunemente, ao nosso bel-prazer! E que, por isso, somos eternos!

Minha missão, consciente de minha insignificância no concerto do Universo, será a de tão-somente declarar minha gratidão por existir, de dedicar a vida que me resta a lutar pela preservação da Natureza, por ser capaz de perceber tanta beleza e poder compartilhar, em palavras e atos, meus sentimentos com vocês…

Janelão9315

por João Carlos Figueiredo Postado em Ensaio

Tantas palavras…

… e, no entanto, tão poucos e raros pensamentos que nos enriqueçam…

Em nenhum outro momento da existência humana se falou tanto, se escreveu tanto, se comunicou tanto… tantas palavras para tão pouco significado e expressão!

De que servem tamanhos recursos tecnológicos, tal disponibilidade de conversas, interações, amizades virtuais, se a humanidade tem tão pouco para dizer…

… algo que, realmente valha a pena, que nos sensibilize, que se inove e se crie…

Não! Apenas palavras vazias, repetidas aos milhares, lugares-comuns, chavões, versos roubados de poetas anônimos… não porque tenham, de fato, algum valor, mas porque ninguém se sente capaz de imaginar algo novo e relevante para o mundo…

Uma era de vazios… um imenso buraco negro na inteligência humana!

Tantas palavras… tão pouco significado…

[Veadeiros] Alto Paraíso - Buda 0892

por João Carlos Figueiredo Postado em Ensaio

As contradições de um povo

Quase me compadeci dos sofrimentos dos judeus na Terra Santa de Israel quando as guerras (também) santas dos seus vizinhos árabes apregoavam o extermínio desse povo! Afinal, o Holocausto foi uma das piores tragédias da História contemporânea e talvez uma das maiores chacinas de toda a Humanidade ao longo de sua existência de ódio e guerra…

No entanto, o Tempo nos faz refletir melhor e julgar com mais parcimônia as razões de cada parte nos conflitos intermináveis do Oriente Médio. Quando, em 1948, a ONU decidiu-se pela criação do Estado de Israel, optou também por desprezar a existência dos Palestinos, quase da mesma origem étnica dos judeus, e também espalhados mundo afora.

Sempre que uma decisão injusta é tomada, um conflito se eterniza entre os povos, acirrando as disputas, incentivando o ódio, alimentando a discórdia e o desentendimento. E agora, sessenta anos depois, aquela região continua imersa nos mesmos conflitos, matando-se por razões inaceitáveis por qualquer padrão humano que se adote, simplesmente porque as novas gerações não sabem viver em paz, não conhecem outra realidade senão esse conflito absurdo e sem nexo.

Agora, diante dos olhares perplexos do mundo, a violência de Israel se manifesta covardemente pela ocupação de Gaza, matando civis, mulheres e crianças indefesas, em nome de sua própria segurança. Mas não se resolve a questão dessa maneira; mesmo que todos os combatentes do Hammas fossem dizimados pela brutal superioridade militar de Israel, seus filhos continuarão a mesma luta, em um círculo vicioso de vinganças eternas e de posições irreconciliáveis!

Até quando?

De que serve o Conselho de Segurança da ONU se o principal aliado de Israel ninguém mais é do que o maior de todos os vilões contemporâneos, a nação que se diz arauto e defensor da Democracia e, no entanto, mantém seus soldados em terra estrangeira, matando inocentes, desenvolvendo e experimentando suas poderosas armas de destruição?

por João Carlos Figueiredo Postado em Ensaio

Capitalismo em Crise

Nem o mais brilhante economista poderia antever essa situação; nem o mais radical revolucionário marxista ou anarquista poderia desejar esses resultados! O Capitalismo mundial, globalizado, americanizado, está em crise, em estado terminal!

Pode parecer uma profecia de Nostradamus, mas não é! O Ocidente e o Oriente se encontraram nesta encruzilhada em que nos metemos graças à convicção de que os Estados Unidos da América do Norte seriam sempre o Norte, o Guia, o Destino de nossas realidades! Que o "Welfare State" seria factível, desde que nos convertêssemos ao jugo, ao domínio, ao poder único e infalível das terras do Tio Sam!

Não era verdade, agora sabemos… mas talvez seja tarde para buscar novos rumos. Sim, porque constatamos que nossas economias foram reduzidas a migalhas para salvar a Economia Americana! E o que temos nós a ver com as aventuras das instituições bancárias daquele país? Se eles criaram créditos para que a classe abastada se endividasse comprando mansões, nosso povo continua morando nas favelas, dependurados nos morros, à beira dos esgotos a céu aberto, convivendo com narcotraficantes e bandidos de toda espécie…

Se as eleições foram "um sucesso", sem violência ou falcatruas, isso só foi possível com o exército tomando conta das áreas de conflito, intimidando a população às avessas, para que elas não se rendessem às ameaças dos seus "protetores". E agora, quando tudo irá "voltar ao normal" nas favelas e câmaras de vereadores, só nos resta olhar o dinheiro desaparecendo de nossas poupanças para proteger a quem?

Aos Banqueiros, meus amigos!

Justamente aqueles que auferiram os maiores lucros de sua história nos últimos quinze anos! E sem nenhum risco, pois suas ofertas de financiamento desaparecem quando preciso, e são lastreadas pelos juros mais altos do mundo, um "spread" que lhes assegura toda a traqüilidade, uma vez que em menos de 12 meses já têm todo o seu dinheiro retornado, restando 12, 24, 36 parcelas de puro lucro!

É assim que o mundo existiu até hoje: na usura dos oportunistas, justamente aqueles que não contribuiram nunca, em nenhum centavo, para a produção de riquezas! Essas instituições que estão falindo na Europa e nos Estados Unidos não levarão consigo seus empresários banqueiros, que estes, na pior das hipóteses, irão usufruir de suas próprias riquezas, expropriadas do trabalho e do suor da massas operárias!

por João Carlos Figueiredo Postado em Ensaio

Infâmia!

Vivemos em um país de hipocrisia: enquanto uma grande maioria está sujeita às garras poderosas da justiça, uns poucos privilegiados são intocáveis e protegidos exatamente por aqueles que deveriam defender, a qualquer custo, nossas instituições democráticas! Senão, em que outro país poderia, o próprio presidente da Corte Suprema proteger um notório bandido, concedendo-lhe, por duas vezes sucessivas, o habeas corpus, com a evidente intenção de desmoralizar outra instituição, esta sim séria e competente, a Polícia Federal, que tantas demonstrações tem dado de seu empenho em tornar esse país mais digno, honesto e decente.

Aquele outro bandido, o Salvatore, deveria pedir isonomia de tratamento à Justiça internacional, exigindo a si os mesmos direitos de permanecer livre, já que nossos mandatários não conseguem discernir entre o Bem e o Mal… Afinal, por que prender bandidos, se a Justiça (?) os solta imediatamente? Que exemplo se dá à nossa juventude aqueles de quem se espera o exemplo e o modelo de conduta? Se a Lei maior permite a soltura, existe uma lei suprema, a da decência e do clamor popular, que reivindica e exige que se cumpra o dever de todo o brasileiro de defender nossos valores e dignidade!

Até quando irão nossas autoridades nos tratar com escárnio e desprezo, tomando-nos por idiotas, fingindo erudição e fazendo-se de puristas em defesa de conceitos reprováveis como esse? Já não basta tudo o que vem acontecendo nos outros poderes, no Senado, na Câmara e na própria Presidência da República? Já não bastam os escândalos acobertados em nome do "crescimento econômico"? Esse terço já foi rezado durante a ditadura militar, quando se dizia que primeiro deveríamos ver crescer o bolo para depois distribuí-lo à população miserável (olá, Delfim!). Isso nunca aconteceu!

Não podemos mais nos omitir diante de tantas ignomínias de nossas autoridades! Seria para isso que elegemos nossos mandatários? Isso é a democracia pela qual tantos deram suas vidas nos porões do DOPS e nas guerrilhas do Araguaia? O que fizemos para preservar nossa liberdade se justificaria agora diante de tantas barbaridades? Para que votar, se os eleitos riem de nós quando empossados, e nos fazem de otários diante das câmeras de TV?

Que tipo de compromisso tem esse ministro com o tal Dantas para utilizar uma argumentação tão estúpida e infantil para justificar tal habeas corpus? Não basta a descarada tentativa de suborno (um milhão de dólares!) de um delegado federal para manter esse corrupto atrás das grades? Bem, se o Maluf permanece impune, livre, eleito deputado e falastrão como sempre, sem que nada lhe aconteça, é de se esperar que nenhum ricaço vá ser preso nesse país!

Eu deixei de votar quando o PT me decepcionou em 2003. E não pretendo colaborar pela manutenção desse status quo; nunca mais! Não adianta! Somos uma minoria humilhada e dispersa em um país de analfabetos. É inútil lutar contra os poderosos; sempre foi assim, desde que Portugal abriu as portas de suas cadeias para despejá-los em nosso território. Assim também foi quando o Imperador Dom João VI retornou a Portugal, repassando-nos a dívida de guerra de Napoleão!

Cada um que faça sua parte, mas a minha está nas palavras que escrevo e no protesto silencioso de meu voto desperdiçado…

por João Carlos Figueiredo Postado em Ensaio

A bestialidade da sociedade digital

A gente nem percebe… primeiro, começamos a olhar os programas idiotas da televisão, com certo desconforto intelectual. Afinal, deixamos de ler um livro, paramos de conversar com os amigos, ficamos mais quietos e passivos… apáticos… já não mais discutimos os assuntos que antes nos empolgavam.

Depois nos acomodamos… e passamos a achar natural aquela dependência psicológica das telinhas e de seus programas mais cretinos! Afinal, todo mundo vê tevê, não é mesmo? E só mesmo os sites de relacionamento superam a televisão nas preferências dos jovens de qualquer idade!

Eu percebi que estava dependente quando já não mais conseguia fazer outras coisas: deixei de ler jornais, abandonei meus livros, parei de ouvir música, perdi grande parte do convívio familiar e passava horas assistindo as mais estúpidas criações do espírito humano!

Para consolar minha consciência, passei a assistir apenas documentários sobre a Natureza… menos mal, eu pensei… pelo menos não vejo o faustão, o hulk, a angélica, o gugu, as novelas, o silvio santos, o raul gil, o próprio fantástico e tantos outros programas bestificantes da televisão brasileira. Vocês já repararam que perdemos até a criatividade da cretinice? Sim, pois grande parte desses programas imbecis são tirados de modelos da televisão mais estúpida do mundo: a americana! Até o jô copia o David Letterman!

E os noticiários, que repetem à exaustão a mesma informação durante dias seguidos, de manhã, à tarde e à noite? E a publicidade imbecil das lojinhas que cresceram vendendo produtos de carregação às classes D e E, como a bahia, a colombo, a ricardo, a c&a, a renner, a eletrozema (existe isso??? existe!), a luiza, a marisa, as americanas e pernambucanas, a ultrafarma (mas remédio também pode?

Pode!!!!!!!!!!)…

Só que, mesmo me restringindo à Natureza, deixei de pensar! onde foi parar o meu senso crítico? minhas idéias? minha consciência intelectual? minha auto-estima e meu respeito por mim mesmo? tudo isso foi parar no meu lixo pessoal da acomodação e da passividade!

Meu universo ficou restrito a um quarto com tv e notebook! CHEGA!!!!!!!!!!!
por João Carlos Figueiredo Postado em Ensaio

Os Sete Pecados

Assim como os crentes, os leigos também cultuam seus pequenos pecados… muitos, porém, são Pecados Capitais! Nada direi da gula, da vaidade, da luxúria, da avareza, da preguiça, da ira e da inveja, pois esses são pecaditosque só fazem mal a quem os tem…Direi, sim, daqueles que levam o homem a praticar maldades, a destruir àqueles a quem amam, ou deveriam amar… a degradar a Natureza, a produzir infâmias inomináveis até para o mais amaldiçoado dos seres… a nos conduzir para o fim inevitável!

Falarei dos vícios, não os terríveis, que acabam com o Ser em tão pouco tempo que mal dá para fazer mal a outrem, senão a si próprios. Falarei do comportamento predatório, aquele que destrói tudo que é valioso para a humanidade. Falarei, também, da maldade intrínseca daqueles que juram nos proteger enquanto representantes e delegados para cuidar de nossos interesses públicos. Direi, ainda, que a intolerância é irmã gêmea da libertinagem, assim como todos os extremos se tocam no infinito.

E, assim, serão seis os pecados, pois o sétimo está no coração de todos os homens, e só espera a distração e o descuido para se manifestar… esse eu deixarei para o final, para que cada um o encontre por si mesmo e o extirpe, feito erva daninha!

Quais serão esses vícios tão perniciosos? De que, afinal, morre e mata o ser humano, mais do que a pior das doenças, a pior das epidemias, a pior das guerras, dia após dia, dentro e fora de nossos lares?

Seriam o tabagismo, o álcool, o AVC, o infarto, os acidentes de trânsito, a violência urbana, o câncer?… nossas vidas foram traídas pelo ritmo alucinado da sociedade contemporânea!Porém, quando mencionamos os acidentes vasculares cerebrais, o infarto e o câncer, estamos dissimulando suas verdadeiras causa mortis que são o descontrole causado pelos vícios: o cigarro mata destruindo os pulmões, enquanto que o álcool mata destruindo o fígado (e os neurônios!)… o stress mata ao destruir o equilíbrio emocional… o tabagismo e o álcool são a porta de entrada para o uso de drogas mais pesadas… e todos eles são causas potenciais de diversos tipos de câncer, de quase toda violência urbana e da maioria dos acidentes de trânsito! Quantos crimes se cometem por excesso de álcool ou falta de controle emocional?

Mais, porém, do que essas causas individuais, existem as causas coletivas da morte: a destruição da Natureza, a manutenção da miséria como recurso colonialista, a exploração das fraquezas humanas através do tráfico e consumo das drogas, o incitamento à violência racial e religiosa, conseqüência natural da intolerância e da libertinagem, as políticas públicas direcionadas para a conquista e o domínio de bilhões de seres humanos…

E as plantações de tabaco, de cana de açúcar e de todas as culturas extensivas que, no período colonial se denominavam plantation e foram a causa da escravidão no Brasil e demais terras do Novo Mundo? e a criação extensiva de gado, que além de desmatar florestas produz enorme quantidade de gás metano, uma das causas do aquecimento global… ???

Pois somos muito competentes em dissimulação! Fingimos desconhecer essa realidade que nos mata, tentamos ignorar o fim que nos espera, certos de que iremos embora antes que esses males nos destruam, e deixamos aos nossos descendentes a responsabilidade por reverter esse quadro de desolação que nos espera… haverá tempo para eles? A cada dia, o fim nos parece mais próximo!

Enquanto isso, os fenômenos naturais nos enviam alertas desesperados, tentando nos convencer do pouco tempo que nos resta: são furacões, tufões, ciclones, maremotos, terremotos, erupções vulcânicas e ondas gigantes (tsunami) que gritam em nossos ouvidos moucos!

Não sei se falei dos sete pecados… nem importa! Mas adicionei meus clamores aos apelos da Natureza… quem quiser, acredite! Não será Nostradamus quem dirá que nosso fim está próximo: seremos nós mesmos!

Adivinhou o sétimo pecado? Pois é apenas e tão-somente a…

sua omissão!!!!
por João Carlos Figueiredo Postado em Ensaio