Opulência e Miséria – a História da Humanidade

A História da Humanidade não é apenas a história dos vencedores, como ficou registrado nos livros, mas também a história dos derrotados, dos escravizados, da opulência e da miséria. Mais do que isso, é a história das três forças que movimentaram o ser humano desde que se estabeleceu no mundo: a Aristocracia, as Religiões e o Poder Militar. Com eles, a maioria absoluta da humanidade foi escravizada e submetida às mais cruéis e degradantes condições sub-humanas de que se tem notícia.

Nos primórdios da vida humana na Terra, há cerca de um milhão de anos, os primeiros hominídeos eram semelhantes aos demais primatas, nômades, caçadores, coletores e selvagens, lutando apenas pela própria sobrevivência. Aos poucos, porém, se juntaram em grupos para enfrentar as adversidades de um mundo selvagem, cuja única regra era permanecer vivo, reproduzir-se e assegurar a continuidade de cada espécie. Ainda que não se saiba exatamente como e onde essa espécie se diferenciou dos animais, o certo é que, cerca de 10.000 anos atrás, esses grupamentos de hominídeos começaram a desenvolver técnicas que os diferenciaram dos outros seres vivos, como a produção do fogo, o uso de ferramentas e a fixação no campo através da criação de animais e do cultivo dos próprios alimentos.

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As primeiras grandes civilizações remontam a cinco mil anos atrás, quando gregos, egípcios e assírios começaram a construir seus impérios. Durante os milênios que se seguiram, um padrão de organização social se formou, com base nas hierarquias do poder, constituídas de uma casta política, militar e religiosa, que assegurava suas origens divinas e seu direito sobre a vida e a liberdade dos demais seres humanos, dominados por eles e submetidos às mais perversas condições de vida. A escravidão era uma regra, assim como as guerras de conquista e o mito de que os sacerdotes e os nobres tinham sua origem nas hostes divinas. Os escravos tinham, por regra, duas procedências: entre os cidadãos de segunda classe, endividados e submissos aos poderosos, e os povos de nações conquistadas nas guerras. Para as mulheres, era reservada apenas a posse de seus senhores e a submissão aos seus desejos.

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Desde então, muito pouco mudou na História do Mundo: Grécia, Egito, Roma, Babilônia, Assíria, Fenícia, Maia, Inca, Asteca, Judeia, Índia, China… na Europa, nos dois mil anos que se seguiram, surgem os Feudos Medievais, os Imperadores e os Reis, os Czares, o Clero e os Papas, todos apoiados pelo poder dos militares e das suas armas, ou pelos poderes celestiais das religiões. As classe dominantes usufruíam das riquezas e exploravam a miséria da população semi-escravizada, em uma sociedade impermeável às mudanças de substratos entre seus membros menos favorecidos pela sorte. Sempre um pequeno grupo dominante, detentor das riquezas e do poder, e uma imensa maioria de explorados e abandonados pela sorte, assegurando que essas minorias permanecessem ricas e poderosas.

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O que mudou depois de tantos séculos? Depois do período medieval, o mundo foi ocupado pelos poderosos Estados-Nação europeus, que dominaram a África, a América e o Oriente Médio, além do Sudeste Asiático e a própria Ásia continental. Esse domínio prevaleceu por vários séculos, passando pelas Reformas Religiosas, pelo Iluminismo, pela Revolução Industrial, enquanto a maioria absoluta dos povos era seduzida e submetida a esse poder desigual e injusto. Porém, a partir do século XIX, uma nova doutrina despertou os trabalhadores à consciência de sua situação degradante, mobilizou suas lutas e organizou os operários a enfrentar seus patrões em busca de condições mínimas de dignidade e respeito: a doutrina de Marx e Engels colocou fogo na Rússia Czarista, e, assim como a Revolução Francesa, decapitou a nobreza e deu início à Democracia Socialista. Porém, esse sonho de liberdade durou pouco, pois está no sangue do ser humano dominar seus semelhantes, escravizá-los e conservá-los na ignorância e na miséria.

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E por isso, apesar de grandes conquistas, a humanidade continua estratificada e cristalizada no mesmo tripé de poder que edificou o seu passado: a nobreza das cortes foi substituída pela classe política corrupta, pelo poder militar dos exércitos, e pelas religiões retrógradas e anacrônicas, em um mundo caracterizado pelas novas tecnologias e pela comunicação instantânea que eliminou distâncias, mas não mudou a mentalidade do povo, agora escravizado pela ignorância e pela subserviência. Novos ídolos populares alardeiam suas “teses teocêntricas”, inconcebíveis para qualquer cidadão que tenha um mínimo de cultura e racionalidade, enquanto a mesma tecnologia que encurtou as distâncias afastou o povo de suas raízes, calou sua consciência e subverteu seus valores, eliminando sua capacidade de análise e reflexão a respeito desse admirável mundo novo das Ciências, sepultou a Filosofia e calou os espíritos inquietos que revolucionaram o mundo no passado.

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Por quanto tempo a civilização ainda será sustentada pelas hordas de trabalhadores para manter tais elites no poder e na opulência, enquanto o povo permanece na escuridão e na ignorância de sua própria capacidade de mudar tudo, decapitando seus governantes e estabelecendo uma verdadeira Democracia? Provavelmente pelo resto dos dias em que essa sociedade apodrecida e caquética reinar neste planeta fadado ao desaparecimento. Quando os recursos naturais forem extintos pelo consumo desenfreado de tais minorias, quando a Terra não mais sustentar sua população desmesurada, quando a água, essência da vida, for insuficiente para saciar a sede da humanidade, provavelmente a Natureza dará a resposta aos seres humanos, alijando-os definitivamente da face da Terra… e o equilíbrio se restabelecerá. Talvez uma nova civilização apareça daqui a milhões de anos, ou talvez esse planeta seja extinto com todo sistema solar… mas em outros mundos pode ser que uma civilização viável, sustentável, possa ter encontrado um modo de viver justo, digno, razoável, equilibrado, pacífico e harmonioso… talvez, no entanto, e isso é mais provável, o surgimento da inteligência seja o fator primordial para que os mundos se destruam antes que os seres se convençam de sua igualdade diante dos demais seres vivos desse planeta…

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônica

A Mensagem e os Meios

Os dilemas e desacertos de um falso “mito” dessa “republiqueta das bananas”, onde as instituições se desfazem no maior “imbróglio” político e ético da triste História do Brasil, repleta de mentiras, bravatas, torturas e genocídios….

Segundo Marshall McLuhan, educador, intelectual, filósofo e teórico da comunicação, “O Meio é a Mensagem“… mas neste Brasil das oligarquias dominantes, da Escravidão, do Genocídio das populações indígenas, dos sucessivos ataques aos cofres públicos e das mentiras exaradas pelas personalidades públicas, não é exatamente assim… para eles, tudo é possível, dentro da ótica míope de governantes ineptos, de jornalistas submissos aos interesses das grandes mídias, de professores equiparados a garis e “baderneiros”, de pesquisadores ameaçados por uma súcia de malfeitores a serviço do “MITO e seus micos amestrados“… Há cerca de três anos, quando do esquisito e insustentável “impeachment” de Dilma, fomos levados ao paroxismo nas manifestações histéricas “em defesa da pátria” e do clamor de parte das massas pela volta da Ditadura Militar, aquela mais recente, de 1964-1985, quando milhares de pessoas (homens, mulheres e até mesmo crianças) foram presas e muitas delas torturadas, assassinadas e “desaparecidas”, apenas por serem tidas como suspeitas de “conspiração contra o regime militar”, sem que ninguém suspeitasse do terror que viria a seguir.

As eleições de 2018 foram marcadas por disputas jurídicas absolutamente inaceitáveis em um país republicano e democrático: o pré-candidato com maior percentual de apoiadores (Luiz Inácio “Lula” da Silva) fora excluído da disputa eleitoral pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, enquanto seu maior e mais improvável oponente, Jair Messias Bolsonaro (o “Mito”), usava dos artifícios mais desonestos (“fake news” em redes sociais, apoiadores “comprados” no Facebook, acusações falsas a seus oponentes, entre tantas outras baixarias) para assegurar sua “vitória”, sem que nenhuma das esferas do Poder Judiciário (STF, STJ, TSE) se manifestasse sobre esse desmantelamento das instituições democráticas, engendrado pelo próprio candidato e seus “garotos“, e apoiado, surpreendentemente, pela maioria dos empresários e dos “Supremacistas Brancos” (sim, eles também existem aqui!) deste país muito “estranho”! A eles se somavam os fascistas, adoradores das pistolas, revólveres, fuzis e carabinas, evangélicos de diferentes seitas e – PASMEM!” – mulheres, gays, negros e indígenas!!!

Pois bem, o “Mito” se elegeu e não decepcionou a nenhum de seus seguidores: começou a fazer uma “caça às bruxas”, identificadas essas como estudantes de nível superior, mestrandos, doutorandos, pesquisadores, filósofos, sociólogos, antropólogos, artistas e outros amantes da Cultura e do Saber Verdadeiro. A escolha de seu ministério comprova suas escolhas torpes e seus defeitos de caráter e de formação intelectual. Uma sucessão de trapalhadas, como seu medíocre discurso de seis minutos em Davos, diante do Mundo Civilizado, suas bizarras escolhas de ministros igualmente imbecis, como o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (designado para acabar com o MEIO AMBIENTE e apoiar o agronegócio), o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo (de medíocre histórico no Itamaraty e “discípulo” de Olavo de Carvalho), os ministros da Educação: primeiro, o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, e depois o economista Abraham Weintraub (ambos nomeados por ordem do guru do “mito”, Olavo de Carvalho, que não tem nível superior e não reside no Brasil), e a hilária “ministra” da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que, mesmo tendo sido acusada de “sequestrar” e adotar uma criança indígena, à revelia da família, passou a ser responsável pelo destino dos Povos Indígenas do Brasil, comandando a Fundação Nacional do Índio… e tantas outras lambanças, exaustivamente denunciadas pela imprensa “livre”…

Agora, depois de suas trapalhadas tragicômicas que paralisaram o país por seis meses, em sucessivas crises políticas e embates espúrios contra o Congresso e a Justiça, parece que seu “arsenal de boas ideias” (com todas as ressalvas) chegou ao fim… se a inflação, os juros e o dólar se mantiveram estáveis, da mesma forma (e no lado oposto do espectro dos resultados) o desemprego continua em mais de 12% da população (índice oficial, que não contempla os subempregos, da ordem de mais 13%) e a Economia permanece estagnada, em provável recessão (já com um PIB negativo para o primeiro semestre), evidenciando um cenário alarmante, ainda que a reforma da Previdência seja aprovada. Para surpresa de todos, o Ministro da Economia só agora sinaliza para medidas a serem enviadas ao Congresso para combater o desemprego e a recessão… mas este ano e os próximos três da gestão fascista-liberal já foram prejudicados, e essas medidas só teriam efeito a médio e longo prazos, quando já estaremos envoltos nas névoas de outro processo eleitoral suspeito, obscuro e vicieado.

Finalmente (“last, but not least”), depois desse preâmbulo, chegamos aos fatos recentes, denunciados pela revista eletrônica “The Intercept Brasil”, que afirmou estar de posse de um grade volume de informações acerca de Moro (o Juiz “Mito”), da Procuradoria Geral da República (através de sua equipe da Operação Lava Jato) e da grande imprensa. Segundo “The Intercept”, as relações promíscuas entre o juiz e os promotores-acusadores de Lula sinalizavam questões nada republicanas de indução de linhas investigativas voltadas à aniquilação da imagem pública de Lula (que terminou seu segundo mandato com mais de 80% de aprovação) e à condenação do ex-presidente! Denúncias que, se forem verdadeiras, trarão à tona o maior escândalo de discriminação ideológica e de parcialidade jurídica de que se tem notícia, fora dos regimes totalitários de Vargas e dos Generais de 64!.

Curiosamente, porém, ao invés de se abrir uma investigação para verificar se as denúncias são verídicas, organizam-se a Polícia Federal e a Procuradoria Federal, por ordem do próprio elemento sob suspeição, o Ministro Moro, para tentar descobrir as fontes das denúncias contra ele mesmo! Ou seja, outra anomalia nada republicana… e para nosso espanto, a imprensa, que nunca foi isenta (mas deveria ser), passa a alternar as diferentes interpretações dessa página vexatória da História de nosso país, fomentando o debate, não da veracidade e dos impactos de tais denúncias, mas sim da disputa entre acusações (da Revista) e acusados (da Justiça)… O que é o mais importante, afinal: o MEIO ou a MENSAGEM? O que vale a pena investigar: o Juiz Sérgio Moro e suas relações promíscuas com Procuradores Federais, ou a fonte dessas denúncias, provavelmente de origem ilícita, mas não necessariamente mentirosas?

Estamos, portanto, diante de um dilema insuperável: ou deixamos de acreditar em MITOS e assumimos nosso próprio papel no destino, ou esse país se degenera em escândalos sucessivos e extremos, ora culpando a “ESQUERDA COMUNISTA”, ora tentando ocultar as mentiras do FASCISMO que se avizinha cada vez mais de nossa realidade pública. Somos uma nação de analfabetos funcionais, submissos a religiões messiânicas (inevitável a analogia) e a super-heróis desprovidos de caráter… de qualquer modo, nosso “mito” está NU, assim como nossa “democracia”… se é preciso uma revolução, ela jamais poderá ser feita pelas ARMAS mas sim pela nossa dedicação absoluta à CULTURA! O resto é APENAS demagogia… __________________________________________________________

NOTAS

1. Sobre a “sucessão de trapalhadas”Confira 36 trapalhadas dos primeiros 100 dias do governo Bolsonaro

2. “O Meio é a Mensagem” – fonte: Wikipedia

3. Empresários financiaram disparos em massa pró-Bolsonaro no Whatsapp, diz jornal “El País”

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônica

Avatar, Gaia e a Impermanência do Eterno

Em tempos de trevas, os maus espíritos se destacam na mediocridade dominante. A desconstrução do Universo e sua impermanência, contudo, evocam a insignificância das civilizações no contexto divino, e nos remete à relatividade dos conceitos humanos e da própria vida na Terra.

Revisitando “Avatar” (o filme) tive a sensação inevitável do dèja vu na construção do Conhecimento Humano. Afinal, onde se situam o Tempo e o Espaço na infinitude desse vazio que nos cerca desde os tempos imemoriais do nosso pequeno planeta? Basta refletir sobre o Tempo, medida relativa às rotações da Terra em torno do Sol, nossa pequenina e insignificante estrela, que poderia ser destruída pelo simples fato de que a duração, ainda que relativa, do ano terrestre nunca foi a mesma desde que as partículas e fragmentos do Universo se solidificaram nas formas que hoje reconhecemos, dezenas de bilhões de anos depois que o suposto e improvável evento do Big Bang teria ocorrido… sempre nos perguntaremos: o que havia antes do Universo se formar? O que existirá depois que o Universo se extinguir?

“Pandora” seria o mundo perfeito, não fosse a ambição de outros povos, os humanos terrestres, que, tendo destruído seu próprio mundo pela exploração devastadora dos recursos naturais, foram em busca de outro Paraíso para, da mesma forma, explorar e devastar. Em “Pandora”, onde habitavam os Na’Vi, que adoravam a Deusa da Vida, Eywa, a Natureza quase intocada se relacionava através da conexão vital entre todos os seres vivos. As trocas de energia entre os seres vivos eram a ligação primordial que assegurava o equilíbrio desse mundo quase perfeito. Qualquer alteração nesse equilíbrio poderia acabar com os Na’Vi.

Há muito tempo, nós, humanos terrenos, quebramos esse vínculo perfeito entre os componentes da Natureza exuberante que herdamos, expondo as entranhas da Terra à exploração predatória causada pela ambição. A cada dia, mais nos aproximamos do ponto sem retorno, do desequilíbrio entre os componentes vitais e a civilização a que demos origem há menos de um milhão de anos. Enquanto os efeitos desse momento fatal se manifestam na perda irrecuperável das condições de vida na Terra, a concentração de riqueza e poder nos leva a outro ponto perigoso, onde as hordas de miseráveis irão se rebelar contra os poderosos.

A dúvida que resta é se esses dois polos da mesma disputa se encontrarão a tempo de salvar o planeta, ou se a vida na Terra se extinguirá, dando início a um novo ciclo de criação, talvez dando origem a novos seres menos ambiciosos e mais próximos do conceito dos Na’Vi. Seria essa a salvação do planeta? Ainda que sim, não seremos nós, ou melhor, nossos descendentes que herdarão a nova Terra, mais próxima de Gaia e de “Pandora”. Na primeira hipótese, como se comportarão os vencedores, aqueles miseráveis que hoje se avolumam na população desse pequeno globo terrestre fadado ao desaparecimento, seja qual for o prato da balança que penderá em favor da humanidade? Poderiam se redimir dos erros do passado, ou estariam contaminados demais pela ambição de seus algozes? Seria uma nova humanidade, ou apenas a repetição de nosso passado terreno?

Fato é que, justamente nesses miseráveis oprimidos se sustentam as teses reducionistas de religiões retrógradas e incapazes de buscar a solução de Pandora (a Deusa), “a que possui tudo, a que tudo dá, a que tudo tira”. Os gregos criaram deuses para todas as situações, qualidades e defeitos dos seres humanos. Talvez por isso sua civilização tenha se tornado a mais venerada, a raiz da Filosofia, a fonte de todo saber humano contemporâneo. As outras civilizações se auto-destruíram, sempre pela ambição incontrolada, vítimas de suas próprias fraquezas.

Resta-nos constatar que nosso mundo caminha, inexoravelmente, para a extinção, não importa qual caminho seja o escolhido. Antes, porém, cada ser humano se extinguirá a si mesmo, e também não importa qual a sua contribuição para o destino da humanidade, quais as suas crenças, quais os seus deuses e seus livros sagrados. Se hoje vivemos tempos de trevas, nossas escolhas assim o determinaram. Algumas terão consequências imediatas, e nós pagaremos por elas em vida, enquanto outras se abaterão sobre nossos filhos e netos, os herdeiros de todo mal praticado por nós, não importam, mais uma vez, nossas crenças e religiões.

Jamais a Ciência Humana atingirá a maturidade suficiente para esclarecer os segredos do Universo, nem mitigará os males causados pela devastação que causamos a nossos semelhantes. Seremos sempre vítimas e algozes de nossas escolhas, e a felicidade terá sido tão efêmera que não suportará a duração de uma simples vida. Todos nascemos, crescemos, sofremos e fazemos sofrer… e, simplesmente, morremos

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônica

Revisitando o PAÍS DOS MENTECAPTOS (2018)

Passados 200 dias da ascensão fascista ao poder no Brasil, na figura desse ser ignóbil, é difícil elencar todas as asneiras proferidas por aquele que foi eleito por 57 milhões de brasileiros, tamanha é a coleção de “joias da cultura (de botequim) da sociedade brasileira”!

Esse ser inominável e desprezível era admirador de Carlos Alberto Brilhante Ustra, que foi um coronel do Exército Brasileiro, ex-chefe do DOI-CODI do II Exército, um dos órgãos atuantes na repressão política, durante o período da ditadura militar no Brasil, e que também era conhecido pelo codinome Dr. Tibiriçá. Esse energúmeno foi o responsável por prisões arbitrárias, torturas, estupros e assassinatos ocorridos depois do Golpe Militar de 1964. Entre as vítimas desse violento e cruel algoz da ditadura, constam a ex-presidente da República Dilma Vana Rousseff e a jornalista Miriam Azevedo de Almeida Leitão, esta última presa, torturada e estuprada quando estava grávida.

“Tudo isso que está aí” é a expressão predileta da ignorância do supremo mandatário, oriundo das fileiras das Forças Armadas, de onde foi aposentado compulsoriamente enquanto servia, como capitão e paraquedista do Exército Brasileiro, quando tramava atentados terroristas contra quartéis e de onde deveria ter sido expulso, sem honras e sem glórias. Depois de 28 anos como deputado federal (sem nenhuma contribuição relevante para a Nação), seu único legado foi uma sucessão de besteiras preconceituosas e agressões inomináveis a mulheres, gays, negros, indígenas e miseráveis (“que não existem” no país desse imbecil). Curiosamente, foi justamente entre os generais que o embusteiro foi buscar apoio político para compor seu estranho ministério…

O que nos surpreende é que nesses 57 milhões de votos encontram-se mulheres, indígenas, negros e membros da comunidade LGBT, justamente aqueles desprezados e humilhados por este presidente da república. O que explicaria “tudo isso aí”, ou seja, o que motivou tais pessoas a escolherem o pior ser humano disponível, diante de tantas alternativas certamente melhores e mais qualificadas? Afinal, seu principal reduto eleitoral está entre evangélicos, inimigos do PT e do Socialismo, truculentos amantes das armas, latifundiários do agronegócio, radicais da extrema direita brasileira e neofascistas que se julgava reduzidos a poucos indivíduos depois de 21 anos de ditadura!

Essa estranha tendência mundial pelo neoliberalismo de direita foi confirmada em vários países da Europa nas eleições dos últimos anos, e seria explicada por uma rejeição aos partidos de esquerda que não souberam “capitalizar” (curiosa palavra) as conquistas sociais e o crescimento econômico e tecnológico experimentado na segunda metade do século XX, justamente em decorrência do fim da Segunda Guerra Mundial e das ditaduras militares latino-americanas, que teriam deixado sequelas permanentes na Humanidade, mas também possibilitaram o surgimento de democracias emergentes e a efetivação de pactos sociais refratários ao Capitalismo perverso e selvagem dos anos do pós-guerra. O pêndulo ideológico fez seu retorno à direita e à globalização, igualmente incapazes de evitar crises econômico-financeiras que paralisaram a Economia mundial por várias décadas.

O fato é que essa nefasta mistura entre Ideologia, Religião, Economia e Oligarquias Dominantes sempre resultou em regimes de força e estimulou guerras violentas ao longo da História. E no Brasil não foi diferente: nos anos 1930-1945 tivemos a ditadura de Getúlio Vargas, truculenta e contraditoriamente enaltecida por suas conquistas sociais; depois, nos anos 1964-1985, as ditaduras militares de Castelo Branco, Costa e Silva, Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo, quando a violência se justificava por um projeto econômico representado por grande crescimento econômico (o “milagre brasileiro”) seguido do endividamento do país perante o FMI (Fundo Monetário Nacional).

A ascensão do republicano e bilionário norte-americano Donald Trump à presidência dos Estados Unidos também surpreendeu o mundo por suceder a dois mandatos consecutivos do admirável Barack Obama, negro de origens africanas, liberal e democrata, de comunicação fácil e brilhante, que, mesmo com a forte oposição do Congresso, conseguiu fazer importantes reformas sociais nesse país que idolatra as armas, as guerras e a supremacia branca, e que é profundamente preconceituoso e arrogante em suas políticas internacionais. É justamente nesse exótico representante do fascismo e do neoliberalismo radical que nosso inculto presidente foi buscar “inspiração” e apoio político. Foi também nos Estados Unidos da América que Bolsonaro encontrou seu “guru” expatriado: Olavo de Carvalho, que nunca cursou uma Universidade, teve uma carreira bizarra como “Astrólogo” antes de se autodenominar “Filósofo” e criticar todos os que ridicularizavam suas “teorias” medievais, como a da Terra Plana e outras cretinices…

Pois este bizarro e contraditório personagem tupiniquim não apenas conquistou a presidência, mas impôs aberrações políticas inaceitáveis ao Povo Brasileiro, como sua obsessão pelas armas, seu desrespeito às normas democráticas, seu sectarismo fanático por estranhos mitos (este sim, absurdos) como da Terra Plana, do “direito” do cidadão de matar quem invadisse suas “propriedades” (usurpada dos verdadeiros donos, os indígenas), da “Escola sem Partido” e da Educação banida de Paulo Freire e de quaisquer intelectuais de esquerda, da desconstrução dos Direitos Sociais, dos “direitos” dos latifundiários a serem ressarcidos por seus atos criminosos contra o Meio Ambiente (com dinheiro oriundo de doações internacionais para reduzir o desmatamento), pelo seu descrédito a instituições memoráveis como o IBGE, a FioCruz, as Universidades Federais, o INPE, o IBAMA, o ICMBio, e tantas outras barbaridades que apenas evidenciam o total despreparo e a incompetência desse indivíduo para exercer quaisquer cargos ou funções públicas.

Se abominamos os descalabros praticados pelo PT e todos os demais partidos políticos desse país (ressalvados aqueles raros políticos que se mantiveram distantes das falcatruas das últimas três décadas de redemocratização e reordenamento jurídico da Nação Brasileira), o que dizer de um político que afirma que seu filho Eduardo, o “Número Três”, tem qualificações para assumir o cargo mais desejado da diplomacia brasileira, mesmo sem qualquer familiaridade com a complexa teia de conhecimentos que envolve a carreira diplomática, antes respeitada internacionalmente, ou ao proteger seu outro filhote, o “garoto” Flávio, o “Número Um”, envolvido em acusações de corrupção, prevaricação, enriquecimento ilícito e vinculações com a Milícia Carioca, inclusive no escabroso caso do assassinato de Marielle Franco, ou ainda de seu filhote Carlos, o garoto “Número Dois”, responsável pela vergonhosa “campanha” do pai, através de massiva publicação de Fake News nas redes sociais do Twitter, Facebook, Instagram e WhatsApp, além de supostas compras de curtidas produzidas pelos hackers internacionais e outros “Influenciadores Digitais”, certamente responsáveis pelo “sucesso” eleitoral desse candidato FAKE, em uma campanha suja contra outros candidatos, certamente muito mais qualificados para exercer o cargo máximo de nossa Nação.

Triste concluir afirmando que os próximos anos serão tenebrosos, obscuros e repletos de decisões torpes e contrárias à edificação da Nação Brasileira. Há que se abominar o uso de expressões como “Pátria”, que representa apenas o fanatismo militar pela posse de territórios e pelo “amor” ao Hino e à Bandeira Nacional, símbolos obsoletos e que tornam medíocre a verdadeira expressão de dignidade de um POVO, caracterizado pela sua Cultura, sua Língua, suas Tradições, seus Costumes, seu Folclore, suas Instituições Democráticas, sua diversidade Étnica, sua Justiça Social, sua Natureza (com sua Biodiversidade preservada) e tantos outros atributos que documentam a sua Evolução Histórica.

Que eu não sobreviva o suficiente para constatar as terríveis desgraças que ainda estão por vir…

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônica

As múltiplas faces do Neofascismo (2018)

Em tempos de obscurantismo ideológico e religioso é preciso desmistificar alguns “MITOS” que rondam a sociedade contemporânea e ameaçam a evolução e a sobrevivência da Humanidade. Hitler, Mussolini, Pio XII e Bolsonaro são figuras que se apropriaram dessa corrente radical e flertaram com o MAL SUPREMO: a AMBIÇÃO DO PODER!

É inquestionável que, depois da Globalização, as teorias progressistas que marcaram o final do século XX começaram a ruir, dando espaço ao renascimento do NaziFascismo, fundamentado pelas ideologias de extrema direita, pelo apoio militar e pelos interesses menores das igrejas populistas e fanáticas como os evangélicos. Nos últimos dez anos, a extrema direita ganhou espaço em várias democracias europeias, nas ditaduras do Oriente Médio e no Extremo Oriente, e, para nossa surpresa e estupefação, naquele que se autodenomina a base da Democracia mundial, os Estados Unidos da América. Parece que uma febre de fanatismo tomou conta da população, apavorada pela decadência do Capitalismo e pela miséria que se alastrou pelo mundo em decorrência do desemprego, das guerras fratricidas e das religiões ortodoxas. A intensa migração de refugiados dessas guerras na África e no Oriente Médio colocou a Europa em estado de alerta pelas imensas hordas de miseráveis que passaram a desafiar, inclusive, o extremo risco de atravessar o Mediterrâneo em busca de um acolhimento humanitário que, na maioria das vezes, não aconteceu.

Fenômenos extremistas, como o surgimento da Al Qaeda, Boko Haram, Estado Islâmico e Talibã, evidenciam o envenenamento dos espíritos com base na interpretação radical das Escrituras “Sagradas” de religiões muçulmanas, mas também de outros grupos que, aproveitando o caos social e a fragilidade das comunidades ao ataque suicida, passaram a atormentar e aterrorizar a Europa, os Estados Unidos e mesmo países outrora relativamente pacíficos, como o Iraque, Afeganistão, Índia, Paquistão, Filipinas, Somália, Turquia, Nigéria, Iêmen e Síria. Quais seriam as causas de tamanha violência contra pessoas inocentes? Por que a religião fomenta esse terror contemporâneo? O que justifica que forças tão antagônicas quanto estranhas entre si reúnem atos extremos e desprovidos de uma ideologia em diferentes partes do mundo? O que atrairia pessoas, aparentemente normais, a praticar atentados tão violentos e cruéis, até mesmo com a perda da própria vida, em nome de “Escrituras Sagradas”?

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Praticamente 12,5% da população do mundo não possui uma religião, ou seja, cerca de 935 milhões de ateus. No entanto, não são estes que se engajaram em grupos terroristas, mas sim aqueles que professam uma religião e acreditam que existem “Livros Sagrados”, supostamente ditados pelas divindades ou escritos por “Profetas” que teriam vindo à Terra para fundar uma religião. O surpreendente é que as religiões deveriam pregar a Paz, o Amor incondicional, a Fraternidade Universal e a não violência. Sabe-se, pelo estudo da História, que a violência sempre existiu desde tempos imemoriais, mas somente em tempos “modernos” ela adquiriu essa ferocidade contra indivíduos inocentes, não vinculados a partidos políticos, muitas vezes pessoas que nem mesmo professam as mesmas crenças daqueles que fundaram o grupo de terror, e até mesmo sem saber por que matavam inocentes em países distantes de suas origens e mesmo sem falar a língua dos seus comandantes.

Que papel teriam, pois, as religiões no desenvolvimento dessas teorias fanáticas de louvor à violência, da imolação pelo fogo ou pela autodestruição em nome do “Senhor”? O que move os seres humanos a idolatrar figuras tão nefastas, quando suas próprias crenças pregam o amor e a fraternidade? Em que momento da História nasceram tais perversões ideológicas que não apenas permitem, como também incentivam o ódio indiscriminado, e as práticas mais selvagens de assassinatos coletivos, tais como as antigas oferendas dos povos primitivos, que viam no sacrifício de virgens o meio de aplacar o ódio dos deuses? Chineses, Celtas, Vikings, Maias, Astecas, Incas, Egípcios… são incontáveis as histórias de extermínio, por métodos os mais diversos, e sempre com extrema crueldade, apenas para satisfazer supostas divindades, resgatar a fartura de alimentos e comemorar as vitórias em conflitos bélicos contra seus inimigos. Mas sempre havia uma crença “mágica”, religiosa, por detrás desse comportamento humano, sem paralelo no mundo animal.

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Pois foi, justamente, nas hostes da Igreja Católica que o Fascismo foi engendrado e floresceu durante a “Santa Inquisição”, onde mulheres eram queimadas vivas nas fogueiras, acusadas de bruxaria, sem direito à defesa. Giordano Bruno, um monge dominicano, teólogo, filósofo, matemático e escritor do século XVI foi condenado à fogueira por confrontar os “dogmas” da Igreja Católica e defender a Teoria Heliocêntrica de Copérnico, acusado de Heresia e outros “erros teológicos”! Entre o século XI e XV as Cruzadas Católicas percorreram os campos europeus em direção à Terra Santa e à cidade de Jerusalém, com o objetivo de conquistá-las, ocupá-las e mantê-las sob domínio cristão. Em seu longo período de existência, as maiores atrocidades foram cometidas em nome do Deus cristão. Ao longo da História, a “Santa Igreja Católica” cometeu crimes incompatíveis com seu caráter civilizatório e de catequese dos povos “pagãos”. Quem não professasse a mesma doutrina seria sumariamente eliminado, contrariando a mesma fé que alimentava a religião.

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Durante a Segunda Guerra Mundial, foi notório o apoio do Papa Paulo VI ao Nazifascismo de Hitler e Mussolini, convalidando a maior tragédia da Humanidade, com seus 70 milhões de mortos e os irreparáveis danos à Economia e aos monumentos históricos destruídos pelos bombardeios ininterruptos por mais de cinco anos. Mas o que seria essa “doutrina”? Em que ela se fundamentaria, afinal? Poderia ser, simploriamente, chamada de Ideologia? Ou seria apenas a ascensão de um “MITO”, com ideias radicais e uma personalidade deformada e doentia, capaz de mobilizar toda uma população em suas ambições incontroladas de conquista e poder totalitário? Por que razão a Humanidade jamais conseguiu se livrar dos falsos profetas das religiões fanáticas, ou de comandantes militares que sobrepõem seu poder bélico aos verdadeiros interesses e valores das sociedades democráticas, implantando métodos medievais de tortura para obter falsas confissões de prisioneiros políticos, apenas por discordarem de suas convicções primitivas?

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Passados cerca de dez mil anos de Civilização, a Humanidade ainda não evoluiu o bastante para banir, definitivamente, a violência de seus “métodos” de impor a vontade de um déspota aos interesses maiores da Sociedade na qual se insere. Hoje somos cerca de sete bilhões e meio de pessoas ocupando, de forma irresponsável, o planeta, consumindo drasticamente os recursos naturais, e ameaçando severamente a existência da própria humanidade, em decorrência dos efeitos do Aquecimento Global e as consequentes Mudanças Climáticas que, a cada dia, se tornam mais evidentes e irreversíveis. Curiosamente, depois de anos de conquistas sociais e grandes esforços por interromper os efeitos deletérios do desmatamento e da emissão de CO² e metano, o retrocesso político-ideológico ameaça reverter as políticas públicas e a legislação ambiental vigentes.

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O Brasil poderia ter sido a referência mundial de políticas ambientais bem sucedidas, sem prejuízo de seu parque agrícola, sem sucateamento da política industrial, com ganhos de produtividade responsáveis e preservação da maior floresta equatorial do mundo, mas o retrocesso político-ideológico está matando essas possibilidades. Com um crescimento populacional descontrolado, com o aumento da pobreza e do desemprego, com a concentração cada vez maior das riquezas mundiais em favor de uma minoria privilegiada, poderíamos ter sido a fonte da maior riqueza futura, que são as florestas, os rios e aquíferos, a fauna e a flora supostamente inesgotáveis; no entanto, estamos perdendo a possibilidade de conquistar a liderança mundial pelas políticas ambientais, e inviabilizando nossas futuras gerações. E tudo isso por uma escolha infeliz de um fascista incompetente e despreparado para gerir um país de dimensões continentais, um imbecil que não sabe distinguir o Público do Privado, e acredita que seus rebentos são pessoas qualificadas para conduzir a Nação Brasileira para um futuro próspero e feliz. Pelo contrário, está se construindo um BUNKER de incompetentes e malfeitores, que professam crenças medievais e pretendem ser os “donos da verdade” e os “arautos” da honestidade, quando há evidências de seu envolvimento com as milícias e com o enriquecimento ilícito.

O Fascismo se baseia apenas em um “mito”, um grupo de fanáticos e na exploração da ingenuidade de um povo ignorante que “compra” as ideias macabras desses falsos profetas do Apocalipse. O fascista cria suas próprias “verdades”, as quais impõe a seus seguidores, e as transforma em novos mitos, que justificam suas ações tresloucadas. Surpreende-nos constatar que 57 milhões de eleitores tenham conduzido essa criatura desprezível para o cargo máximo da Nação Brasileira, divulgando promessas de venda e porte irrestrito de armas de fogo, militarização das escolas infantis, perdão de crimes ambientais, liberdade plena de expansão do agronegócio em detrimento de nossas reservas naturais, salvo-conduto a garimpeiros e madeireiros, inclusive em territórios indígenas, desvirtuamento de uma política trabalhista construída desde a ditadura de Vargas, nos anos 1930-45, desmonte das instituições públicas federais, com o apoio do Supremo Tribunal Federal, onde foram implantados ministros como Gilmar Mendes (que já é conhecido como o “salvador de corruptos”), Alexandre de Morais e Dias Tóffoli, cujos currículos jamais poderiam justificar suas nomeações para os cargos máximos da Justiça Brasileira, dentre tantas barbaridades que se tornam públicas diariamente pela verborragia presidencial.

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Tudo isso em nome de uma “pureza” ideológica e um ódio alimentado pela “Operação Lava Jato” contra o Partido dos Trabalhadores, quando se ignorou que praticamente todos os partidos políticos estavam comprometidos com crimes de “colarinho branco”: suborno, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, corrupção generalizada, etc… o que constatamos nesses oito meses de mandato do fascista Jair Bolsonaro e sua turma? As mesmas práticas imorais e antiéticas, a mesma safadeza de políticos, sempre vinculados aos seus próprios interesses mesquinhos, o mesmo “toma-lá-dá-cá” que caracterizou a política brasileira desde os tempos do Colonialismo Português.

O neofascismo é uma infecção generalizada que toma o corpo de uma Nação e o faz apodrecer, sempre através de mentiras, dogmas, falsas ideologias e falso moralismo. Para esses psicopatas, tudo é permitido, desde que aprovado pelo seu “mito” doentio. Não se questiona suas falas caricatas, nem suas decisões contraditórias. Aceita-se tudo, mesmo quando isso diz respeito a duzentos milhões de seres humanos, a maioria dos quais sem preparo intelectual para compreender a gravidade dos atos que mudarão o destino de nossa Nação. É isso que está acontecendo ao Brasil, “Pátria Amada, Salve, Salve”, onde o slogan máximo é “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”! Será isso mesmo que queremos para nossos filhos?

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônica

A apologia do ódio e o ocaso de uma Nação (2018)

Quando o atual presidente mobilizou seus milhões de fanáticos e conseguiu se eleger, mesmo existindo tantos nomes melhores e mais qualificados, ninguém (nem mesmo seus adeptos fascistas) imaginou a dimensão da tragédia que se avizinhava para nosso povo. Agora, caídas as máscaras, nos defrontamos com a pior crise institucional por que passamos, desde o fim da ditadura militar de 64.

Na breve existência humana neste planeta, somente há cerca de 2,5 milhões de anos teria surgido o primeiro humano (“homo habilis”); depois, há 1,8 milhões de anos surgiu o “homo erectus”, nosso primeiro ancestral hominídeo… mais recente, há cerca de 500 mil anos surgiu o “homo neandertalis”, sendo que há apenas trezentos e cinquenta mil anos teria surgido o “homo sapiens” , parente mais próximo de nosso povo atual. O “homem moderno” (“homo sapiens sapiens”) é ainda mais recente e surgiu “apenas” há cerca de cinquenta mil anos… Porém, para cada ser humano, apenas o breve período de sua curta vida importa, restrito a poucas décadas, e limitado pelas suas próprias restrições intelectuais, seu parco conhecimento da história que o antecedeu, desde o surgimento do homem na Terra. Porém, mesmo como seres sofredores desse “vale de lágrimas”, como pregam o novo e o antigo Testamento cristão, jamais nos conformamos com a crueldade que caracterizou nossas vidas passadas, fôssemos nós os faraós, os reis, imperadores, tiranos, déspotas, ditadores, presidentes, bispos, papas, pastores ou quais fossem os rótulos que os distinguiam do cidadão comum, do povo, da plebe ignara, dos homens das ciências, dos executivos das empresas, de outras pessoas de qualquer espécie, às quais subordinamos nossas vidas, e de quem dependemos para sobreviver.

Passaram-se oito meses apenas, cerca de 240 dias desde a posse desse ser rancoroso, perverso, egoísta e repleto de “verdades” próprias, coberto de “certezas” que sequer compreendemos onde ele as teria encontrado, mas que afetaram profundamente nossas vidas, algumas até de forma irreversível em suas consequências nefastas e abomináveis, como todas as falas desse maníaco radical e desprezível. Ainda que seja impossível compreender por que tantos aceitam e apoiam seus atos horrorosos, por fim compreendemos que somos os único responsáveis por sua ascensão ao cargo máximo desta Nação, bem como pelas consequências advindas de seu poder abominável sobre nossas vidas e de nossos filhos.

Ainda que admitamos que uns poucos neste desgoverno insano insistam em cometer o “sacrilégio” de acertar em suas raras decisões, o balanço final será trágico, inevitavelmente, seja nas questões ambientais, sociais, políticas, educacionais, culturais, filosóficas ou científicas. Estamos retrocedendo em todos os setores do conhecimento humano, destruindo décadas de articulações, negociações, regulamentações, acordos, decisões e transformações sociais em busca de uma democracia que nunca existiu nesse planeta. Trata-se de uma “política de terra arrasada”, como aquela de Adolf Hitler e seus marechais, ao marchar pelas planícies soviéticas visando destruir aqueles povos, e que, ao fim dos combates, resultaram em 70 milhões de cadáveres e numa explosão demográfica sem precedentes (“baby boom”) e uma economia mundial em frangalhos por décadas.

Ainda que queiramos encontrar boa vontade, mesmo em um ser ignorante e tosco como Bolsonaro, é impossível não admitir que tudo que ele faz é errado, é sujo, é nojento, determinado a aniquilar tudo o que se conquistou nesses trinta e poucos anos desde a ditadura militar de 1964-1985. Nem mesmo Vargas ou Médici conseguiram ser piores do que a maldita “famiglia” Bolsonaro, com seus números UM, DOIS e TRÊS, apoiados por militares de alta patente, políticos lambe-botas e puxa-sacos de última hora, dispostos a ganhar sua “beiradinha” de vantagens, e reeditando aquela “velha política” que prometeram enterrar, mas que persiste em corroborar seus malfeitos, sem nenhum constrangimento.

Mas o que mais nos apavora é a omissão de toda a sociedade, que finge não lhe dizer respeito se o Brasil vai se acabar em apenas um mandato, ou será necessário um segundo tempo para aniquilar de vez com tudo aquilo que caracteriza uma verdadeira Nação: seu Povo, seus Silvícolas, sua Cultura, seu Saber, suas Instituições mais valorosas, suas Riquezas Naturais, sua Dignidade, sua Ética e sua Honra, seu arcabouço Legal e sua Constituição; tudo isso conquistado com esforço e trabalho, muito sofrimento, torturas, terror e angústia dos verdadeiros Heróis tombados nos campos de batalha das Ideologias, das Contendas Intelectuais, dos Parlamentos Democráticos, que são a Fundação essencial de qualquer Povo. Sem isso, uma pátria é apenas um território (um espaço físico), uma bandeira e os soldados, representando o Poder pela força das armas, e não das Ideias…

O que não sabem, ou não se apercebem, é que, neste planeta, são bilhões os miseráveis, centenas de milhões os pobres e “remediados”, mas apenas poucos os ricos, abastados e mesquinhos que nada compartilham de si para eliminar tais diferenças, tais injustiças, e redimir o sofrimento da humanidade. Pois, paradoxal é o fato de que essa imensidão de renegados é que assegura, aos poucos privilegiados, a riqueza e a luxúria, pagas com sua miséria, sua ignorância, sua sede e sua fome… O que restará deste Brasil quando esse ciclo de terror se acabar, e nossas florestas estiverem extintas, juntamente com toda sua riqueza, sua vida selvagem, seus Povos da Floresta, suas Culturas e seu Saber Ancestral? O que será de nosso povo quando sobre a Nação prevalecer a ignorância e a estupidez de falsos profetas, falsos filósofos, falsos mentores que incutiram, em nossas crianças, uma imensidão de besteiras que só um astrólogo expatriado e fracassado poderia engendrar e espargir nas mentes doentias desses déspotas medíocres que se aboletaram no poder?

Estou, com certeza, na última década de minha existência. A mim, pouco importaria se esse país se incendiasse, aniquilando toda beleza natural que tive a felicidade e o privilégio de conhecer, enquanto apenas desertos vazios permanecerão nas savanas devastadas daqueles que sobreviverem. Pouco me importaria se o agronegócio fracassasse, porque já não haveria água suficiente para irrigar sua soja e alimentar seu gado, ficando apenas com seus campos imensos, secos e monótonos, cobertos de monoculturas entediantes e inúteis. Pouco me importaria o futuro dessa Nação se nela eu não tivesse plantado minhas próprias sementes de amor, criado minhas filhas e cuidado de meus netos, agindo, sempre que possível, com cordialidade, generosidade e humildade, em minha luta incessante e desinteressada pela Justiça e pela Paz, produzindo meu trabalho de forma honesta e digna, independente de cargos e recompensas. Simplesmente porque sou ateu e marxista, acredito no Bem, na Justiça e Igualdade entre os seres vivos, e amo a Natureza com suas belezas e riquezas incomensuráveis, e estou morrendo, assim como todos aqueles que se dedicam a construir, em lugar de destruir, como faz esse imbecil, com sua “corte verde-oliva” e seus micos amestrados, alçados ao poder por uma rede de intrigas, de mentiras, de conchavos, de conluios, de interesses escusos e ambição desmesurada…

Porém, muito mais me surpreende e entristece constatar que todos os brasileiros, bons ou maus, também morrerão à míngua, sem tempo para se arrepender, por terem sido omissos, coniventes e alienados, por terem compactuado com mentiras, falsidades, e a demagogia sibilina desses “ídolos de barro” que se instalaram covardemente no poder…

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônica

O Ogro está nu… (2018)

… e ejaculou fezes diante de um mundo perplexo e escandalizado com a mediocridade de um governante raivoso e despreparado para conduzir uma nação…

Foto: o Brasil do futuro…

Dificilmente as exportações brasileiras não serão afetadas pelo surpreendente discurso belicoso e retrógrado proferido pelo Presidente da República, diante da plateia de representantes das 193 nações que fazem parte da Organização das Nações Unidas. Estupefatos pela quebra de protocolos, pelo furor e ódio declarados pelo capitão-mor, assistido pelos seus lacaios, falou apenas para seus adeptos e não para a comunidade internacional, e quebrou uma tradição diplomática do Brasil na abertura anual dos trabalhos da ONU… em vez da usual e esperada atitude de reconciliação, um típico discurso de campanha eleitoral que o conduziu ao cargo máximo da nação brasileira.

Pela repercussão mundial de seu discurso, o agronegócio já contabiliza futuras perdas de exportação e grandes dificuldades que terá para negociar com seus parceiros europeus. Nesse momento trágico da história, acredita-se que capital estrangeiro escasseará ainda mais, enquanto a Economia não reage, mesmo com a aprovação da reforma da previdência e dos esforços de um ministro da economia enfraquecido pelos reveses e sem alternativas “mágicas” para salvar o que resta de nosso país. Caminhamos, inexoravelmente, para o abismo das incertezas, da estagnação econômica, do isolamento da comunidade internacional e da perigosa degradação de nossos biomas, substituídos por campos de soja, pastos e latifúndios desoladores do agronegócio. Em lugar de florestas majestosas, monoculturas intermináveis, desertos verdes de grãos, e 200 milhões de bois arrotando metano…. Só o arroto do boi equivale a 69% dos gases estufa liberados no Cerrado… a área de pastagens no Brasil supera 160 milhões de hectares: 18,8 % de todo território nacional, muito superior às áreas preservadas pelas unidades de conservação (cerca de 12%) e das terras indígenas (13,5%).

Enquanto isso, o radicalismo ideológico continua desmontando as instituições públicas, transferidas para as mãos de adeptos do radicalismo ideológico dos adoradores do presidente e do fanatismo religioso, anti-indígena e antiambiental de seus seguidores. A devastação da Amazônia e do Cerrado prossegue a passos largos, estimulada pelas falas inconsequentes do mandatário maior, deixando para trás o rastro desolador da paisagem monótona dos imensos campos de soja e grãos, e dos intermináveis pastos de gado produzidos pelo agronegócio. Devido à perda da biodiversidade, a disponibilidade de água no Brasil se reduzirá drasticamente, trazendo a carestia e o fim do império dos latifúndios e do próprio agronegócio. A indústria segue sucateada e sem perspectivas de redenção, pelo abandono causado por uma política suja e inepta do grupo que tomou o poder, e das falas cada vez mais raivosas do presidente, proferindo impropérios e vomitando ódio a todos que não comungam das mesmas ideias e crendices medievais.

O que será do Brasil depois de tanta ignomínia incendiária dessa Ku Klux Klan tupiniquim, que não desiste de sua doutrinação fanática e fascista? O que será das gerações vindouras, vítimas inocentes desse holocausto do qual não participaram, mas que os sufocará, inexoravelmente, em sua maturidade intelectual? O que será dos trabalhadores, dos idosos e dos intelectuais que sobreviverem à perseguição ideológica e não puderem deixar o país, desencantados e sem esperança? O que será de nossas florestas tropicais, da riquíssima fauna e dos soberbos rios e aquíferos, devastados pela desmesurada ambição de oportunistas, enriquecidos ilicitamente pela sede insaciável de ocupação e destruição de reservas ecológicas e de terras indígenas legitimamente criadas depois de muita luta e trabalho por demarcação? O que será de nós, reles mortais, desprovidos de poder e influência para interferir nos rumos da política, sem recursos para viver no exterior, fugindo dessa tresloucada “experiência” advinda dos “gurus” ideológicos que ressuscitaram das catacumbas medievais e dos infernos assombrosos do passado mais torpe de nossa história?

O futuro é incerto e tenebroso, mas nossa resiliência talvez nos salve dos desmandos e da insanidade de um grupo de oportunistas raivosos, que se utilizam de seus “livros sagrados”, interpretados da forma mais chula, tentando mudar o pensamento e o modo de vida de mais de duzentos milhões de pessoas dessa terra “abençoada por Deus e bonita por natureza”…

Ainda assim, não percamos a esperança de sobreviver e retornar à razão… quem sabe, um dia, voltaremos a ver o sol nascer no horizonte, e nossa terra ainda tenha pessoas, animais, florestas, quilombolas e indígenas… e seres pensantes, inteligentes e livres para refazer suas vidas e reconstruir uma Nação Livre, Soberana, Solidária, Honesta e Digna, não para uns poucos adoradores do demônio das religiões pentecostais, mas para toda a sociedade! Não podemos permitir que isso se repita ao fim de quatro anos, reconduzindo esse ser desprezível ao poder… é preciso e urgente que nos organizemos, tendo como bandeira a Legalidade, a Justiça e o Estado Democrático! É imprescindível encontrar um Líder verdadeiro, um Estadista competente e culto, sem máculas e sem ambições de poder, para nos guiar de volta à Democracia Social…

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônica

Democracia & Liberdade: o que está em jogo? (publicado em outubro de 2018)

Durante 21 anos o Brasil foi amordaçado por uma feroz ditadura militar, que calou as vozes dissidentes, prendeu inimigos do regime, torturou e assassinou aqueles que queriam apenas Democracia e Liberdade. Até mesmo jornais conservadores e líderes religiosos que colaboraram com o golpe de 1964 foram submetidos à censura e ao terror de um regime violento e cruel. Foram os ANOS DE CHUMBO, mais de duas décadas durante as quais quase todos os países latino-americanos viram seus filhos sendo massacrados por governos totalitários e cruéis. Nesses tempos de horror, muitas famílias perderam seus entes queridos, levados na calada da noite para as dependências de tortura, como o DOPS, o DOI-CODI, a CASA AZUL de Marabá/PA, a Casa de Sâo Conrado/RJ, a Casa da Renascença/BH e a CASA DA MORTE em Petrópolis, além dos Centros de Tortura da Marinha (CENIMAR) e da Aeronáutica (CISA), todos comandados por cruéis torturadores, como o Coronel Brilhante Ulstra (do DOI/CODI), e sob orientação da CIA norte-americana.

Quando, finalmente, o Brasil recuperou a liberdade, em 1985, e promulgou a Constituição em 1988, pensávamos que estaríamos livres para sempre do terror e do ódio que os militares implantaram em nossa sociedade. A Comissão da Verdade, durante anos, tentou esclarecer todos os abusos e Crimes contra a Humanidade praticados pelos generais e seus asseclas. Porém, a Liberdade nunca foi irrestrita, e as sombras do terror continuaram a pairar sobre nós, sempre que uma crise institucional ou política recaía sobre o país. Mesmo durante os governos petistas, a cada mudança social que se tentava implementar, em busca da Justiça Social, havia o temor constante de que os militares saíssem dos quartéis e voltassem a tomar o poder.

Porém, agora, com as eleições majoritárias de 2018, quando a corrupção foi devassada, quando toda sujeira do poder foi despida diante do povo, quando a Justiça começou a alcançar os poderosos da República, surge uma aberração chamada “Bolsonaro”, empunhando armas, simulando execuções em massa, prometendo extraditar a Esquerda política para Cuba, jurando acabar com todas as conquistas sociais e ambientais, destilando ódio e preconceito contra negros, índios e gays, separando a sociedade entre os raivosos e poderosos do agronegócio e velhas raposas corruptas do passado, do verdadeiro povo brasileiro, honesto e trabalhador, dividindo a Nação entre os “novos” ocupantes do poder e seu séquito de tresloucados, o Brasil se vê diante da possibilidade de enterrar de vez a jovem Democracia que nasceu em 1988, trazendo de volta seus algozes (torturadores), prometendo ser mais cruéis e desumanos que seus antecessores, tendo como únicas diretrizes a força, a violência, a arrogância e o terror!

Não se trata, porém, de uma simples troca de comando político, mas de um retrocesso radical em todos os setores da sociedade: educação, saúde, economia, cultura, meio ambiente, setores produtivos e relações sociais… o candidato chegou a afirmar que “o povo era mais feliz há cinquenta anos”, um saudosismo da violência dos militares contra o Povo! Seus preconceitos jogam por terra várias conquistas sociais, como o respeito pelas minorias, a proteção do Meio Ambiente, os acordos internacionais firmados pelo Brasil, a Justiça independente, e até mesmo os direitos indígenas, assegurados pela Constituição de 1988!

Talvez a população jovem, por ignorância, não conheça a História do Brasil, e não acredite que tenha havido uma ditadura sanguinária e feroz, pois até mesmo o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Tóffoli, se vendeu aos militares ao afirmar que “prefere dizer que houve um movimento de 64” em vez de um violento golpe militar que calou a boca do povo por 21 anos de barbáries! Porém, isso não justifica o “prestígio” desse capitão reformado que só não foi expulso da Aeronáutica por condescendência dos militares, pois ele mesmo, Bolsonaro, afirmou pela imprensa que tentou explodir o quartel onde servia.

O que aconteceu com o Povo Brasileiro? Por que até mesmo os empresários e latifundiários apoiam esse ser execrável, horroroso, ignorante e totalmente despreparado para comandar uma das maiores nações do mundo? Como podem acreditar em suas mentiras, apoiar seus preconceitos, estimular suas lorotas e promessas de tortura, violência e radicalizações na Economia, prometendo até entregar nossas riquezas naturais para que empresas e governos estrangeiros venham para cá explorá-las em benefício próprio e não da nossa Nação? Que papel terá sido determinante nesse estranho resultado, além da manipulação descarada das mídias sociais, através de mentiras veiculadas em contas do WhatsApp e do Facebook? Teria, nossa sociedade, se deteriorado de tal forma, a ponto de perder suas próprias referências e aceitar esse monstro simplório como modelo para governar o Brasil?

Estamos à beira de um abismo sem retorno. Caso essa expectativa, alimentada pelas pesquisas eleitorais e estimulada por uma imprensa vendida ao agronegócio, se confirme, o Brasil perderá, definitivamente, seu lugar na História contemporânea e, em poucos anos, seremos equiparados aos países mais atrasados do mundo, seja na Economia, seja na Cultura, seja na Educação… e a culpa será de todos: eleitores e partidos políticos, que não souberam enfrentar essa ameaça inaceitável! Alguns, por incompetência, outros por egoísmo, outros ainda por ignorância ou inapetência pelos destinos da Nação. No entanto, com certeza, todos que se omitiram serão responsabilizados pela História, mas seu arrependimento não será suficiente para reverter essa desgraça nacional chamada “JAIR BOLSONARO”!

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônica

Ideologia, democracia e outros saberes escusos

Falar de Ideologia em um mundo imerso em disputas mesquinhas é fingir que qualquer das partes tem razão, enquanto o “outro” é sempre o culpado de todas as mazelas humanas. Enquanto isso, o relógio biológico da Terra se aproxima do instante fatal em que a escassez de água e de alimentos nos forçará a um sacrifício que todos temem imaginar: a população da Terra precisará se reduzir aos níveis de 1900 para poder capitalizar os benefícios do desenvolvimento científico e tecnológico e salvar o planeta. Haverá paz no mundo antes da hecatombe mundial? Teremos condições de ocupar novos planetas habitáveis antes que a Terra entre em colapso? Estaremos preparados para viver em paz e encontrar soluções para a superpopulação e a perda da biodiversidade de nosso mundo antes do minuto fatal? Certamente, a resposta a essa indagações é, pura e simplesmente, “Não!”. A Terra não sobreviverá a tamanhos desperdícios e devastação!…

Tomo a liberdade de revisitar certos conceitos, apenas para refletir: o que está em jogo nas eleições deste ano no Brasil? Não vou me restringir a definições acadêmicas, e nem me submeter aos crivos dos ideólogos da Política, pois o que pretendo com esse debate é, pura e simplesmente, discutir os destinos de nossa Nação depois de 2018. Vivemos tempos estranhos, na opinião de um ministro do STF, na medida em que conceitos políticos tradicionais já não cabem na situação esdrúxula em que se meteu o Brasil. Ainda assim, tentarei ser didático, embora sem me ater a definições convencionais.

Apenas para contextualizar meu pensamento, quero recordar nossa herança de exploração dos escravos, de dizimação das populações nativas, de ditaduras sanguinárias e golpes palacianos, de conchavos políticos obscuros e corrupção dos valores éticos, sempre vinculados ao processo civilizatório que nos trouxe ao século XXI. O Brasil, antes de se tornar uma nação, já contribuía, ainda que à revelia, para o enriquecimento da Europa, através de saques, tráfico de escravos, extração de madeira, cacau, ouro e pedras preciosas, e do genocídio sistemático das populações indígenas, que dizimaram mais de 90% das etnias que aqui habitavam antes da chegada da esquadra de Cabral.

Entramos no século XX (abreviando a História, pois esse não é o escopo desse artigo), com já quase 90% de nossas florestas tropicais devastadas. A Amazônia ainda se mantinha relativamente preservada graças às dificuldades de acesso e à vastidão de seu território. A escravidão havia se acabado, mas os povos negros, mestiços e índios continuavam sendo tratados como rejeitos desprezíveis dessa sociedade elitista, que comandava a política e a economia dessa nova nação brasileira. A Segunda Guerra Mundial e a Ditadura Vargas acirraram ainda mais os preconceitos étnicos, enquanto o Brasil capengava na categoria de país terceiro-mundista, expressão forjada pelos Estados Unidos da América do Norte durante a “guerra fria”, os verdadeiros vencedores dessas batalhas que envolveram toda a Europa, Ásia e parte do continente africano e península arábica.

O Capitalismo ressurgia na Europa que sobrevivera da guerra, sob o poder dessa nova potência emergente (EUA), embora seu conceito como doutrina econômica provenha da Revolução (Política) Francesa e da Revolução Industrial (Inglesa), aquela quanto aos conceitos estruturantes da sociedade em sua relação com os meandros da política interna, esta como responsável pela grande transformação provinda do processo de industrialização das atividades produtivas. Se Marx vivesse hoje, talvez não tivesse construído sua teoria econômica e política, não teria havido socialismo nem marxismo, e o mundo viveria, em sua plenitude, o sonho americano do Welfare State. Pura abstração!

É curioso observar que os rótulos forjados sobrevivem mais do que os conceitos a eles atribuídos. Não fora assim e hoje não atribuiríamos ao socialismo a denominação estranha de “Esquerda”, da mesma forma que não chamaríamos de “Direita” àqueles que defendem o Capital como valor primordial de qualquer sociedade democrata. Observando a sociedade contemporânea, pouco resta a exigir das reivindicações trabalhistas que levaram à constituição do sistema socialista dos países do Leste Europeu, da China, de Cuba e de outros países que se alinhavam, até 1988, à antiga União Soviética. Seria a Democracia condicionada apenas ao sistema de livre mercado? Onde estaria, pois, a Ideologia, se o ideal humano sempre foi a liberdade ampla e irrestrita de pensamento?

Fato é que persistem na Inglaterra contemporânea a Câmara dos Comuns e a Câmara dos Lordes, denominações estas cunhadas no início do século XVIII. De modo análogo, a “direita” simbolizava os simpatizantes de Napoleão Bonaparte (e se sentavam à sua direita), enquanto à esquerda se colocavam os simpatizantes da Revolução Francesa. É, portanto, um anacronismo atribuir as expressões esquerda-direita às correntes ideológicas marxismo-capitalismo, até por que, nos dias atuais, todos os regimes se confundem nas práticas do capitalismo global. Esquerda e direita se tornaram símbolos de oposição política na Europa monarquista e em dias atuais.

À parte esses termos obsoletos, consideremos, então, os valores atribuídos a essas duas correntes do pensamento político no século XXI. Aqueles valores pregados por Karl Marx já não se aplicam ao mundo contemporâneo. Já não existem as minas de carvão e os sistemas escravagistas de produção nos moldes dos séculos XVIII e XIX. Muitas conquistas foram feitas pelos trabalhadores, reduzindo o desequilíbrio nas relações trabalhistas entre patrões (cada vez um conceito mais difuso e superado) e empregados (agora empoderados por complexas legislações que regulam essas relações).

Países tradicionalmente socialistas, como a Rússia, a China, os países da “Cortina de Ferro” na antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) extinta em 1988, o Vietnam, a Coréia do Norte e Cuba se adaptaram à economia de mercado para sobreviverem. A estatização da Economia mostrou-se um equívoco insustentável, assim como a estrutura burocratizante dos países socialistas soviéticos. Hoje, na China, existem filiais de símbolos do Capitalismo, como a rede de lanchonetes Mc Donalds, bem como diversas fábricas de procedência americana, japonesa e europeia, que se aproveitam dos baixos custos de mão-de-obra dos países socialistas, onde existes fortes subsídios para os trabalhadores, talvez a última herança dos regimes fechados do comunismo internacional, para reduzirem seus custos e aumentarem sua participação no mercado internacional.

No entanto, apesar dessa “customização” dos regimes socialistas, restam sobreviventes desse “ancient règime” as nações contemporâneas que insistem em afirmar sua divergência ideológica com as nações do ocidente, mais bem-sucedidas que aquelas cuja herança socialista se preservou no mundo oriental, como a Rússia (em permanente crise econômica), China (que, embora tenha se capitalizado, ainda preserva seu sistema de governo centralizador totalitário) e Coreia do Norte (igualmente uma tirania), que sobrevive de subsídios da China e da Rússia, que ainda teimam em afirmar seu regime herdado da Teoria Marxista-leninista. Lamentavelmente, as experiências socialistas dos últimos dois séculos se tornaram ditaduras violentas, conforme o conceito de “ditadura do proletariado”, termo cunhado por Joseph Weydemeyer, e adotado por Marx e Engels. No entanto, essa ditadura nunca foi conduzida pelo proletariado, mas pela nova aristocracia dominante.

E como caracterizar diferentes correntes ideológicas do mundo contemporâneo, se a dicotomia esquerda-direita, socialismo-capitalismo, ou estado revolucionário versus democracia social fracassou? É preciso refletir sobre o tema sem paixão e sem radicalismos. A atitude revolucionária de transformar a sociedade em busca de sistemas igualitários permanece válida e atual. No entanto, é difícil dissociá-la das ideologias antigas, uma vez que os partidos de esquerda sempre reivindicam a pluralidade ideológica enquanto lutam pelo poder, mas imediatamente a rejeitam, ao assumi-lo.

O Socialismo Soviético apoia governos totalitários como o da Síria, fomentando a guerra fratricida, conforme sua práxis totalitária. Da mesma forma, a propalada “Democracia Americana” serve de cortina de fumaça para ocultar interesses escusos, negociações inconfessáveis e venda de armas e munições a países em conflito nas inúmeras guerras regionais que persistem no mundo atual, principalmente no Oriente Médio. Nessas relações contraditórias, prevalecem os interesses econômicos às razões humanitárias. Não existe solidariedade nem ideologia quando se trata de exercer o poder para se obter vantagens econômicas e militares neste xadrez político das nações.

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As grandes potências mundiais, capitaneadas pelas coalizões Rússia-China (e seus “satélites” do Sudeste Asiático) versus Estados Unidos-Europa (principalmente França, Inglaterra e Alemanha), têm como força motriz de sua hegemonia hemisférica os interesses meramente econômicos e militares, esquecendo-se que o mundo carece de paz para sobreviver às grandes transformações climáticas e de escassez crescente de recursos naturais, agravada pelo crescimento populacional. Nessa guerra não declarada, os argumentos ideológicos deixam de ter significado, prevalecendo o poder econômico e militar sobre as questões humanitárias e de sobrevivência do ser humano na Terra. Nesse contexto de conflitos generalizados e não-ideológicos, quem perde é apenas a humanidade.

Diante do exposto, falar de Ideologia em um mundo imerso em disputas mesquinhas é fingir que qualquer das partes tem razão, enquanto o “outro” é sempre o culpado de todas as mazelas humanas. Enquanto isso, o relógio biológico da Terra se aproxima do instante fatal em que a escassez de água e de alimentos nos forçará a um sacrifício que todos temem imaginar: a população da Terra precisará se reduzir aos níveis de 1900 para poder capitalizar os benefícios do desenvolvimento científico e tecnológico e salvar o planeta. Haverá paz no mundo antes da hecatombe mundial? Teremos condições de ocupar novos planetas habitáveis antes que a Terra entre em colapso? Estaremos preparados para viver em paz e encontrar soluções para a superpopulação e a perda da biodiversidade de nosso mundo antes do minuto fatal? Certamente, a resposta a essa indagações é, pura e simplesmente, “Não!”. A Terra não sobreviverá a tamanhos desperdícios e devastação!…

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônica

A Ditadura Ruralista

Poderíamos também chamá-la “A Ditadura dos Latifundiários”! O fato é que uma minoria que detém privilégios medievais e representa menos de 2% da população brasileira domina o Congresso Nacional, que deveria ser do POVO, caso vivêssemos, de fato, em uma DEMOCRACIA, e determina os destinos de nossa Nação. Isso, diante dos olhos de toda população brasileira, atônita, ignorante e apática! Isso, diante dos olhos do Poder Judiciário, omisso e inoperante, e que deveria ser o baluarte do Estado de Direito e da Democracia.

Falo, é óbvio, da fragorosa derrota da inteligência contra a burrice, da aprovação de um projeto indecente que permitirá a eliminação de 50% da Floresta Amazônica, esse arremedo de código florestal que só beneficia os poderosos, escondidos covardemente em sua máscara de defensores dos pequenos agricultores do Brasil. Falo dessa excrecência legal que anistiará todos os crimes cometidos contra nossa maior riqueza, o Meio Ambiente, que agora estará exposto e vulnerável a novas investidas da motosserra contra o que resta do Cerrado e da Amazônia. Já na expectativa desse assalto, os ruralistas aumentaram, só em Mato Grosso, em 96%, a devastação do pouco que resta naquele estado do Blairo Maggi…

Quem perde nesse “negócio entre iguais” (aqueles que se acham “mais iguais do que os outros”) é a Nação Brasileira, é o Povo Brasileiro, são as gerações vindouras, que não terão direito aos recursos naturais que herdamos de nossos pais e que estamos usurpando de nossos filhos! Os estúpidos ruralistas não percebem que esse “tiro no pé” os atingirá também, e muito mais breve do que se imagina… as mudanças climáticas já são evidentes em todo o planeta, e serão aceleradas agora, no momento em que as mais importantes conquistas ambientalistas são jogadas na latrina da História do Brasil.

Justamente no momento em que o Mundo toma consciência do desastre ecológico que se avizinha, no ano em que se realizará no Brasil a “RIO+20 – Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável”, o Brasil dá esse terrível passo em falso e entra na contramão da História, demonstrando que não somos dignos de nos considerarmos uma Nação Contemporânea, Moderna, comprometida com a preservação da vida no planeta. Demonstramos que somos ainda subdesenvolvidos intelectualmente e não somos dignos de compartilhar da Comunidade Internacional. Todos os esforços diplomáticos para nos alçar à categoria de Nação do Primeiro Mundo, de liderança desse processo único da História, foram definitivamente perdidos.

O mais irônico é que estamos destruindo nosso maior patrimônio: os recursos naturais! Pouquíssimas são as nações que podem se comparar ao Brasil em riquezas naturais: biodiversidade, geodiversidade, solos férteis, água em abundância… e estupidamente querem esses traidores da pátria acabar com tudo e nos transformar em uma imensa terra devastada pela SOJA, pelo GADO, pela CANA DE AÇÚCAR, pelas valas escavadas das montanhas, pelos rios poluídos e mortos, servindo a interesses inconfessáveis dos ruralistas, das mineradoras, das madeireiras e de toda corja de políticos corruptos, seus porta-vozes.

Pois essa ditadura é muito pior do que a DITADURA MILITAR que esfacelou com a sociedade brasileira nos anos 60 e 70 do século passado. Aquela era ideológica, nefasta como todas as ditaduras, mas passou; e o povo brasileiro se recompôs das tragédias, das perdas de vidas humanas. Esta, a Ditadura dos Ruralistas, demonstra que somos incapazes de preservar um estado de direito, de justiça social e de respeito ao cidadão e à Natureza, e seus efeitos serão sentidos para sempre, inexoráveis, irreversíveis…

Apesar de todas as manifestações de intelectuais, ambientalistas, cientistas e especialistas em meio ambiente, o Congresso demonstrou que não é digno do povo que o elegeu, e que o povo não é digno para escolher corretamente os seus representantes. Essa é a falência de nossa parva “democracia” e a ascensão definitiva da classe abastada e ignorante ao poder. Enquanto isso, os abestalhados magnatas do gado e da agroindústria estarão festejando essa Vitória de Pirro, acreditando que o tempo lhes será favorável para usufruir do que nos foi roubado, à luz do dia e dos holofotes da imprensa nanica que temos em nosso país. Nem mesmo os jornalistas são dignos de respeito, pela sua omissão e indiferença.

Que o futuro tenha pena de nós…

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônica