Expedição Chapada Diamantina – FEAL OBB 2008

Quando decidi fazer essa expedição não imaginava sua verdadeira dimensão e o esforço exigido: foram 4.000 km percorridos de carro em quatro dias, ida e volta, mais de 50 horas dirigindo até o nosso destino, cerca de 120 km de caminhadas, 40 km de canoagem, muito calor, incêndios por todo o Parque, muito cansaço, novas descobertas, amizades novas… um verdadeiro reencontro com meu ser primordial e mais um recomeço em minha vida de aventureiro.

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Saí de Ribeirão Preto no dia 3 de novembro e segui diretamente para São Paulo, onde se juntaria a mim o Paulo Eduardo, no dia 4, para seguirmos nossa viagem rumo à Bahia, Chapada Diamantina, nosso destino final. Chegamos a Mucugê no dia 5, já no início da noite, e lá pernoitamos, depois de visitar e fotografar o cemitério Bizantino (Santa Izabel), com suas pequenas edificações caiadas em branco, sob um grande bloco de rocha de uns 70 metros de altura.

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Passamos por Igatu no dia seguinte, onde encontramos uma área de garimpo de diamantes perfurada na rocha, quase um túnel, onde se formara um lago. Estava deserto e invadi o local com um certo receio de ser descoberto pelos seus “proprietários”, uma vez que havia uma placa nos informando que se tratava de uma propriedade privada (dentro da área do Parque Nacional!).

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Seguimos viagem até Andaraí, onde almoçamos, antes de nos instalar na Pousada Sincorá, de onde partiria a expedição na segunda-feira, dia 10 de novembro. Nosso propósito era escalar algumas rochas nos dois dias que precediam o início do treinamento. Porém, fazia um calor escaldante, havia muitos focos de incêndio por toda a Chapada, e precisávamos estar inteiros para as longas caminhadas que se seguiriam.

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Mudamos nossos planos e resolvemos descer a Ladeira do Império e caminhar em direção ao Vale do Pati no tempo que nos restava. Fizemos isso na sexta-feira, pela manhã. Já recuperados da longa viagem da véspera, saímos cedo em direção ao Pati. A descida foi cansativa, mas chegamos até a base da montanha, pela trilha, e acampamos à beira do rio, onde nos banhamos e comemos alguma coisa antes do anoitecer. Pela manhã continuamos nosso trajeto e ultrapassamos a ponte que, praticamente, delimita o Pati..

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Algumas horas depois constatamos que não teríamos tempo suficiente para chegar ao Pati e retornar a Andaraí antes do início da expedição. Retornamos daquele ponto. Subir a ladeira foi um esforço superior às nossas condições físicas. Chegamos no cume ao anoitecer, exaustos e sem água; bebíamos mais de 4 litros por dia e não havia fontes limpas para reabastecer nossos cantis a partir do início da subida. Resolvemos pernoitar por lá e finalizar a trilha no dia seguinte.

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Chegamos a Andaraí no dia 8, sedentos e estafados, e nos retiramos para nossos quartos. Precisávamos estar em perfeitas condições físicas até o final da semana. Dormi umas 12 horas seguidas; meus pés queimavam, minha cabeça doía, meu corpo todo sofria com aquela caminhada sem planejamento!

Dia 10 pela manhã já tinham chegado todos os participantes da expedição; os instrutores seriam a Mita (Mariana Candeias), uma jovem psicóloga e exímia escaladora da Paraíba, e o Tonhão (Antônio Calvo), um jovem canoísta, com treinamento no Canadá e muitas outras competências e habilidades que descobriríamos ao longo de nossa jornada.

DSCN0649 MITA

DSCN0788 TONHÃO

De imediato, uma revisão de todas as coisas que havíamos colocado em nossas mochilas reduziu as vestimentas a pouquíssimas roupas, nenhum equipamento pessoal e nada supérfluo. Aprenderíamos a viver com simplicidade, como o exigiam os ambientes remotos, nosso destino. Deixei para trás várias camisetas, meias, bermudas, calças, um “talk about”, “baby wypes”, tudo o que antes me parecia completamente imprescindível para essa expedição.

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Os alimentos e equipamentos comunitários foram distribuídos por todo o grupo: fogareiros, panelas, benzina, temperos… a mochila ficou mais pesada, mas era tudo o que precisávamos para nossas necessidades nos próximos 15 dias longe da civilização. Partimos por volta do meio-dia em direção a Igatu. Os riachos estavam completamente secos e exibiam suas entranhas, cercados por uma vegetação ressecada e propícia para alimentar um incêndio.

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Estes se alastravam por todo o parque, destruindo as encostas das montanhas, lambendo as matas ciliares dos rios ressequidos, deixando atrás de si uma destruição sem precedentes… durante todo o dia ouvíamos as pás das hélices dos helicópteros sobre nossas cabeças, anunciando o drama vivido pela população local.

Acampamos em Igatu e saímos no dia seguinte após nosso primeiro café da manhã ao ar livre. A partir daí esta seria nossa rotina diária: tomar café, levantar acampamento, caminhar durante horas, parando somente para procurar e repor as águas dos cantis e “camelbacks”, procurar um bom local para acampamento, prepara o jantar, lavar as louças e dormir. Nas paradas tínhamos atividades de dinâmica de grupo, “feed-back” de nossa atuação e “debrieffing” das atividades. À noite, antes de nos recolhermos às barracas, uma pequena preleção sobre os objetivos individuais e coletivos da expedição, a missão, os valores e princípios da OBB (Outward Bound Brasil), e qualquer outro assunto que alguém do grupo quisesse trazer a todos para discussão.

Em pouco tempo os participantes se integraram e passaram a se comportar conforme as expectativas mais otimistas de nossos instrutores. Surpreendentemente, não havia conflitos a administrar, as lideranças se formavam e se desfaziam, dando oportunidade a todos de demonstrar suas habilidades na condução da trilha, sem vaidades pesoais, sem exibicionismos, sem intenção de fazer prevalecer suas opiniões sobre a dos demais.

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Seguimos em direção ao Pati e chegamos a um lugar bem degradado, conhecido como Cascalheira, onde alguns brigadistas se reuniam à noite para organizar os grupos de combate aos incêndios. Apesar das barracas que encontramos no acampamento, eles não estavam lá. Saímos pela manhã, orientados por bússolas e mapas da redondeza, conferindo com a localização dada pelo meu GPS. Passamos por terrenos repletos de arbustos com seus galhos secos e prontos para alimentar o fogo que se movia por todos os lados que nossa visão podia alcançar.

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Chegamos a um grande rio seco, desnudado pela falta de chuvas, formando canyons extensos e solitários, de uma beleza triste e devastada. Encontramos o que deveria ser uma cachoeira de uns 10 a 15 metros de altura, intransponível pela falta de equipamentos de segurança. Percorri o local em busca de uma alternativa, um outro caminho que nos levasse para baixo, sem riscos. Encontrei outro rio, afluente daquele, que precisávamos subir para contornar a queda d´água vazia.

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Seguimos até um ponto onde não havia trilhas nem picadas, e o mato se alastrava em todas as direções. Apesar do desconforto e do risco, entramos mato adentro até a beirada da montanha. O grupo ficou disperso e desfizeram-se as lideranças; devíamos tomar providências, mas os conflitos de opinião nos cegavam para o óbvio: alguém teria que assumir a liderança e levar a tropa montanha abaixo. Depois de muitas discussões, os líderes da expedição reassumiram suas posições, talvez frustrados por não ter surgido a liderança que esperavam de nós naquele momento.

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Chegamos ao sopé da montanha e retornamos por uma trilha à procura do rio que não conseguíramos transpor. Ao longe, no horizonte, as chamas destruíam os arbustos à nossa frente, evidenciando a catástrofe que se abatia sobre a Chapada Diamantina. Apesar de sua assustadora presença, aquele não era o maior foco de incêndio; soubéramos depois que as brigadas de incêndio sequer sabiam da existência desse foco, em uma área conhecida como Mar de Espanha.

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Na confluência do rio Paraguassu com aquele que margeávamos montamos nosso acampamento, com um sentimento de receio e dúvida quanto à nossa segurança naquele local. Levamos nossas preocupações ao chefe da expedição que decidiu, de imediato, levantar acampamento e buscar local mais protegido e seguro. Ficamos em uma clareira cujo incêndio nos dias que se antecederam já tinha acabado com todo o matagal ao redor. Já estava evidente a todos que não conseguiríamos transpor aquele obstáculo pelo trajeto original planejado.

No dia seguinte fomos para Mucugê, em busco de uma nova alternativa à progressão rumo ao Vale do Pati. Seguimos para Guiné, pequeno povoado aos pés da fortaleza de montanhas que se estendiam por quilômetros nos limites do parque e protegiam o Pati em seu interior. Acampamos ao lado de uma escola e as crianças se divertiram a tarde toda, assistindo as nossas atividades, às representações teatrais e às aulas preparadas pelos alunos, conforme orientação da OBB.

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Saímos no dia seguinte pela manhã, em direção às montanhas que tínhamos que transpor. Seguimos por uma trilha muito bonita, protegidos do sol e do calor pelas nuvens que se formavam no cume da montanha e prometiam uma melhora das condições climáticas, o que só se efetivaria muitos dias depois. Chegamos ao planalto algumas horas mais tarde, cansados mas reconfortados por termos tomado essa decisão: o trajeto era muito mais bonito, estava longe dos incêndios e podíamos, finalmente, ter certeza de que, naquele mesmo dia, avistaríamos o Pati.

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Chegamos a um mirante que dominava toda a paisagem ao redor: lá estava o Pati, majestoso e gigantesco, sob nossos pés, à nossa frente, cercado de montanhas, coberto de uma vegetação viva e perene, sobre a qual rasgavam-se as trilhas que percorreríamos a seguir. Depois de uma sessão de lanches e fotografias, começamos a descida por uma pirambeira perigosa e escorregadia e, depois de uma hora de desescalaminhada, atingimos o Vale do Pati!

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Seguimos pelas trilhas, passando por casas de moradores que viviam lá desde antes da criação do parque. Eram os guardiões das matas, protetores da fauna e da flora riquíssima dessa região fantástica e bela. Finalmente, encontramos o local onde pretendíamos acampar e onde ficamos por duas noites, à beira de um riacho de águas transparentes e geladas. Este seria nosso refúgio para desvendar alguns segredos da mata ao nosso redor.

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No dia seguinte, pela manhã, partimos com a carga mínima, para escalar o Castelo, uma montanha majestosa, da qual pretendíamos avistar todo o vale, antes do entardecer. Havia uma pequena caverna, pela qual passamos para atingir o outro lado da rocha. Aproveitei a oportunidade para dar algumas informações a respeito da gênese das cavernas, suas principais formações e ornamentos, tipos de rochas, animais que as habitam, sua importância científica, cultural e cênica.

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Do alto da montanha visualizamos uma pequena cachoeira, a do Funil, que iríamos visitar ao descer, depois do tradicional lanche e da sessão de fotos. À beira do abismo, balançando-se ao vento em um pequeno galho, um rato comia as folhas, agarrado apenas pela cauda, e indiferente ao perigo que corria.

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A cachoeira era pequena, tinha pouca água, mas foi o suficiente para nos refrescarmos e nadar no poço formado à sua frente. Finalmente, voltamos para o acampamento, executamos nossas rotinas habituais e nos retiramos para descansar. No dia seguinte deixaríamos aquele local, dando início ao nosso retorno.

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Saímos cedo e, em poucas horas, chegaríamos a uma ponte onde pretendíamos acampar ao fim daquele dia. No meio do trajeto paramos para um lanche e assistimos a uma apresentação de técnicas adaptadas de salvamento, utilizando recursos de nossa própria bagagem e de materiais encontrados no local de um suposto acidente. Juntamente com as lições de navegação, leitura do clima e técnicas de salvamento no mar, esses depoimentos acrescentaram o sabor e o tempero da expedição.

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Chegamos à ponte bem cedo, com bastante tempo para montar o acampamento, assistir a outras preleções de nossos instrutores e, ainda, tomar banho no rio Pati. No dia seguinte iniciaríamos o retorno a Andaraí. Ainda havia uma decisão a tomar: voltar pela Ladeira do Império, enfrentando o calor, a forte aclividade do terreno e a falta de fontes de água no caminho, ou procurar um novo trajeto, menos íngreme e com boas alternativas de acampamento e fontes de água.

Decidimos seguir pelo leito do rio Paraguassu e por trilhas às suas margens, que sabíamos existir pelos relatos de nativos. Logo encontramos uma trilha, bem fácil de seguir, que começou na margem esquerda do rio e logo o atravessou, seguindo pelo outro lado. Encontramos a casa de mais um morador local, que nos alertou para os riscos de ataques de abelhas e para a extensão da trilha. Seguimos adiante, mais cautelosos e atentos aos insetos. Felizmente, nada aconteceu.

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Andamos durante todo o dia; procurávamos um acampamento de garimpeiros, onde sabíamos existir uma boa área para o pernoite. Já escurecia quando, finalmente, aqueles que seguiam adiante encontraram a casa de garimpeiros, protegida por rochas altas e farta vegetação. Era um excelente local, e acampamos. À noite, um banho coletivo de rio, com direito a observação do céu, brincadeiras descontraídas, e um jantar agradável sob a luz da lua cheia.

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No dia seguinte, nossos líderes nos abandonaram: deveríamos conduzir o grupo sem a presença deles, tomando decisões sozinhos e seguindo até a ponte sobre a rodovia que liga Andaraí a Mucugê. Eles se atrasariam e seguiriam depois. Deveríamos nos reencontrar na cachoeira da Donana. Depois de uma longa caminhada, chegamos à Donana e qual não foi nossa surpresa ao encontrá-los lá, à nossa frente, inteiros, como se não tivéssemos percorrido o mesmo terreno!

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Refeitos da surpresa, tomamos um lanche e retornamos a Andaraí. Fizemos compras de frutas e legumes e seguimos para o Marimbus, um pantanal com muitas semelhanças ao mato-grossense. Lá ficaríamos acampados em uma fazenda, aprendendo a manobrar um barco canadense que deveria ser utilizado nos dias restantes da expedição, rumo ao Poço Azul, onde seríamos resgatados, ao final de 14 dias de caminhada e remo, levados de volta à fazenda e, depois, à pousada, onde terminaria o nosso treinamento. Mas não chovera um só dia durante mais de uma semana que caminháramos… como encontrar água para remar?

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Surpreendentemente, ao chegarmos ao Marimbus, a chuva despencou sobre nós. Fizemos um treinamento de técnicas básicas de canoagem no primeiro dia, e retornamos ao acampamento. Porém, aquela noite ainda nos reservava uma surpresa: durante todos aqueles dias que se antecederam carregamos uma lona, que era utilizada para cobrir o solo nos serviços do café da manhã, almoço e jantar. Também servira para nos sentarmos durante as preleções e aulas de yoga e, ainda, para dormirmos ao relento, quando as condições do local assim o permitiam. Havia, no entanto, outra função para as lonas…

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Naquela noite fomos informados que dormiríamos ao relento, sem barraca, apenas com a lona para nos servir de abrigo. Isso não teria sido problema se o tempo não tivesse decidido complicar as nossas vidas: logo antes de sermos “expulsos do paraíso”, uma forte tempestade caiu sobre nós! Tivemos que seguir sob a chuva e fomos deixados, um após o outro, em pequenas clareiras no matagal, apenas com a lona, um lanche que fizéramos às pressas, isolantes térmicos e sacos de dormir, lanterna, apito e uma folha de papel sulfite, onde deveríamos registrar nossos pensamentos sobre a experiência do FEAL em nossas vidas.

Essa carta seria endereçada a nós mesmos, seis meses depois de encerrada a expedição.

A chuva, os mosquitos, as formigas, o frio e o isolamento foram nossos companheiros da noite insone. A carta foi escrita e eu nem me lembro o que registrei na folha de papel. Voltamos ao acampamento na manhã do dia seguinte, sob a chuva que teimava em cair, e demos início à segunda parte de nosso treinamento: descer o rio Santo Antônio, passar para o Paraguassu e seguir até o Poço Azul, cerca de 40 km abaixo da Fazenda Marimbus. Remar, agora, parecia-nos a mais leve das atividades, não fora um imprevisto: as lagoas do Marimbus não se conectavam devido aos baixos volumes de águas nos seus rios formadores.

Após pouco tempo de navegação nos encontramos diante de um obstáculo bizarro: um trecho de mais de cem metros de terreno coberto pela vegetação aquática que nascia sobre uma profunda camada de lama, repleta de caramujos. Achei, de imediato, que voltaríamos, pois me parecia irracional nos arriscarmos a um contágio com o principal vetor de esquistossomose: o caramujo dos pântanos.

Mas não paramos por aí. Amarrando as cordas de todos os barcos umas às outras, foi improvisado um processo de arrasto para puxar os barcos sobre aquela vegetação que agora me parecia nojenta, enquanto os outros rastejavam na lama, empurrando os barcos. Não sei quanto tempo durou aquela atividade insana, mas os barcos transpuseram, finalmente, o obstáculo e, agora, estavam livres para navegar rio abaixo.

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Essa atividade de canoísmo foi uma das mais agradáveis da expedição, exigindo pequeno esforço e possibilitando um forte entrosamento dos participantes. Fizemos dois acampamentos ao longo do rio, acompanhando de perto o crescimento de suas águas, o que nos garantiu chegar ao destino, Poço Azul, final de nossa inesquecível expedição. Provavelmente, essa terá sido uma de minhas melhores experiências em ambiente natural. Das lições que me ficaram, um conceito se esclareceu, definitivamente em meu pensamento: “leave no trace”! Deixamos a Natureza como a encontramos… nossos filhos agradecerão!

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Lembrei-me de um pensamento, cujo autor desconheço: “La Tierra no es una herencia de nuestros padres, sino un prestimo de nuestros hijos!”

Descansei feliz e realizado…

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por João Carlos Figueiredo Postado em Crônica

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