Agronegócio e Sustentabilidade

Introdução

A ocupação, pelo agronegócio, das áreas ainda preservadas no país, aliada ao avanço da devastação causada pelas madeireiras, pelo garimpo ilegal, pelos grileiros de terras apoiados por pistoleiros, pelas grandes hidrelétricas e empreendimentos Imobiliários, pela construção não planejada de rodovias e travessões no meio da selva, pelos assentamentos do INCRA na Amazônia e a conivência de um Estado dirigido por um fanático extremista de direita, apoiado por oficiais das Forças Armadas que fazem parte do governo, nos leva a crer que em pouco mais de dez anos não restarão mais florestas nem indígenas no Brasil.

Quadro Político

O Brasil vive uma fase singular de sua história, no momento em que uma ampla eleição transforma o quadro político do país, ao alçar à  Presidência da República um dirigente inepto e fascista, causando transformações na composição do Congresso Nacional, Câmara Federal, Assembleias Legislativas estaduais e Câmara Distrital, porquanto calcado em regras inusitadas e oportunistas, favorecendo o status quo: os partidos políticos e suas lideranças, que enfrentam a Justiça Federal pelo seu envolvimento em operações ilícitas desvendadas pela Operação Lava Jato, enquanto a população manifesta seu descrédito, sem precedentes pelas instituições democráticas e pelo Estado de Direito. Seguindo tendências mundiais de eleger governos de extrema direita, o Brasil optou por um governo ligado a igrejas retrógradas, ao militarismo, ao fortalecimento do agronegócio (com todas as suas mazelas) e à desconstrução de todas as conquistas sociais dos últimos 30 anos. Os três primeiros meses dessa gestão macabra foram caracterizados por conflitos intestinos dos próprios ministérios, instigadas pelo novo ocupante do Planalto e de seus filhos rancorosos e irresponsáveis.

A renovação dos quadros políticos do Congresso Nacional, bem como dos demais cargos em disputa nas esferas nacional e estaduais, ocorreu de forma estranha nesta eleição, com muitos caciques da “velha política” excluídos do poder, sendo, porém, substituídos por novatos despreparados e alinhados com a extrema direita e seu ideário radical e saudosista dos velhos tempos da ditadura militar. A representatividade dos partidos políticos foi profundamente alterada, tornando difícil a composição de uma base de sustentação desse novo grupo que ascende ao poder.

Diante desse quadro alarmante, um terceiro aspecto agravou e comprometeu a disputa: enquanto o candidato da esquerda radical, o ex-presidente Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, que dominou a cena política nos últimos 16 anos, encontra-se preso e condenado por corrupção e teve mais de 35% das intenções de voto, seu opositor imediato, de extrema direita, é o que mais pontuou entre os demais candidatos, sendo eleito com 57 milhões de votos, apesar da forte rejeição dos setores progressistas. Esse desequilíbrio de forças entre os extremos ideológicos se associa à corrupção, à violência e a mudanças oportunistas na legislação eleitoral01.

Quadro Socioambiental

O Brasil detém uma das maiores biodiversidades do planeta, possuindo dois terços da maior floresta equatorial do mundo, a qual contém cerca de 12% de toda água potável disponível na Terra02. A Bacia Amazônica compreende também territórios das Guianas, Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia, sendo responsável pelo sistema climático do subcontinente sul-americano, cuja complexidade ainda não está plenamente desvendada pelos estudos científicos. As reservas hídricas e biológicas da região Amazônica, aliadas às riquezas minerais que possui, fomenta a ganância de latifundiários locais, empresas multinacionais e países desenvolvidos, ávidos de explorá-las, sem qualquer preocupação com suas consequências socioambientais.

Por sua vez, o bioma Cerrado, exclusivo do Brasil, detém expressivo volume dos aquíferos subterrâneos que alimentam boa parcela das bacias hidrográficas desse subcontinente, tendo como expoente o gigantesco Aquífero Guarani, que se estende pelos estados do oeste, sul e sudeste, chegando ao Paraguai e à Argentina. A vegetação do Cerrado, ao contrário da Amazônia, é muito antiga, e fortemente adaptada aos ciclos climáticos e à aridez de seus longos períodos de estiagem. Porém, cerca de 50% de seu território já foi ocupado pelo agronegócio, em contraposição aos 22% da Amazônia, já transformados em pastos e monoculturas, e fortemente dependentes de irrigação, obtida do subsolo, e vulneráveis ao enorme volume de agrotóxicos que contaminam aquíferos e rios de superfície.

Pelo entendimento firmado no Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas, o Brasil se comprometeu a manter a emissão de gases do efeito estufa 37% abaixo dos níveis existentes em 2005, e o prazo para se alcançar essa meta seria 2025, o que também implica em aumentar a participação da bioenergia sustentável na matriz energética para 18% até 2030. Porém, seguindo na contramão desses compromissos, o Brasil segue devastando o Meio Ambiente, e ocupando de forma desordenada a Amazônia e o Cerrado, expondo cada vez mais áreas à ocupação pelo agronegócio, e produzindo maior quantidade de gases, em decorrência da queima de grandes extensões de floresta nativa, substituídas por pastagens para o gado e por plantações de monocultura de soja, algodão, cana-de-açúcar e outros grãos.

No ritmo em que a floresta está sendo devastada, estimam os cientistas que, em menos de dez anos, o equilíbrio ecológico venha a ser rompido, ativando um processo irreversível de degradação das matas remanescentes. A estimativa é que, atingindo 25% de devastação da Amazônia, esse processo entrópico passe a suplantar a resiliência da floresta. Isso ocorre, principalmente, porque as áreas devastadas não são contínuas, aumentando a exposição das margens da floresta ao assim chamado “efeito de borda”03, que acelera a perda de biodiversidade e de recursos hídricos.

Esse fenômeno está fartamente ilustrado por pesquisas científicas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica. Esta última, remanescente da ocupação litorânea desde o Descobrimento, atingiu tal grau de devastação que hoje restam apenas 7% da floresta original, a maior parte confinada nas Unidades de Conservação federais e estaduais. A Mata Atlântica sofreu um processo acelerado de devastação no período de colonização, agravado pela intensa exploração imobiliária em períodos mais recentes, que hoje também atinge a Floresta Amazônica, em consequência da construção de grandes hidrelétricas e de extensas rodovias, entre elas a Transamazônica, construída em 1972 durante o governo Médici de triste memória, no período de 21 anos da ditadura militar, com 4.223 km de extensão.


Fazenda de 135.000 hectares na divisa de Goiás com o Tocantins
(abaixo: município de São Miguel do Araguaia)


A conjunção desses dois fatores, a incerteza político-social e o avanço avassalador do agronegócio em uma ampla extensão territorial conhecida como Arco do Desmatamento, que compreende o Acre, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão, coloca em risco não apenas a sobrevivência do Bioma Amazônico mas do próprio planeta, na medida em que altera o equilíbrio climático, tendo, como consequência, a redução dos estoques de água potável em região de elevada densidade populacional.

Os grandes empreendimentos desenvolvidos na Amazônia, como hidrelétricas e rodovias, funcionam como um gatilho para a expansão imobiliária e a degradação social, impulsionada pelo aumento drástico da população, transformando, em poucos anos, os vilarejos e pequenas cidades em grandes concentrações urbanas, trazendo, em seu bojo, a prostituição, o tráfico de drogas, a “grilagem”04 de terras, a “pistolagem”05 e a miséria, e precarizando sua infraestrutura urbana. Em sua esteira vem a exploração de madeiras, que se antecipa à chegada do agronegócio, e prepara o terreno para a extinção da floresta em grandes extensões territoriais.

Finalmente, um fator dos mais nocivos nessa escalada do desmatamento refere-se aos assentamentos rurais promovidos pelo INCRA – Instituto de Colonização e Reforma Agrária, sem se preocupar com os impactos ambientais, que trazem famílias inteiras para viver nos travessões, às margens das grandes rodovias, e se propagam como raízes, a penetrar nas áreas preservadas das unidades de conservação e terras indígenas. Assim que tomam posse da terra, ainda com a floresta primária em seu interior, passam a vender madeira de lei; retiram e vendem as árvores mais valiosas para as madeireiras, depois cortam o que restou e vendem como lenha para fornos de produção de carvão vegetal e, por fim, queimam os tocos que sobraram no terreno, deixando a terra nua e imprestável até para a agricultura. Sem orientação para o cultivo, ficam na miséria e acabam por transferir o que restou aos fazendeiros, apoiados por grileiros e pistoleiros.

O último fator extremo de devastação da Amazônia é a mineração, iniciada no século XVI, intensificada há cerca de sete décadas, e expandindo-se durante a ditadura militar, assim como as grandes rodovias e ferrovias destinadas ao escoamento da produção mineral, e hoje, do agronegócio. A mineração ambiciona extensas áreas mapeadas por satélites americanos e pelo DNPM (Departamento Nacional de Pesquisa Mineral, hoje Agência Nacional de Mineração) na década de 1970. Esse processo continua ameaçando a floresta, com projetos que tramitam no Congresso Nacional, através da pressão de multinacionais e empresas brasileiras, inclusive com o propósito de exploração mineral em terras indígenas e unidades de conservação, como houve, recentemente, o caso da RENCA06, no Amapá.

A questão da mineração no Brasil está na pauta de discussões do Congresso Nacional, não por patriotismo, porque empresários e políticos desonestos não têm pátria, mas por interesses escusos e lobbies das grandes mineradoras nacionais e estrangeiras. Emendas constitucionais estão à espera de sua vez para serem votada, assim que o agronegócio conseguir implodir terras indígenas e parques nacionais, através de pautas-bomba de caciques políticos, que tramitam há vários anos, como a PEC-215, que transfere ao Congresso a atribuição e autoridade pela demarcação de terras indígenas, o que sepultará de vez os anseios dessas populações, cujas terras foram espoliadas pelos invasores portugueses, seja pelo descaso e crueldade das autoridades, pela incompetência da FUNAI ou pelas fortes pressões exercidas pelo agronegócio, sedentos de acabar com o Meio Ambiente.

Existe um argumento que circula entre esses políticos que vendem seus votos para viabilizar a exploração ilegal em áreas preservadas, que é o seguinte: “a Europa já destruiu suas florestas e acabou com seus povos primitivos. Os Estados Unidos também já deram cabo dos índios e das florestas em seu território. No entanto, esses países estão entre os que possuem os melhores índices de desenvolvimento econômico, científico, tecnológico e social. Então, por que não fazer o mesmo no Brasil, acabando com a pobreza e enriquecendo aqueles que comungam dessas ideias?

Esse argumento é falso pois, se o Brasil acabar com a Amazônia, o país sofrerá as terríveis consequências da maior mudança climática de sua história, e se tornará mais pobre do que as regiões desérticas da África, da Ásia e do Oriente Médio. O equilíbrio climático do Continente Sul-americano depende das trocas de energia e da intensa umidade que ocorrem ao longo da bacia hidrográfica do rio Amazonas, o maior manancial de água potável do mundo. O que sustenta esses ecossistemas são as águas, tanto de superfície, como dos aquíferos subterrâneos e os processos de trocas energéticas que ocorrem no complexo ambiente amazônico. Sem a proteção vegetal, eles sucumbem em poucos anos.

Existe uma teoria científica embasada em pesquisas, a dos “Rios Voadores”, que explica esse fenômeno climático. Milhões de toneladas de água evaporam no Oceano Atlântico, e percorrem milhares de quilômetros pelo ar (os rios voadores), para cair, em forma de chuva, sobre a floresta. Dela voltam a se desprender e precipitar sucessivamente, através de um processo chamado evapotranspiração, que realimenta tais correntes aéreas de água, em sua jornada desde a foz até a Cordilheira dos Andes, onde se transformam em geleiras que, por sua vez, irão se derreter e formar a mais complexa rede de rios, córregos, riachos, igarapés e lagoas, alimentando o gigantesco Amazonas. Esse é o mistério da Vida, que querem destruir!

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônicas

A Broxada do Imbroxável


As “arminhas” desse ser ignóbil e insignificante, que o identificam entre seus comparsas

Não bastassem seus erros e tropeços grosseiros, apoiados, incondicionalmente, por sua tropa de choque, bostossauro começou a perder as esperanças quando o Nordeste em peso reafirmou que o lugar do “tirano de araque” não era por lá… foi praticamente escorraçado pelos nossos irmãos nordestinos, altamente politizados ao longo de sua história de fome, dor e sofrimentos, causados, principalmente, pela inoperância e a corrupção dos órgãos responsáveis pelo fim das horríveis e mortais secas anuais nas caatingas brasileiras. O DNOCS (DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra a Seca), por exemplo, foi sempre dominado pelas oligarquias dos Coronéis do Sertão (ex-senhores de engenho da cana-de-açúcar), escorraçando seu povo para o sudeste, a pé, montados em jegues, na boléia dos caminhões e nos saveiros de “paus-de-arara”, devido às obras fantasmas (des) construídas no início do século XX.

Ao final do primeiro turno se extinguiram as armas e as munições do candidato fascista. Foi uma sucessão de erros que desmontaram as frentes de ataque do “inimigo público número um”: o BOSTOSSAURO! Agressões gratuitas, falta de “harmonia” entre seus “aliados”, discursos de ódio, promessas falsas e “contrárias” a seu “histórico de realizações” como deputado federal, os seus filhotes desconcertados com o crescimento da Esquerda Revolucionária que a ditadura militar julgou ter assassinado e enterrado a todos, em vala comum, durante os anos de terror, das torturas, assassinatos e “desaparecimentos”… “tudo certo, como dois e dois são cinco”, como diria Caetano Veloso!

Mas a “broxada” veio mesmo quando o governador eleito em Minas Gerais fez sua escolha pelo “cara das arminhas” e traiu a confiança do povo mineiro, da conspiração de Tiradentes e de tantos outros revolucionários. Nada dava certo para esse amante das FAKE NEWS, e as últimas pesquisas já mostravam LULA vencendo, com folga, para confirmar a “lenda” de que aquele que vence em Minas Gerais “fatura” a presidência da República. Mesmo sendo mera crendice, o imaginário popular acreditou que seria impossível o “imbroxável” cumprir com suas falsas promessas. Romeu Zema “queimou seu filme” de graça! Poderia ter ficado calado, guardando seu mau-caráter para depois do segundo turno, mas preferiu garantir sua “amizade” com aquele que supunha ser sempre o vencedor, apesar de suas “facadas fake”.

Pois cá estamos, após a publicação dos resultados do pleito final, trazendo tristes lembranças das “façanhas” bolsonaristas, como foi o “atentado” de “Bob Jeff” (o caubói caipira) contra os policiais federais que iriam rendê-lo e levá-lo de volta para o XILINDRÓ, de onde jamais deveria ter saído. As mímicas patéticas de bostossauro durante a pandemia, fingindo-se asfixiado pela falta de oxigênio em Manaus, sua insistência pela CLOROQUINA e outros “remédios” inócuos, como placebos à COVID19, o povo virando “jacaré” depois de tomar a vacina, a transmissão da AIDS pelas vacinas, a farsa da compra da vacina indiana com “ágio de um dólar por dose”, a liberação das armas de alto calibre para seu “pelotão de ataque” e tantas outras besteiras fizeram do tenente ungido de capitão por benevolência do Exército (que “conduzia o Brasil pelos obscuros descaminhos da ditadura”); tudo isso fez com que artistas, intelectuais, cientistas, e os pobres e miseráveis famintos não se sensibilizassem com suas falsas promessas, tão falsas quanto o ridículo e absurdo episódio de Juiz de Fora.

Aqui estamos, afinal, com a vitória nas mãos, festejando o resultado da urnas de domingo, sem que cessem os receios de um novo golpe, desta vez praticado pelos seus próprios “correligionários” (de que religião, afinal?), para reproduzir o absurdo e inimaginável ataque ao Capitólio pelos psicopatas de lá, exaltados pelos delírios de TRUMP (o bolsonaro cowboy), sob os “ensinamentos” de seu guru Steve Bannon e de outros psicopatas da “estirpe” do “guru tupiniquim” de bostossauro, o falecido “filósofo” Olavo de Carvalho, de nada saudosa memória… Aqui vamos, pois, contra as gigantescas ondas do medievalismo, das bruxas queimadas nas fogueiras de uma religião que tem centenas de “donos”, todos milionários, enriquecidos com as esmolas evangélicas coletadas entre seus “fiéis” durante as “aleluias” copiosamente clamadas nos “cultos” dos “padres kelsons” da vida… Para um ateu, como eu, “graças a deus” (qualquer deus), esse bruxo está com suas horas contadas!

SALVE A NAÇÃO INDÍGENA, QUILOMBOLA, MESTIÇA, MAMELUCA, CABOCLA, CAFUSA, NEGRA, ESQUECIDA, VALENTE, GUERREIRA!… SARAVÁ!… AXÉ, ORIXÁS!… SALVE A DEMOCRACIA! SALVE O POVO BRASILEIRO!

A Mensagem e os Meios

Os dilemas e desacertos de um falso “mito” dessa “republiqueta das bananas”, onde as instituições se desfazem no maior “imbróglio” político e ético da triste História do Brasil, repleta de mentiras, bravatas, torturas e genocídios….

Segundo Marshall McLuhan, educador, intelectual, filósofo e teórico da comunicação, “O Meio é a Mensagem“… mas neste Brasil das oligarquias dominantes, da Escravidão, do Genocídio das populações indígenas, dos sucessivos ataques aos cofres públicos e das mentiras exaradas pelas personalidades públicas, não é exatamente assim… para eles, tudo é possível, dentro da ótica míope de governantes ineptos, de jornalistas submissos aos interesses das grandes mídias, de professores equiparados a garis e “baderneiros”, de pesquisadores ameaçados por uma súcia de malfeitores a serviço do “MITO e seus micos amestrados“… Há cerca de três anos, quando do esquisito e insustentável “impeachment” de Dilma, fomos levados ao paroxismo nas manifestações histéricas “em defesa da pátria” e do clamor de parte das massas pela volta da Ditadura Militar, aquela mais recente, de 1964-1985, quando milhares de pessoas (homens, mulheres e até mesmo crianças) foram presas e muitas delas torturadas, assassinadas e “desaparecidas”, apenas por serem tidas como suspeitas de “conspiração contra o regime militar”, sem que ninguém suspeitasse do terror que viria a seguir.

As eleições de 2018 foram marcadas por disputas jurídicas absolutamente inaceitáveis em um país republicano e democrático: o pré-candidato com maior percentual de apoiadores (Luiz Inácio “Lula” da Silva) fora excluído da disputa eleitoral pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, enquanto seu maior e mais improvável oponente, Jair Messias Bolsonaro (o “Mito”), usava dos artifícios mais desonestos (“fake news” em redes sociais, apoiadores “comprados” no Facebook, acusações falsas a seus oponentes, entre tantas outras baixarias) para assegurar sua “vitória”, sem que nenhuma das esferas do Poder Judiciário (STF, STJ, TSE) se manifestasse sobre esse desmantelamento das instituições democráticas, engendrado pelo próprio candidato e seus “garotos“, e apoiado, surpreendentemente, pela maioria dos empresários e dos “Supremacistas Brancos” (sim, eles também existem aqui!) deste país muito “estranho”! A eles se somavam os fascistas, adoradores das pistolas, revólveres, fuzis e carabinas, evangélicos de diferentes seitas e – PASMEM!” – mulheres, gays, negros e indígenas!!!

Pois bem, o “Mito” se elegeu e não decepcionou a nenhum de seus seguidores: começou a fazer uma “caça às bruxas”, identificadas essas como estudantes de nível superior, mestrandos, doutorandos, pesquisadores, filósofos, sociólogos, antropólogos, artistas e outros amantes da Cultura e do Saber Verdadeiro. A escolha de seu ministério comprova suas escolhas torpes e seus defeitos de caráter e de formação intelectual. Uma sucessão de trapalhadas, como seu medíocre discurso de seis minutos em Davos, diante do Mundo Civilizado, suas bizarras escolhas de ministros igualmente imbecis, como o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (designado para acabar com o MEIO AMBIENTE e apoiar o agronegócio), o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo (de medíocre histórico no Itamaraty e “discípulo” de Olavo de Carvalho), os ministros da Educação: primeiro, o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, e depois o economista Abraham Weintraub (ambos nomeados por ordem do guru do “mito”, Olavo de Carvalho, que não tem nível superior e não reside no Brasil), e a hilária “ministra” da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que, mesmo tendo sido acusada de “sequestrar” e adotar uma criança indígena, à revelia da família, passou a ser responsável pelo destino dos Povos Indígenas do Brasil, comandando a Fundação Nacional do Índio… e tantas outras lambanças, exaustivamente denunciadas pela imprensa “livre”…

Agora, depois de suas trapalhadas tragicômicas que paralisaram o país por seis meses, em sucessivas crises políticas e embates espúrios contra o Congresso e a Justiça, parece que seu “arsenal de boas ideias” (com todas as ressalvas) chegou ao fim… se a inflação, os juros e o dólar se mantiveram estáveis, da mesma forma (e no lado oposto do espectro dos resultados) o desemprego continua em mais de 12% da população (índice oficial, que não contempla os subempregos, da ordem de mais 13%) e a Economia permanece estagnada, em provável recessão (já com um PIB negativo para o primeiro semestre), evidenciando um cenário alarmante, ainda que a reforma da Previdência seja aprovada. Para surpresa de todos, o Ministro da Economia só agora sinaliza para medidas a serem enviadas ao Congresso para combater o desemprego e a recessão… mas este ano e os próximos três da gestão fascista-liberal já foram prejudicados, e essas medidas só teriam efeito a médio e longo prazos, quando já estaremos envoltos nas névoas de outro processo eleitoral suspeito, obscuro e vicieado.

Finalmente (“last, but not least”), depois desse preâmbulo, chegamos aos fatos recentes, denunciados pela revista eletrônica “The Intercept Brasil”, que afirmou estar de posse de um grade volume de informações acerca de Moro (o Juiz “Mito”), da Procuradoria Geral da República (através de sua equipe da Operação Lava Jato) e da grande imprensa. Segundo “The Intercept”, as relações promíscuas entre o juiz e os promotores-acusadores de Lula sinalizavam questões nada republicanas de indução de linhas investigativas voltadas à aniquilação da imagem pública de Lula (que terminou seu segundo mandato com mais de 80% de aprovação) e à condenação do ex-presidente! Denúncias que, se forem verdadeiras, trarão à tona o maior escândalo de discriminação ideológica e de parcialidade jurídica de que se tem notícia, fora dos regimes totalitários de Vargas e dos Generais de 64!.

Curiosamente, porém, ao invés de se abrir uma investigação para verificar se as denúncias são verídicas, organizam-se a Polícia Federal e a Procuradoria Federal, por ordem do próprio elemento sob suspeição, o Ministro Moro, para tentar descobrir as fontes das denúncias contra ele mesmo! Ou seja, outra anomalia nada republicana… e para nosso espanto, a imprensa, que nunca foi isenta (mas deveria ser), passa a alternar as diferentes interpretações dessa página vexatória da História de nosso país, fomentando o debate, não da veracidade e dos impactos de tais denúncias, mas sim da disputa entre acusações (da Revista) e acusados (da Justiça)… O que é o mais importante, afinal: o MEIO ou a MENSAGEM? O que vale a pena investigar: o Juiz Sérgio Moro e suas relações promíscuas com Procuradores Federais, ou a fonte dessas denúncias, provavelmente de origem ilícita, mas não necessariamente mentirosas?

Estamos, portanto, diante de um dilema insuperável: ou deixamos de acreditar em MITOS e assumimos nosso próprio papel no destino, ou esse país se degenera em escândalos sucessivos e extremos, ora culpando a “ESQUERDA COMUNISTA”, ora tentando ocultar as mentiras do FASCISMO que se avizinha cada vez mais de nossa realidade pública. Somos uma nação de analfabetos funcionais, submissos a religiões messiânicas (inevitável a analogia) e a super-heróis desprovidos de caráter… de qualquer modo, nosso “mito” está NU, assim como nossa “democracia”… se é preciso uma revolução, ela jamais poderá ser feita pelas ARMAS mas sim pela nossa dedicação absoluta à CULTURA! O resto é APENAS demagogia… __________________________________________________________

NOTAS

1. Sobre a “sucessão de trapalhadas”Confira 36 trapalhadas dos primeiros 100 dias do governo Bolsonaro

2. “O Meio é a Mensagem” – fonte: Wikipedia

3. Empresários financiaram disparos em massa pró-Bolsonaro no Whatsapp, diz jornal “El País”

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônicas

A Ditadura Ruralista

Poderíamos também chamá-la “A Ditadura dos Latifundiários”! O fato é que uma minoria que detém privilégios medievais e representa menos de 2% da população brasileira domina o Congresso Nacional, que deveria ser do POVO, caso vivêssemos, de fato, em uma DEMOCRACIA, e determina os destinos de nossa Nação. Isso, diante dos olhos de toda população brasileira, atônita, ignorante e apática! Isso, diante dos olhos do Poder Judiciário, omisso e inoperante, e que deveria ser o baluarte do Estado de Direito e da Democracia.

Falo, é óbvio, da fragorosa derrota da inteligência contra a burrice, da aprovação de um projeto indecente que permitirá a eliminação de 50% da Floresta Amazônica, esse arremedo de código florestal que só beneficia os poderosos, escondidos covardemente em sua máscara de defensores dos pequenos agricultores do Brasil. Falo dessa excrecência legal que anistiará todos os crimes cometidos contra nossa maior riqueza, o Meio Ambiente, que agora estará exposto e vulnerável a novas investidas da motosserra contra o que resta do Cerrado e da Amazônia. Já na expectativa desse assalto, os ruralistas aumentaram, só em Mato Grosso, em 96%, a devastação do pouco que resta naquele estado do Blairo Maggi…

Quem perde nesse “negócio entre iguais” (aqueles que se acham “mais iguais do que os outros”) é a Nação Brasileira, é o Povo Brasileiro, são as gerações vindouras, que não terão direito aos recursos naturais que herdamos de nossos pais e que estamos usurpando de nossos filhos! Os estúpidos ruralistas não percebem que esse “tiro no pé” os atingirá também, e muito mais breve do que se imagina… as mudanças climáticas já são evidentes em todo o planeta, e serão aceleradas agora, no momento em que as mais importantes conquistas ambientalistas são jogadas na latrina da História do Brasil.

Justamente no momento em que o Mundo toma consciência do desastre ecológico que se avizinha, no ano em que se realizará no Brasil a “RIO+20 – Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável”, o Brasil dá esse terrível passo em falso e entra na contramão da História, demonstrando que não somos dignos de nos considerarmos uma Nação Contemporânea, Moderna, comprometida com a preservação da vida no planeta. Demonstramos que somos ainda subdesenvolvidos intelectualmente e não somos dignos de compartilhar da Comunidade Internacional. Todos os esforços diplomáticos para nos alçar à categoria de Nação do Primeiro Mundo, de liderança desse processo único da História, foram definitivamente perdidos.

O mais irônico é que estamos destruindo nosso maior patrimônio: os recursos naturais! Pouquíssimas são as nações que podem se comparar ao Brasil em riquezas naturais: biodiversidade, geodiversidade, solos férteis, água em abundância… e estupidamente querem esses traidores da pátria acabar com tudo e nos transformar em uma imensa terra devastada pela SOJA, pelo GADO, pela CANA DE AÇÚCAR, pelas valas escavadas das montanhas, pelos rios poluídos e mortos, servindo a interesses inconfessáveis dos ruralistas, das mineradoras, das madeireiras e de toda corja de políticos corruptos, seus porta-vozes.

Pois essa ditadura é muito pior do que a DITADURA MILITAR que esfacelou com a sociedade brasileira nos anos 60 e 70 do século passado. Aquela era ideológica, nefasta como todas as ditaduras, mas passou; e o povo brasileiro se recompôs das tragédias, das perdas de vidas humanas. Esta, a Ditadura dos Ruralistas, demonstra que somos incapazes de preservar um estado de direito, de justiça social e de respeito ao cidadão e à Natureza, e seus efeitos serão sentidos para sempre, inexoráveis, irreversíveis…

Apesar de todas as manifestações de intelectuais, ambientalistas, cientistas e especialistas em meio ambiente, o Congresso demonstrou que não é digno do povo que o elegeu, e que o povo não é digno para escolher corretamente os seus representantes. Essa é a falência de nossa parva “democracia” e a ascensão definitiva da classe abastada e ignorante ao poder. Enquanto isso, os abestalhados magnatas do gado e da agroindústria estarão festejando essa Vitória de Pirro, acreditando que o tempo lhes será favorável para usufruir do que nos foi roubado, à luz do dia e dos holofotes da imprensa nanica que temos em nosso país. Nem mesmo os jornalistas são dignos de respeito, pela sua omissão e indiferença.

Que o futuro tenha pena de nós…

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônicas

Pandemia

A planta se contorce, enruga-se toda, cobre-se de cortiça para sobreviver às intempéries da Natureza… então vem o homem, e corta-a pela RAIZ!

Palavras doem como um parto, quando oprimidas pelos versos, pelas rimas, pelo ritmo… saem apertadas na imensidão dos dicionários que se ocultam na alma dos poetas… esgueiram-se pelas esquinas de seu pensamento, buscando a frase perfeita, a expressão única e absoluta do sentimento inescrutável… por fim, tal como a erupção de um vulcão extinto, explodem absolutas na imensidão da dor do parto, e se perdem, para sempre em um simples verso, tão denso que poucos haverão de compreender… e, ao nascer, fenecem… extinguem-se em si mesmas, sem revelar aos incautos leitores, seu significado verdadeiro..

De repente, o mundo está só, perdido em sua mesmice indecifrável, perplexo diante da pequenez humana que se revela, abrupta, no âmago de cada alma. Em um átimo, a vida deixou de fluir célere em nossas veias, perdendo-se nos labirintos do ser… Olho-me no espelho e não vejo nada… fiquei transparente como a água, como o ar e o vazio absoluto do Cosmo…

Passaram-se meses desde que o primeiro ser sucumbiu à praga contemporânea, lembrando ao Homem que não é o Senhor do Universo, mas apenas um insignificante verme a se arrastar no lodo de sua própria alma… pessoas se escondem por detrás das máscaras, lavando-se em álcool, desesperadas, ao simples toque discreto em outro ser, num objeto, ao respirar no elevador, ao tocar no corrimão da escada rolante, na maçaneta de um lavatório, ou, pelo simples ato de respirar na solidão de si mesmo…

Perdeu-se o indivíduo ao abdicar de sua própria identidade, ao reagir coletivamente àquilo que fora sempre natural, como o mero respirar em um espaço comunitário… a alma se esvaneceu na eternidade, deixando-nos as carcaças vazias, repletas de culpa e de tédio, plenas em solidão e desespero, ocas do existir tão-somente, sem preocupação com o fluir do tempo que se esvai na Eternidade de cada momento perdido…

E a Vida continua a fluir na ampulheta do Tempo, indiferente aos bilhões de seres confusos diante de si mesmos, como se não mais se reconhecessem como indivíduos, mas apenas como uma coletividade difusa e sem identidade própria, no caos que se formou nessa sociedade sem rumo e sem causas… contudo, o Universo continua, incólume, em sua perfeição caótica, expandindo-se, contraindo-se, explodindo em buracos negros ou em supernovas, na imensidão do Infinito, do Eterno, do Vazio e do Caos perfeito que jamais compreenderemos na pequenez de nossas almas, na insignificância do existir, na ausência da Razão e da Vontade…

Pela primeira vez, desde que Sartre escreveu “A Idade da Razão”, nos sentimos verdadeiramente perdidos… afinal, não há Razão no não-existir… e onde está a empáfia desse ser arrogante, que atribui a si mesmo a sapiência plena, mesmo diante de suas piores contradições? Em que outro momento da história humana constatamos, de forma plena, nossa insignificância no concerto do Universo desconhecido dos homens?

Resta-nos, contudo, a poucos, a consciência de que a vida é efêmera, e nenhum de nós é tão relevante para o Universo a ponto de fazer a diferença entre o existir e o vazio absoluto do Éter que preenche esse mesmo espaço infinito e incompreensível… ao menos para nós, seres viventes, supostamente autoconscientes…

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônicas

Alô… alô, Terra!


Quem vos fala é o Deus que vós mesmos criastes, estarrecido com a degradação geral de valores que alimenta os pobres seres humanos que habitam esse minúsculo planeta!

Onde pensais que ireis chegar, agindo com tamanho desprezo por tudo que herdastes de Mim, mesmo sendo Eu apenas uma criação mental, uma suposição mesquinha e medíocre de vossas mentes perturbadas?

Já passastes de todos os limites admissíveis e suportáveis, ainda que vossas insignificantes vidas não vos permitam evoluir sequer em pensamento!

Não fosse Eu apenas uma criatura virtual de vossas pobres mentes, na Minha Infinita Sabedoria, já os teria aniquilado definitivamente… agrada-me, porém, saber que desaparecereis espontaneamente, a despeito da Minha Suprema Vontade!

Destarte, restringi-vos à limitada capacidade de compreensão de vossa irrelevante existência e limitai-vos a meramente sobreviver enquanto podeis! Vosso mundinho pervertido, de qualquer forma, já está com seus dias contados…

Assinado
Vosso Deus particular



por João Carlos Figueiredo Postado em Crônicas

Uma longa jornada…

Muitas são as realidades desse mundo, mas poucos são os caminhos reservados àqueles que ultrapassaram os Portais da Sabedoria… árduos são esses caminhos, e jamais haverá recompensas… ainda assim, uns poucos perseveram e vislumbram, por um momento, a Verdade…

Dizia a mim um velho um Sábio: “meu filho, quanto mais alto você estiver na sua escalada das Montanhas do Conhecimento, menos sábios, menos espíritos, menos seres iluminados estarão ao seu lado para lhe socorrer… ao escolher seu caminho, lembre-se: ele não tem retorno, e não leva à Felicidade, mas apenas à Dor e ao Sofrimento…” Esse sábio era meu pai, o Ser Humano mais sábio e encantador que encontrei nessa vida… e como eram proféticas as suas palavras… mas talvez ele não soubesse que esse pequenino planeta reservaria novas surpresas àqueles que seguiram tais conselhos… pois, desde que ele se foi para sempre, esses mesmos caminhos se tornaram cada vez mais áridos, mais vazios, mais desprovidos de sentido, menos suportáveis, mesmo para aqueles que estavam na Senda do Saber… para minha surpresa, ao olhar para trás, percebi que não havia mais sinais do percurso que trilhei… apenas a escuridão e o silêncio…

São muitos os caminhos da Sabedoria, mas todos fluem para a mesma trilha, cada vez mais estreita, mais íngreme, mais vazia e silenciosa… pois ninguém, nem mesmo os que acreditam ser iniciados ou “eleitos”, podem se comunicar, mesmo que por um instante. Dizia um Mestre Zen: “Quando o discípulo está preparado, o Mestre aparece”… porém, o Discípulo jamais estará preparado, nem o Mestre aparecerá em seu auxílio ou redenção… pois infinitos são os Caminhos da Iluminação, mas igualmente infinitos são os caminhos da perdição… às vezes, é como se a Mente se abrisse por alguns segundos, e mostrasse uma pequena fresta, pela qual a Luz revelasse vultos, personagens, sábios (?)… mas fora apenas um aviso, dizendo “não estás sós”… para logo depois, desaparecer de nossas mentes…

A vida é uma ilusão… para aqueles que não suportam a Verdade, existem as religiões, criações humanas para tornar a vida suportável, mas não existe salvação… não existem Livros Sagrados… não existem Deuses, generosos ou vingadores… somos tão-somente o átomo de um grão de areia, levados pelo vento nos desertos desse mundo insano e sem destino… e, mesmo assim, a partir do momento mágico da concepção, somos atirados nesse turbilhão a que chamamos “VIDA”, e levados pelo acaso, pelo improvável futuro, pelos túneis do tempo que só conduzem à morte, inexorável, definitiva, o limbo onde aquele ser que pulsava dentro de cada um de nós, se desprende e desaparece para sempre…

Ainda assim, nessas poucas décadas de nosso breve tempo terrestre, temos a ilusão do Eterno, a esperança de encontrar o Paraíso, a convicção de que, no último instante de nossas vidas inúteis, poderemos pedir perdão por nossos erros e “pecados” para uma divindade todo-poderosa, cujo único propósito seria o de nos redimir de todo sofrimento inútil que sentimos por todos os dias, meses, anos, décadas de existência… durante os quais tivemos a tola impressão de que éramos, minimamente, importantes, ou relevantes nessa imensa ilusão do EXISTIR…

Mas a longa jornada se inicia quando deixamos de existir, nas mentes daqueles que ficaram, nas lembranças dos que por nós passaram, como fogos fátuos despregados dos pântanos por uma estranha química do absurdo, exalando a essência final que nos restou da vida… e mesmo essa tênue lembrança se esvai, e nada permanece senão a ausência, cada vez mais frágil do passado que escrevemos em vida… mesmo os mais famosos, mesmo os mais sábios, mesmo aqueles seres iluminados que nos mostraram o Caminho, também desaparecerão… e nada restará daquele lampejo de vida que, por um mistério do Universo, surgiu do amor de um reles casal…

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônicas

Callejón sin salida – Beco sem saída (Dead end)

¿Qué decir delante de tanta ignominia, si mi mundo se postra ahora frente a un falso y mediocre profeta? ¿Dónde estaría nuestra valiente juventud, que no se abatió en el pasado, cuando fue masacrada por el poder cobarde de las armas, y ahora se calla, cobardemente, silenciosamente? En aquellos tiempos sombríos morimos a los miles, torturados, humillados, derrotados, pero conservamos nuestro carácter, nuestra dignidad y nuestra altivez ante el enemigo mortal que desató a nuestra juventud … sin embargo, en el ocaso de esta vida, somos víctimas de una corcheza los malhechores que ponen la palabra divina por encima de la razón, de la justicia y de la verdad … esa verdad inquebrantable que morirá conmigo …

O que dizer diante de tamanha ignomínia, se meu mundo se prostra agora defronte a um falso e medíocre profeta? Onde estaria nossa corajosa juventude, que não se abateu no passado, quando foi massacrada pelo poder covarde das armas, e agora se cala, covardemente, silenciosamente? Naqueles tempos sombrios morremos aos milhares, torturados, humilhados, derrotados, mas conservamos nosso caráter, nossa dignidade e nossa altivez perante o inimigo mortal que esfacelou a nossa juventude… no entanto, no ocaso desta vida, somos vítimas de uma corja de malfeitores que colocam a palavra divina acima da razão, da justiça e da verdade… essa verdade inabalável que morrerá comigo…

What can I say in the face of such ignominy, if my world now prostrates itself before a false and mediocre prophet? Where would our brave youth be, who was not crushed in the past, when she was massacred by the cowardly power of arms, and now quietly, cowardly, silently? In those gloomy times we die in the thousands, tortured, humiliated, defeated, but we retain our character, our dignity and our haughtiness before the mortal enemy that has crushed our youth … nevertheless, at the end of this life, we are victims of a evildoers who put the divine word above reason, justice and truth … that unshakable truth that will die with me …

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônicas

Pensando o futuro da Nação

Homo Neandertalis – gabinete do novo mandatário de Passárgada

Havia uma sociedade onde as pessoas eram livres para pensar e agir, edificada ao longo de muitos anos de discussões e conflitos sociais, decorrentes de preconceitos e ignorância. Essa sociedade fora submetida a 21 anos de violências, torturas e assassinatos praticados por uma casta de militares, para os quais, a masculinidade sobrepujava as noções de igualdade de direitos, justiça social e diversidade de costumes, culturas e raças. O terror predominara por três ciclos de sete anos, arrastando consigo multidões de mártires e vítimas da prepotência e arrogância dos quartéis. Esse período profícuo das Artes, da Cultura e das manifestações de Cidadania deram origem a uma sociedade dinâmica, na qual as ideologias podiam se expressar livremente, razão pela qual uma nova Constituição selou um pacto democrático que se tornou o “livro sagrado” desse povo.

Passadas três décadas, vários governos e mandatários exerceram o poder livremente, embora graves distorções aparecessem e desvirtuassem as liberdades conquistadas. As oligarquias, que sempre dominaram esse país desde o Período Colonial, se aproveitaram da ingenuidade do povo para seu próprio enriquecimento e da classe política que se formara com base nesses valores sociais inquebrantáveis. Essas novas oligarquias, não baseadas na riqueza da Nação mas sim dos mandatários, subverteu o poder e arrastou o povo para um período de miséria, de fome e de desemprego, esgarçando o frágil tecido da Democracia incipiente que se formara. A corrupção alimentou o monstro das ditaduras, que despertara de seu sono profundo, abrindo espaço para um novo período de fascismo e perda de liberdades.

Paradoxalmente, o mesmo povo que se insurgiu contra as ditaduras passou a enaltecê-las alimentando o monstro do terror, das torturas e da violência. Enquanto nossa “Pátria mãe tão distraída” não percebia que era subtraída de suas maiores riquezas, que concentravam o poder e o dinheiro nas mãos de poucos, o povo padecia da miséria, da fome e da violência. Esse clima propício às ditaduras despertou o “monstro da lagoa”, um ser desprezível, mesquinho e preconceituoso que aniquilaria todas as conquistas sociais em nome de um falso liberalismo fascista disfarçado de salvador da pátria!

O desmanche da Democracia é, contudo, irreversível… suas consequências são imprevisíveis e poderão aniquilar todas as conquistas sociais dessa sociedade maniqueísta que se forma nas sombras e nos pântanos do mal, do ódio e do preconceito. O resultado desse retrocesso social será a aniquilação da sociedade, que passará a ser dominada por forças malignas e obscuras, que se agigantam nas trevas e prosperam na podridão. Com o passar dos anos esses seres nefastos se tornarão a referência para as novas gerações, incapazes de construir seu próprio destino. Por isso, seu modelo de ser humano será o estereótipo medíocre de seres malformados.

Se um antigo governante criou o mote “Cinquenta anos em cinco”, essa nova horda de Neandertais recriou seu lema: “Quatrocentos anos em quatro”, para demonstrar que é muito mais fácil destruir do que edificar. A alienação intelectual não é apenas a consequência das ações pérfidas dos Neandertais, mas também o resultado da mediocridade dessa sociedade tecnológica, onde os efeitos de dependência são muito mais poderosos e perenes do que as drogas alucinógenas, afetando diretamente a essência de cada ser humano, transformando-o em um zumbi, um morto-vivo, um fantasma…

É importante destacar que não existem antídotos para os Neandertais, pois a regressão intelectual também afeta as sinapses cerebrais, desconectando-as e transformando o cérebro em um amontoado de neurônios vazios e desprovidos da capacidade de criar e armazenar o conhecimento. É como uma praga bíblica que se propaga em qualquer meio, do vácuo ao vento, das rochas às águas, das esfinges aos monumentos, das antas aos rinocerontes… Passados cerca de vinte anos, toda a sociedade será meramente um aglomerado amorfo de seres desprovidos de inteligência, e a humanidade regredirá aos primórdios da Civilização, um milhão de anos atrás…

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônicas

GRITOS DE SOLIDÃO

Enormes ondas de luzes coloridas percorriam os céus do mundo, pipocando a alegria dos povos ditos “civilizados”, ao som da sua maior festa de confraternização, que se manifestava espontânea nas praias, nas praças, ruas e avenidas, nos salões, nas casas… Porém, alguns sequer percebiam essas manifestações coletivas, pois estavam esquecidos, abandonados, párias das sociedades jogados nas calçadas, escondidos nas matas, solitários em suas masmorras voluntárias onde a festa não encontrava eco nem felicidade… talvez essa pequena minoria nem soubesse que os ponteiros do tempo teriam percorrido mais uma volta na imensidão dos tempos do Universo… talvez sua solidão fosse tamanha (e tão inconveniente) que não valia a pena que o mundo ao seu redor se preocupasse com seu isolamento, esquecidos das sociedades hipócritas que os envolvia em um manto de invisibilidade, tristeza e esquecimento… é possível mesmo que essas criaturas já tivessem perdido sua própria consciência de pertencimento a qualquer sociedade…

De minha cápsula do tempo, tais pensamentos se alternavam à balbúrdia das telinhas de TV, onde cantores se revezavam nos palcos, repórteres falavam incessantemente sobre a Harmonia e a Paz Mundial, sobre as esperanças de que o simples girar das engrenagens do Universo tornasse o mundo mais “Humano”, mais “Justo”, mais “Solidário” e mais “Generoso” para aqueles seres esquecidos de sua própria identidade, perdida nas memórias do passado. Enquanto a alegria tomava as praias e as avenidas asfaltadas, tais criaturas, abandonadas de si mesmas, sequer percebiam que nosso pobre planeta terminara de dar mais uma volta em torno de sua pequenina estrela flamejante… e lá estava ele, cada vez mais pobre de diversidade biológica, cada dia mais igual em sua superfície estereotipada pelos padrões humanos de habitações e modos de existir, onde pouco espaço fora dado a preservar, para fazer caber mais seres viventes, que desapareceriam na inexorável sucessão dos dias…

Eu também estava só, mas minha solidão era imperceptível mesmo para mim, pois as telas de TV refletiam essas manifestações que se propagavam mundo afora, incendiando os céus com seu espetáculo de cores e explosões, desconfortáveis como os tiroteios nas favelas… curiosamente, esse é o único dia em que o mundo inteiro manifesta sua alegria e sua festa, a despeito do ódio latente, das divergências políticas, dos conflitos religiosos e étnicos, dos preconceitos, das línguas e culturas que mais separam que unem os povos desse pequenino e devastado planeta… e hoje, o “day after” da humanidade, todos acordaram esquecidos da ressaca de “Felicidade” que inundou a Terra, e voltaram às suas diferenças brutais, às suas guerras fratricidas, a seus preconceitos e divergências irreconciliáveis, esquecidos de que juraram, em meio às multidões, que esse Novo Ano seria diferente, que haveria bondade e solidariedade para todos, a despeito de crenças, interesses e ideologias…

E cá estamos nós, despertando da “Festa de Democracia” que já se apagou das memórias voláteis de que somos feitos, sem vergonhas, sem remorsos, sem culpas pelas irreconciliáveis diferenças que sempre nos separaram ao longo de nossa curta e conturbada História. Novamente cobertos de nossas máscaras, individuais ou coletivas, que já não mais percebem que nada mudou nesses breves instantes que uniram mais de sete bilhões de seres humanos em uma confraternização em que as promessas de Paz e Harmonia já se quedaram esquecidas… afinal, o que se transformou em nossas consciências? O que uniu tais povos em uma catarse de sons, luzes e sentimentos manifestados com a “mais pura sinceridade” diante das câmeras e telinhas de TV?… Nada… somos os mesmos povos, beligerantes, egoístas, mesquinhos, insignificantes diante da magnificência desse Universo que mal conhecemos, e que, no entanto, é bem maior que nossas pobres divergências…

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônicas

Reminiscências do amanhã

Perdi minha vida no cotidiano: nele deixei de viver e assumi o papel mais medíocre de qualquer ser humano: o de interpretar-se a si mesmo! Olho meu passado e vejo quantas encruzilhadas me cercaram, afirmando: fuja! Corra! Afunde-se na ilusão!… pois então eu me acovardei e segui em frente… teria sido diferente se eu tivesse escutado a voz de minha inconsciência? Inúmeras são as possibilidades quando despertamos para a consciência… morrer é apenas uma delas. Mas podemos ser atores de nosso próprio papel nesse teatro da vida. Podemos ser a musa da inspiração, desprovida de um corpo… podemos apenas nos entregar à luxúria dos desejos insaciáveis até morrer de sífilis… podemos, porém, nos entregar à vida… e viver da mediocridade que mantém a humanidade, que preserva as sociedades, falsas, dementes, absurdamente inúteis!

Passei meus quase setenta anos acreditando que haveria um mundo melhor, seja na ideologia da juventude, seja na imaginação do artista, ou apenas no deixar que a vida cumpra seu papel de tornar todos os seres humanos iguais em mediocridade… hoje, quase decrépito, quase inútil, vivendo de sonhos e ilusões perdidas, só percebo que  vivi inutilmente, que tudo poderia ter sido feito apenas por deixar de me ocupar com o vir-a-ser… aqui estou, consciente de que trilhei meus caminhos, mas nada deixei para aqueles que me sucederão nessa imensa roda da vida que nos une e separa…

O que virá depois de mim? o que haverá de subsistir desse mundo medíocre e enfadonho, senão a frustração de não ter sido nada além de um ser-vivente, um ser-ciente, um ser-demente? Sim, sou enquanto estou vivo, mas nada serei quando meu corpo tiver se transformado em cinzas, não importa onde sejam elas depositadas depois de minha transição… na verdade, tanto faz viver ou morrer, lutar ou entregar-se, combater as chagas do mundo ou fazer parte delas… tanto faz Ser ou não Ser!

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônicas

Eu me sinto só…

Tenho 68 anos e vivo longe de minha terra natal… meu “furusato”…

Aqui não (re) conheço ninguém e ninguém me (re) conhece…

Poucos sabem quem sou, o que aprecio, que valores direcionam minha existência… e também pouco me importa que me enxerguem no meio dessa multidão…

Às vezes caminho pelas vias dessa grande cidade, admirando as obras do grande arquiteto, mas não vejo nada, senão prédios, concreto, paisagismo e urbanidade…

Curioso: Urbanidade! Essa palavra me traz significados talvez desconhecidos pelos habitantes dessa metrópole incrustada no meio do Cerrado… para mim, Urbanidade me traz à lembrança o respeito entre transeuntes, habitantes do mesmo espaço geográfico, independentemente de classes sociais ou meios de locomoção. Porém, não é isso que percebo nas inter-relações sociais de seus habitantes.

Até compreendo que, em uma megalópole como São Paulo, os seres que lá habitam tenham perdido a noção de Urbanidade. No entanto, Brasília tem apenas 58 anos! Praticamente uma criança no meio dessa imensidão territorial do Brasil Central.

Essas reflexões me trazem ao passado, nos anos 1950-60, quando essas terras ainda eram virgens do contato “civilizado” das populações europeizadas pela mordaz colonização. Aqui habitavam somente indígenas… chegar a este local seria uma grande aventura…

No entanto, nesses pouco mais de meio século, conseguimos dizimar a vida silvestre e arrasar a biodiversidade que sustenta esse grande espaço geográfico que, por sua vez, sustenta o Brasil. Pouco resta do Cerrado em tão pouco tempo da civilização qua aqui se instalou.

Nesse sentido me encontro aqui, solitário e desolado perante o futuro dessa civilização que se diz “inteligente”. Certamente não somos tão inteligentes assim… basta constatar que viviam nessa região povos “bárbaros”, selvagens que remontam a um milhão de anos! Onde estariam esses vestígios de humanoides que aqui viveram em paz?

Tudo isso são fatos comprovados pela Ciência, pela Antropologia, pela Paleontologia, pela Arqueologia, pela simples leitura das reminiscências preservadas nas ranhuras geológicas ainda não tocadas pela civilização contemporânea….

O que restará dessas terras daqui a cinquenta anos? Daqui a cem anos? Esses prazos são tão exíguos quanto a nossa memória, ou nossa curta existência e, no entanto, somos incapazes de refletir acerca do futuro daqueles que herdarão este legado.

Nada direi sobre as opções humanas nesse curto espaço de tempo de minha própria vida, pois sei exatamente tudo o que aconteceu ao meu redor em tão pouco tempo de vida… porém, causa-me surpresa, desconforto, tristeza, melancolia, desencanto, pavor… saber que nada pudemos fazer para preservar a vida para nossos descendentes… que o mundo que herdarão meus netos será muito pior daquele que herdamos de nossos próprios pais, ainda que, nesse curto período de vida tenhamos superado duas guerras mundiais e inúmeros conflitos regionais… ainda que, em menos de cem anos de História, tenhamos mudado todos os conceitos da antiga civilização europeia que nos antecedeu… é surpreendente que, em tão poucos anos, tenhamos feito tanto para mudar consciências, sem, contudo, termos sido capazes de assegurar a sobrevivência da humanidade, e sem conseguirmos romper as barreiras dos preconceitos de séculos de existência anteriores!

Por isso, vivo só… sou um ser em extinção… sou um espécime raro e inútil diante da eternidade do Universo… sou apenas um grão de areia nos desertos intergaláticos… Quem me suceder poderá afirmar que praticamos a mais nefasta política de ocupação desse pequeno planeta da constelação que habitamos… e estarão cobertos de razão.

Neste resquício de vida que me resta, nada mais me sobra senão lamentar que só percebi essa verdade quando era tarde demais… tantos anos passei lutando contra o preconceito, contra as ditaduras, contra as desigualdades sociais, e por ideologias esdrúxulas que me esqueci de me engajar na principal batalha da Humanidade: a da sua própria sobrevivência… porém, agora é tarde demais…

Essa é a sina de todos seres humanos, pois sua vida é tão curta que nada lhes resta senão refletir acerca da amplidão desse universo e da insignificância do próprio ser humano… por isso, permanecerei só, ainda que sobreviva por mais algumas poucas dezenas de anos, cada vez menos consciente, cada vez menos capaz de interferir nos destinos da humanidade. Resta-me apenas saber que, na minha curta existência, jamais silenciei, em nenhum momento me calei, mesmo quando minha interpretação do mundo real fosse tão equivocada quanto à de meus antecessores…

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônicas

A banalização do vulgar

Saí de casa como de costume, já enfrentando o congestionamento habitual, veículos se alternando em uma fila imensa, cada um com seus pensamentos, e as notícias corriqueiras. Um radialista dizia quais caminhos estavam menos engarrafados, entremeando comentários dos ouvintes com músicas toscas… se já não tinha muita vontade de sair de casa, essa sucessão de trivialidades me emudeceu.

O que se percebe é o esgotamento de um modo de vida vazio, sem sentido, onde todos se sentem amortecidos pelos acontecimentos em um mundo sem ideologias, com seres humanos sem altruísmo e políticos sem vergonha na cara. As notícias já não nos surpreendem, as pessoas já não nos emocionam, o futuro já não motiva gestos de dignidade nem comportamento ético ou edificante…

Seguimos pela vida como zumbis, perdidos na multidão ignara e amorfa, antropofagicamente nos devorando sem sentir dor ou prazer. Não há mais ideal que nos leve a um comportamento social aceitável. Tudo é permitido nesse mundo sem leis, sem princípios e sem ídolos com os quais possamos nos identificar. As figuras públicas apodrecem diante de nossos olhos, sem uma punição compatível com os crimes praticados contra as minorias, contra a Natureza, contra os mais elementares valores da Humanidade…

Enquanto o planeta se deteriora diante de nossos olhos, causado pela irresponsabilidade, avareza e desmesurada ambição dos poderosos, a sociedade se aliena nos devaneios das redes sociais, inebriada pela tecnologia anestesiante e estúpida. A cada dia, mais poder é concedido aos grandes responsáveis pela degradação da Terra: latifundiários da soja e do gado, mineradoras, madeireiras, especuladores imobiliários, empreiteiras inescrupulosas envolvidas em escândalos financeiros e políticos… muitos políticos corruptos e atuantes, aproveitando-se de um governo fraco e igualmente corrupto, a legislar em causa própria, sem que um poder judiciário lhes barre o descalabro de seus atos irresponsáveis.

O que será do Brasil? O que será feito desse mundo decadente, perdulário e tresloucado? O que será feito de nós, minoria insignificante de cidadãos honestos e responsáveis, que não temos mais voz para gritar e denunciar tamanhos malfeitos? É provável que essa sociedade putrefacta nos leve à extinção, consumando a trágica obra de milhares de anos de uma humanidade que só teve disposição para a guerra, para os crimes, para a usura e a crueldade, numa História degradante e humilhante de nossa curta existência…

A mim, pouco importa, pois já perdi a esperança de ver um novo ser humano nascer do esgoto que a humanidade plantou neste planeta… o vulgar, o tosco, a sujeira humana prevaleceram às expectativas de um mundo digno de se viver… que pena…

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônicas

A Vida fala por si

Difícil é envelhecer. Dizem que começamos a envelhecer no dia em que nascemos, mas isso não é verdade. Nosso corpo começa a mostrar sinais de envelhecimento quando os olhos já não mais conseguem se fixar nas palavras de um livro, quando as idéias se confundem no embaralhamento dos sentidos, quando a mente manifesta a intenção de agir, mas o corpo não reage no momento esperado. Envelhecemos quando a paciência deixa de ser uma de nossas virtudes, quando o corpo declara a dor que se instala, cruelmente em cada articulação. Envelhecemos quando, finalmente, admitimos esta realidade.

Não é verdade o eufemismo da terceira idade, da “melhor idade”! Só os tolos acreditam nisso. A velhice é a idade da solidão, da melancolia, da insegurança e do sofrimento. Mesmo a alegria, quando chega, é contida, temerosa de seu inevitável fim. Manifesta-se cautelosamente, incrédula, quase triste…A velhice é a espera da morte, sem eufemismos, crua e cruel. É a certeza de que o nosso tempo passa a ser contado em ordem decrescente, o quanto ainda temos para sofrer e suportar as dores do envelhecimento. E a única esperança é que ela venha rápido e dure pouco. O medo de ficar em uma cama, entregue aos cuidados de um estranho, um estorvo para os filhos, uma presença indesejada, esse é o sentimento que acalenta nossos pesadelos.

Já não é assim para aqueles que acreditam em Deus. Os crentes ainda esperam pela “providência divina”, pelo “paraíso”, pela “ressurreição”; mas nós, ateus, sabemos que a morte é, simplesmente, o fim de uma vida. E nada haverá depois da vida. Essa é a razão das religiões terem tantos adeptos: quem, afinal, consegue encarar o vazio após a morte? O NADA? A ausência absoluta de tudo o que fomos em vida? Como, enfim, viver, se sabemos que nada temos e nada levaremos no desenlace de nosso cordão umbilical com esse inferno terreno?

Pior do que morrer, seja lá como for, é o sentimento claro, a percepção inequívoca de nosso envelhecimento, a perda de nossas capacidades adquiridas ao longo do caminho, o isolamento dos jovens, que já não mais nos compreendem, a consciência de que tudo aquilo porque lutamos foi, simplesmente, inútil… para que “Causas Altruístas” se mesmo o mundo, tal qual o conhecemos, perecerá um dia? Por que acreditar que a Natureza é bela, se nossa percepção do mundo é limitada por sentidos frágeis? Seria, o que vemos, a verdadeira natureza das coisas, ou apenas a ilusão de nossos olhos e de nossas mentes? Seria, o que sentimos, Amor, ou tão-somente um apego primário a outro ser, temerosos de nossa própria solidão?

Sim, a Vida é efêmera… mas pior ainda é temer que mesmo esse curto existir foi fundamentado em percepções equivocadas, ilusões de nossa mente! Resta-nos, apenas, admitir a insignificância do ser, e deixar que a areia escorra, lentamente, levando-nos com ela para o infinito inexistente…

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônicas

Memórias de meu Mestre

Meu MESTRE

Hoje ele teria quase 94 anos, porém, há dez anos nos deixou para sempre. Meu pai se foi antes do tempo, assim como se vão aqueles a quem amamos e respeitamos pela sua coerência, sabedoria, humildade e LUZ! Sim, ele foi o farol de meu caminhar, e continuará sendo. Sempre que me encontro em uma encruzilhada, inseguro, incerto, pergunto a meu pai qual a direção a seguir. Por algum mecanismo que desconheço, a resposta vem durante meus sonhos, como um sussurro, uma imagem desfocada, um sopro suave de ideias que me restituem a confiança e a certeza de ter encontrado o rumo. E sigo em frente, confiante de  que o meu Mestre continuará me orientando e me ajudando a tomar as decisões corretas para o resto de meus dias.

Lembro-me da paciência com que ele nos preparou para a vida, deixando seu exemplo de uma conduta impecável, de Ética e de Honestidade acima de qualquer outra possibilidade. Assim como eu sigo seus passos, espero que, quando eu me for, as minhas filhas e meus netos tenham em mim um bom exemplo para clarear os seus caminhos. Que os exemplos de nossa sociedade não influenciem meus descendentes, pois a cada dia se torna mais difícil encontrar pessoas dignas e honestas. Assim como meu pai, eu não tenho apego a lugares ou a valores materiais. Para muitos, seria uma irresponsabilidade e uma temeridade, pois acreditam que acumular dinheiro e propriedades é a essência de sua ideologia consumista. Para mim, o caminhar tornou-se leve, pois nada carrego além de meus valores e de minhas convicções. E isso eu devo ao meu Mestre, Ulysses.

Minhas referências são as pessoas que amo, e meu pai terá sempre seu lugar de destaque em minha vida. Dele herdei o amor à Natureza, aos seres vivos, ao rio onde costumávamos remar e apreciar o por do sol, às caminhadas sem destino, que eram a fonte de novas descobertas e de novas reflexões. Seu carinho e compreensão fizeram de mim um ser mais tolerante, embora mais inflexível quando estou diante de injustiças ou situações inaceitáveis para minha consciência.

Meu pai querido, por mais que tenhamos sido grandes amigos e companheiros, é muito difícil não ter mais sua companhia para me confortar… sempre que faço algo de que me orgulho, penso em você e agradeço seus ensinamentos. Afinal, quem teve o privilégio de ser filho de um ser espiritual, cuja sabedoria está além dos livros sagrados, cujos exemplos são tantos e tão expressivos que não precisaria recorrer a nenhuma doutrina ou religião? Um Homem que nos encantou a todos pela sua simplicidade e bondade?

Pai querido, quisera acreditar que a vida não se encerra com a morte, que eu ainda terei o privilégio de te reencontrar, mas isso também seria trair os seus ensinamentos. O aqui e o agora são os únicos momentos conscientes e reais de nossa existência. E não precisei de um Mestre Zen para compreender essa verdade. Por mais que seja difícil saber, não tornaremos a nos encontrar, mas ainda guardo em mim a felicidade de tê-lo conhecido, de ter bebido na fonte de seus ensinamentos, de preservar em minha memória, enquanto eu existir, sua imagem, suas lembranças, suas palavras e seus ensinamentos. Não preciso de mais nada…

O Passar dos Anos

Aparados da Serra

O tempo é uma dimensão estranha para o ser humano… nos primórdios das eras, quando surgiram os Neandertais, e, depois, o Homo Sapiens, a percepção do dia e da noite foi a primeira constatação dos ciclos da vida. Sua alternância combinava as atividades do dia com os temores da escuridão e a necessidade do sono e repouso. Depois veio a percepção da Lua, aquele estranho halo que aparecia, alternadamente, como uma semi-esfera ou como um círculo perfeito de luz branca, suave, iluminando os caminhos e reduzindo a escuridão… perceberam, nossos ancestrais, que sua duração também era cíclica, como o dia e a noite, só que com maior duração: a cada sete dias, uma nova forma da Lua aparecia. Mais além, na formação do seu conhecimento, também notaram que o calor e o frio, a estiagem e as chuvas, se repetiam em outro ciclo mais amplo ainda… além disso, a própria vida humana tinha seus ciclos, desde sua formação no interior do corpo da mãe até o nascimento, o crescimento, a plena capacidade de sua força, o envelhecimento e a morte, enfim…

Essas noções primitivas foram as sementes do entendimento do significado do tempo para os seres humanos. Parece óbvio, mas cada sociedade construiu sua compreensão da vida em função do tempo: o período da caça, a maturação das lavouras, o culto às tradições e folclores, as oferendas às divindades, a formação e preparação do indivíduo para exercer seu papel na sociedade… tudo, enfim, passou a girar em função do tempo! A espontaneidade das atitudes se submeteram a normas construídas pelo papel do tempo na vida de cada ser humano. Porém, esses ciclos se sobrepunham, às vezes como visões complementares, outras como concorrentes e inadequadas para o entendimento. O ano de nosso calendário, por exemplo, foi construído sobre uma estrutura desconexa da duração dos meses com os ciclos da Lua, apenas porque o Sol ignora que a Lua demore 28 dias para girar em torno da Terra, e esta, mais preguiçosa, leva 365 dias para circundar o Sol…

Parece um jogo de palavras, mas muitas teorias sobre os ciclos da Vida foram construídas com base na lógica e alternância desses ciclos: 24 horas do dia, 7 dias da semana, 28 dias da Lua, 365 dias do ano solar…

Esse preâmbulo foi escrito apenas para tentar entender por que nosso aniversário é comemorado… nosso Ano Novo começa, de fato, no dia em que comemoramos nosso nascimento! O dia 1º de Janeiro é mera convenção, sem nenhum significado relevante. Na verdade, ele nem marca o início de uma das estações do ano, pois, em cada quadraante da Terra, as estações são diferentes. Também não pode ser a marca do início de um ciclo de giro da Terra em torno do Sol, pois esse início poderia ser estabelecido em qualquer ponto da órbita do planeta.

Porém, o dia de nosso nascimento marca, definitivamente, o início da vida de cada ser humano, diferentemente! Somos, na verdade, 365 grupos de pessoas com a mesma data de nascimento no mundo inteiro! Mera curiosidade? Nem tanto… a astrologia construiu sua cosmogonia a partir desse entendimento, mas criou 12 subdivisões arbitrárias para os signos do Zodíaco, igualmente arbitrárias como os meses do ano de nosso calendário juliano, buscando reagrupar as pessoas e suas diferenças e semelhanças conforme as “casas” ocupadas por esses signos no espaço sideral, embora não apenas isso.

Para mim, basta saber que hoje um novo ciclo se inicia em minha vida. Os ponteiros do relógio de minha vida deram mais uma volta e recomeçam a marcar o que ainda me falta para percorrer nessa longa caminhada. “Longa”? Nem tanto… somos frações do tempo geológico, tão insignificantes quanto os grãos de areia do deserto do Sahara… mas, para nossa precária compreensão, a vida é longa e o caminhar nem sempre é suave…

De certa forma, é um momento de reflexão em que podemos avaliar o trajeto já percorrido e redirecionar o caminhar para que nossas expectativas dêem sentido ao Existir. Olhamos para trás e vemos erros e acertos, sonhos mal construídos e não realizados, e árduas conquistas que nos alegram e nos motivam para  novas experiências. Percebemos o quanto a vida é efêmera, mas também nos alegramos de estar vivos e poder continuar a caminhada, de poder mudar o curso de nossa pequena história e mirar um novo ponto, ainda distante, em nosso horizonte. Isso dá sentido à vida e motivação para acordar a cada novo dia.

Hoje faço 64 anos. Não sou daqueles que se julgam importantes; sei de minhas limitações. Mas também não penso que minha vida transcorreu sem batalhas, sem conflitos, sem confrontos. Não. Lutei o quanto pude, dentro dessas limitações que apenas eu estabeleci para mim mesmo, venci algumas guerras, e perdi outras tantas. Enfrentei preconceitos e construí minhas convicções, minha ideologia, meus valores… Assumi posturas nem sempre confortáveis, mas desenvolvi a coerência de meu comportamento com base nesse arcabouço de conhecimentos seletivos que garimpei durante esses anos de caminhada. Sou o fruto dessas escolhas.

Por isso, olho para meu futuro e compreendo que já percorri bem mais da metade do caminho. Hoje tenho muito menos capacidade de lutar, fisicamente, para superar meus limites. Porém, estou bem mais preparado, intelectualmente, para defender meus pontos de vista e para comunicar, a quem se interesse, minha experiência de vida. Percebo o tempo como meu aliado, na medida em que já não me preocupo com o seu avanço constante, incontrolável, célere e inexorável. Nada posso fazer nesse sentido, e só me resta perseverar.

Portanto, meus amigos, sou fruto de meu passado, de minhas escolhas, das decisões tomadas e da percepção, correta ou equivocada, que me trouxeram até aqui. Não posso mudar o passado e não quero disfarçar meus equívocos, pois eles fazem parte de minha formação. Tenho grandes razões para ser feliz, mas não sei se a felicidade é um estado de espírito ou uma ilusão temporária. Não somos felizes, embora possamos estar, por breves momentos, naquele estado de prazer ao qual denominamos “felicidade”. Busco a paz interior, esse estado do espírito que não se importa com o que ocorre ao redor, pois apenas “somos” enquanto temos percepção do próprio “Ser”. E isso nada tem a ver com o Universo, com as pessoas, com as coisas materiais…

Agradeço àqueles que enriqueceram minha vida com suas presenças, com seu carinho, com suas próprias ideologias e contradições, com tudo aquilo que compartilharam comigo e que os tornaram parte de minha própria existência. E nesse mosaico incompreensível, que é a Vida, lá eu me encontro, apenas como um ponto imperceptivel. No entanto, é a conjunção de todos esses pontos que fazem esse mosaico nos parecer lógico, coerente, relevante e pleno em seu significado, embora apenas para cada um de seus componentes. O fantástico dessa teia é que cada um de nós faz parte de seu próprio e único mosaico! Por isso, o Universo não é único… infinitos são os universos dos bilhões de seres humanos, cada um compondo seu próprio mosaico do Existir…

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônicas

Recuso-me a falar de AMOR…

_JCF5319Enquanto houver miséria, injustiça, prepotência, arrogância, enquanto houver hipocrisia, vaidade, egoísmo, crueldade, recuso-me a falar de AMOR. Não porque soe piegas, mas porque é absolutamente inaceitável conviver com a falsidade… em nosso redor o que vemos é abuso de autoridade, corrupção, destruição da Natureza, genocídio de indígenas, exploração de trabalho humano e enriquecimento ilícito de políticos, empresários, multinacionais e falsos profetas de religiões messiânicas e fundamentalistas!

Houve um tempo em que eu pregava a revolução, o socialismo e o igualitarismo. Cheguei mesmo a me envolver com os movimentos políticos das décadas de 1960 e 1970, acreditando que o comunismo seria nossa redenção. Acreditava tanto nessa via socialista que me engajei de corpo e alma na luta contra a ditadura militar e contra os crimes praticados nos porões do DOI-CODI e do DOPS paulista. Coloquei minha vida nessa batalha perdida, que durou cerca de 21 anos e acabou com nossas lideranças.

No entanto, veio, finalmente, algo parecido com a Democracia, foi feita uma Constituição solidária com povos indígenas e quilombolas, criou-se mecanismos para que partidos socialistas se instalassem e ganhassem o poder. Ficamos todos eufóricos e elegemos LULA, o “sapo barbudo” e oPTei pelo Partido dos Trabalhadores, certo de que tudo mudaria nesse país. Ledo engano! Lula passou oito anos no poder e deu seu apoio incondicional ao agronegócio, às empreiteiras e mineradoras estrangeiras!

Vi o PT se desmanchar no MENSALÃO, vergonha nacional que o poder judiciário demorou quase DEZ ANOS para levar a julgamento, com um resultado insatisfatório, coberto de regalias e manifestações de “apoio e solidariedade” aos meliantes que roubaram nosso pais e cuspiram em nossa dignidade! Vimos os Zés (Dirceu e Genoíno) fazendo o gesto comunista, punho cerrado e braço esquerdo no ar, caminhando para a CADEIA como se fossem prisioneiros de guerra ou vítimas da ditadura militar!

Vi LULA, o sapo barbudo perder a barba e a vergonha na cara e eleger DILMA, a “gerente do PAC”, desconhecida e burra, subindo a rampa do Palácio da Alvorada, que deveria ser rebatizado como Palácio da Corrupção e do Entreguismo! Sim, DILMA entregou o país aos RURALISTAS AGROTÓXICOS, plantadores de SOJA e criadores de GADO! Nosso país virou a DESPENSA DO MUNDO, entregando nossas riquezas (OURO, FERRO, FLORESTAS, PETRÓLEO) a preço de BANANA e comprando BUGIGANGAS da CHINA a preço de DIAMANTE. Estamos entregando as FLORESTAS, os RIOS e as MONTANHAS para dar a melhor condição de vida aos nossos CLIENTES em troca da MISÉRIA de nossas populações marginalizadas pela pobreza!

Vejo, a cada dia, nossa população bestificada e alienada aceitar essas trocas imbecis, sem reclamar, sem perceber que estamos sendo espoliados, preparando o futuro de nossos filhos com a desgraça que virá quando nosso MEIO AMBIENTE estiver completamente degradado e imprestável até mesmo para CRIAR GADO, PLANTAR SOJA E CANA DE AÇÚCAR e EXTRAIR MINÉRIOS! E esse futuro não está assim tão distante como pensam esses cretinos que votam no PT: nossos netos já não terão lugar para viver com dignidade; nossos indígenas, a maior riqueza étnica do mundo, já terão sido extintos, dizimados pela miséria, corrompidos pela sociedade consumista e pelos empreendedores que constroem estradas e hidrelétricas na AMAZÔNIA!…

Então, por que falar de AMOR diante dessa tragédia anunciada? Por que insistir que “a vida é bela” se sabemos que vivemos uma tremenda ilusão de desperdício e consumismo desenfreado, alimentando a fome insaciável dessa civilização do consumo sem limites? Para que insistir acreditando que tudo vai mudar, que os movimentos sociais estão assumindo o poder, se sabemos que tudo é MENTIRA implantada pela mídia em nossos cérebros vazios de ideias e de altruísmo? Para que perseverar nessa luta entre DAVI e GOLIAS, que não terminará como nos textos bíblicos, mas sim em um esvaimento da seiva da vida que ainda corre nas veias de alguns poucos GUERRILHEIROS DO BEM? Cansei de lutar e de acreditar no SER HUMANO, essa estúpida criatura que não percebe que os verdadeiros tesouros estão na simplicidade da vida, na beleza da NATUREZA, no amor verdadeiro…

Recuso-me a falar de amor simplesmente porque já não acredito mais na salvação da HUMANIDADE e penso que os seres humanos precisam, urgentemente, ser banidos da face da Terra para que uma nova civilização ressurja e tente se livrar dos vícios de nosso passado, escrito com o sangue dos inocentes e construído sobre fortunas acumuladas dos saques dos pobres e oprimidos!

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônicas

MEU RUBI

Rosas-vermelhas-imagem-4Existem momentos inesquecíveis em nossas vidas, quando o mundo parece ter amanhecido apenas para nós, em que as flores se mostram mais belas, e o sol brilha com cores que somente nós podemos perceber. Para mim, esse momento aconteceu em um dia como hoje, há 40 anos, quando levei o meu amor para compartilhar a vida ao meu lado.

Era uma pequena capela, entre sete, em um bosque no Morro de São Bento. Ela estava deslumbrante, com aquele brilho que inunda a vida de alegria e admiração. Eu perdi a noção do tempo e das coisas, e meus olhos só viam aquela pequena menina que conquistou meu coração para sempre. MORY é o seu nome!

Lembro-me de um tempo mais distante, em que despertei para essa preciosa criatura, que modificou a minha vida para sempre. Já se passaram 47 anos… ela fazia as aulas se tornarem mais interessantes, a própria vida vibrando intensa naquela pequena criatura. E para mim ela reservou uma frase singela: “Para seu caderno, o meu nome; para você, toda minha sincera amizade!” (06 de outubro de 1966)

Mory, minha linda japonesinha, minha Tyo-Tyo-San, amor eterno que se fez presente nas mais importantes cenas de minha vida! Mory, a quem dediquei tudo que fiz de bom nesta vida!

Hoje completamos nossas Bodas de Rubi (ou de Esmeralda)!

O tempo passou depressa demais para nós, e as adversidades nos afastaram algumas vezes, cruelmente esmaecendo aquele sentimento sublime e eterno. Porém, o amor que jurei tantas vezes prevaleceu e nos conservou unidos por aquela “sincera amizade” que recebi pelas suas doces palavras, e que se gravaram para sempre em meu coração.

Mory, minha doce menina, amor de minha vida, mãe dedicada que me deu dois maravilhosos presentes, Luciana e Mônica, que iluminaram meu caminho e me trouxeram essas crianças encantadoras que, hoje, são a razão de meu viver: Nícolas e Eduardo!

Nada disso teria acontecido se, há 47 anos, minha querida Mory não tivesse escrito palavras tão doces e tão singelas… sim, pequenos detalhes transformam para sempre nossas vidas! Por isso, é essencial que esses sentimentos se manifestem no momento em que inundam nosso ser…

Obrigado, minha querida Mory, por existir, por compartilhar comigo sua vida, por ser tão encantadora e por me amar, como eu te amo! Que nosso amor seja eterno!

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônicas

Mensagem de Fim de Ano

Jardim de Maitreia - Chapada dos Veadeiros, Goiás

Jardim de Maitreia – Chapada dos Veadeiros, Goiás

Já nem me lembro de quantas vezes estive nessa região mística e encantadora… mas lá encontro a paz com que sempre sonhei, longe dos homens e de suas maldades. Porém, não consegui me estabelecer por lá, apesar de minha imensa vontade de viver mais simples, sem luxos, sem supérfluos, sem as ambições e contradições que a sociedade nos impõe…

Agora, chega mais um fim de ano, e as promessas e os votos de Paz, Amor, Fraternidade, estão presentes nas palavras vazias de um mundo que não tem mais jeito… as palavras não saem do coração… E nos iludimos com essas falsas promessas e até nos redimimos de nossos erros e de nossa tremenda omissão, como se deixássemos de ser os veículos do mal desse planeta.

Infelizmente, não é verdade… ainda que esses desejos fossem sinceros, pensamentos e palavras não movem o mundo, e logo um novo ciclo se inicia, sem que nada tenha transformado a essência de cada ser que habita esse pequeno universo chamado TERRA. Seguimos o mesmo caminho de erros, de desperdício, de ausência de qualquer sentimento que possa minimizar as terríveis diferenças que existem entre o discurso dos líderes e a VERDADE que separa ricos de pobres, poderosos dos humildes, tiranos de líderes verdadeiros. O mundo que conhecemos é injusto e desigual, como sempre.

De que adiantam, então, as promessas, as religiões, as nobres causas que defendemos, se a cada dia estamos mais perto do abismo intransponível que sucumbirá a nossa Civilização, como já ocorreu tantas vezes na História da Humanidade? Somos tão somente o pó do deserto, que os ventos espalham pela planície, completamente indiferenciados da paisagem que nos cerca…

Então, não façamos promessas vãs… não joguemos palavras ao vento… não desperdicemos o tempo na ilusão de que “dizer” é melhor do que “fazer”, pois a simples manifestação de desejos frágeis jamais os tornará realidade. Vamos assumir nossa verdadeira personalidade: injusta, cruel, desumana, egoísta, arrogante e prepotente, sabendo que caminhamos para a extinção como todas as civilizações que nos antecederam e desapareceram sem deixar senão vestígios de seu poder e de sua arrogância. O futuro não será diferente…

Talvez, um dia, uma tremenda catástrofe varra os homens da face da Terra, e nem o dinheiro, nem o poder, nem a vaidade, nem a ganância que caracterizam esse presente que tentamos tornar mais digno do que, de fato, é, nos salvará e nos redimirá dos males que causamos, não apenas a nossos semelhantes, mas a todos os seres vivos desse imenso paraíso que queremos ver destruído e transformado pela ambição de nos acreditarmos ser divinos…

Portanto, não desejo “Feliz Ano Novo” porque seria apenas mais uma hipocrisia…

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônicas

“Moço, me dá boas festas?”

03 - CRIANÇAS de RUA e cachorro

Quando eu ainda era criança era comum baterem à nossa porta, na época de Natal, com esse pedido curioso: “Moço, me dá boas-festas?”… na minha inocência de criança, ingenuamente, eu pensava: “Boas Festas!”. Mas logo minha mãe entrava e buscava um prato de comidas bem farto e entregava a cada um dos pedintes, que comiam com gosto e vontade, agradeciam e iam embora. E lá ficava eu com meus botões, analisando, à minha maneira infantil, por que algumas crianças tinham ceias de natal, roupas novas, presentes caros, enquanto tantas outras perambulavam pelas ruas à espera da generosidade de tão poucos.

Muitas décadas se passaram, o Brasil se transformou, vieram ditadores, caudilhos, demagogos, prometeram “dividir o bolo” depois de fazê-lo crescer… e então disseram para o povo que a miséria havia se acabado, e que agora o “papai noel” (aquele patético velhinho da Coca-Cola!) entregaria presentes em todas as casas, de ricos e de pobres, e que ninguém mais morreria de fome, e todos teriam suas casas, iriam à escola e teriam acesso a tudo o que a modernidade pode oferecer! Sim, é verdade! Já não vemos mais mendigos nas ruas e nas praças, não há mais crianças batendo em nossas portas e pedindo ”Moço, me dá boas festas?”… o Brasil é um país do 1º mundo!

É… infelizmente, não dá para mentir… nem para acreditar em papai-noel… tudo continua na mesma… apenas os pobres perderam o que resta de esperança, e os ricos perderam o pouco que lhes restava de solidariedade e hoje bateriam a porta na cara dessas “crianças inconvenientes”! Será que toda verdade é “Inconveniente”?

Mas lá, na cidade grande, as ruas estão ricamente enfeitadas, vendendo sonhos que só os ricos podem realizar! Imensos “papais-noéis” tocam trumpete, bateria e saxofone em uma jazz-band na Avenida Paulista, enquanto as prateleiras e vitrines dos shopping centers estão repletas de brinquedos, bugigangas eletrônicas e roupas caríssimas. Enquanto isso, nas grandes empresas, funcionários bem vestidos e bem-comportados combinam “happy-hours”, e trocam presentes de amigos secretos em festas de confraternização… e entre abraços e beijos até parecem amigos, de fato!

Con-frater-nizar: o ato de se juntar (ou de se reunir) como irmãos; comemorar.

Poucos se lembram das origens do verdadeiro Natal, aquele da cisjordânia, com muito deserto e nenhuma neve! Mesmo aqueles que se dizem cristãos e se ajoelham nos genuflexórios das igrejas cobertas de ouro, não se recordam das mensagens de paz, amor, igualdade e justiça de seu Cristo socialista, o homem “filho de Deus” que veio à Terra para salvar o seu “rebanho”; aquele que se imolou na cruz quando percebeu que sua missão tinha fracassado porque o povo não se importava com seus ensinamentos.

Existe uma certa hipocrisia no Natal: primeiro essa figura grotesca e de mau gosto do “papai noel” travestido de garoto-propaganda da Coca-Cola; depois, a ausência completa do sentido religioso das festas de final de ano; e depois, o egoísmo dos presentes caríssimos para os mais próximos e o esquecimento de que uma horda de seres sub-humanos se arrasta pelas ruas das grandes e pequenas cidades implorando pelos restos de comidas das comilanças, para matar sua fome! E todos terminam suas festas nababescas se abraçando e desejando reciprocamente um “Feliz Natal!”…

Passa o tempo, e o ano se acaba num carnaval fora de propósito ou numa bebedeira sem limites e inconsequente; alguns fazem promessas para cumprir no ano seguinte, e assim a vida se esvai… olhando para o passado distante percebemos que nossa sociedade pouco se difere das sociedades de castas da idade média, dos senhores e dos escravos, dos barões e da plebe ignara… uma minoria privilegiada e arrogante, expropriando um grande contingente de pobres e miseráveis acreditando que, um dia, terão sua recompensa nos céus dos esquecidos… triste ilusão que as religiões dos ricos levam aos pobres para que eles continuem abastecendo suas mesas e geladeiras com os prazeres que aos outros será sempre negado.

E, à nossa porta, à porta de nossa consciência adormecida, bate uma criança quase desnuda, rostinho sujo, olhinhos remelentos, pedindo, quase em súplica: ”Moço, me dá boas festas?”… só que já nos esquecemos o que isso significa, e fechamos a porta, voltando felizes e sem remorsos para a nossa festa!

BOAS FESTAS!