A Alma flutua no espaço

No imponderável interstício das galáxias, as almas de todos os seres do Universo se movem, aleatoriamente, sem consciência de si mesmas, como partes dos arquivos ‘acásicos’1, que perpetuam o Conhecimento acumulado através dos séculos… tempos eternos…

Já não possuem identidade nem razão de ser próprias, apenas existem, como fragmentos celulares de um imenso sistema universal. Compõem o Saber anônimo das Galáxias. Na imensidão dos vazios intergaláticos essas “almas” são a essência do Ser que se forma a partir do nada, na pulsação interminável do desconhecido…

Conceitos terrenos e humanos, como ‘de onde vim’, ‘por que existo’ ou ‘para onde vou’ perdem o significado, assim como a própria existência de um ‘Deus’, um ser superior, onisciente, onipresente e todo poderoso. Apenas nossa mente finita poderia conceber a existência de deuses… no Universo, isso não faz sentido.

Aqui transcrevo outro texto de Rúben, uma antevisão da Eternidade na qual, agora, seu espírito se dissolveu para sempre:

Se Deus existe, é razoável supor que todas as existências do Universo são decorrentes de sua vontade e criação. Também é justo concluir que, antes de existir o Universo, certamente, apenas Deus existiria.”

Portanto, no ato da Criação do Universo, algo se transformou na própria essência de Deus, do qual emanaram todas as forças (energia e matéria) que deram origem a tudo que existe depois do ato da Criação.”

Portanto, é também razoável supor que a criação do Universo se fez pela dissolução desse Ser Infinito em bilhões, trilhões, n’lhões de partículas, corpos celestes, éter e tudo o que compõe a Infinita Essência de Deus.”

Como cada uma dessas infinitas partículas do Universo e, portanto, fragmentos de Deus, não tem senão consciência de si mesma e do pequeno universo que a cerca, é também de se supor que Deus, ao criar o Universo, perdeu a consciência de si mesmo e se dispersou nos infinitos fragmentos de consciência que nos permitiram existir.”

Sendo assim, a plena aceitação da existência de Deus nos faz supor que a ele não poderemos nunca recorrer, pois somos apenas e tão somente parte de sua própria essência, parte dessa incomensurável consciência que busca, por fim, se recompor, para reconstituir a unicidade de Deus. Por que teria Deus, então, se dissipado no Universo?”

Talvez porque, sendo uno, nada mais lhe restava conhecer, senão a si mesmo. Para crescer, Deus precisou se autodestruir e renascer do pó em que se transformou… portanto, conhece-te a ti mesmo e encontrarás teu próprio Deus!”

Quando nos deparamos com um novo mistério, um obstáculo intransponível à lógica e ao entendimento comuns, nossa insaciável necessidade de compreensão da Vida nos compele a recorrer às divindades e ao sobrenatural, justificando o lapso de conhecimento que nos constrange e sufoca.”

Mesmo diante da grandiosidade do Universo, da beleza incomensurável da Natureza e dos sentimentos altruístas que nos acometem, eventualmente, buscamos no esotérico, no místico, no religioso, no eterno, a explicação das razões do existir.”

No entanto, nossa pequenez não nos permite constatar a contradição que nos acomete (e nos cega): no momento em que nos surpreendemos e nos extasiamos com a percepção sensorial da beleza incomparável da Natureza, através de nossos olhos, ouvidos e pele, ao mesmo tempo, com nossas próprias mãos, ferramentas e invenções a destruímos, a contaminamos com nossos dejetos, a corrompemos com nossos atos, e a condenamos com nossas omissões e covardia…”

A existência de cada indivíduo, que mal ultrapassa um século, nos impõe os limites da percepção do espaço-tempo… o ‘infinito’ é (e será sempre) incompreensível! A existência do homo sapiens, que não chegaria a 10.000 séculos, credita-nos a convicção de nossa superioridade diante da Vida… A existência do Universo, a partir do Big Bang, que supomos não ultrapassar os 40 milhões de séculos, nos leva à indagação: mas, e antes disso, o que existiria?”

E a resposta, confortável e equivocada, está na Bíblia: – no Princípio era o Verbo, e o Verbo era Deus! – e, por uma palavra de Deus, o Universo se formou, e o dia se separou da noite, e a terra se separou das águas, e os seres vivos se separaram da matéria…”

E assim, tudo se resolve em nossas mentes… e, ainda que o Ser Humano venha a desaparecer da face da Terra, seja por uma fatalidade dos transtornos climáticos, seja por sua ação maléfica e daninha sobre a Natureza e sobre si mesmo, ainda assim, em outros planetas haverá Vida, que se perpetuará pela transformação e evolução natural, gerando (ou não) seres conscientes de si mesmos, sendo bela por si mesma, ainda que não percebida por ninguém, ainda que não tocada, não vista, não declamada em versos…”

E, no entanto, na pequenez de nós mesmos, continuaremos a acreditar que a Beleza existe apenas porque nossos sentidos a tornam assim… e que o Universo foi criado apenas para que nós, reles seres humanos, vermes cósmicos imperceptíveis, consumíssemos seus recursos, impunemente, ao nosso bel-prazer! E que, por isso, somos eternos! A empáfia de todo ser humano é acreditar que sua medíocre vida poderia justificar a razão de ser do Universo e a existência de Deus, a partir de cuja vontade teríamos sido criados, à Sua imagem e semelhança… é muita pretensão e arrogância crer que somos assim.”

1AMORC – Antiga e Mística Ordem da Rosacruz (http://camaraexterna.amorc.org.br)

por João Carlos Figueiredo Postado em Romance

Um comentário em “A Alma flutua no espaço

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