A uma criança abençoada…

Pequenino ser que, aos poucos, se transforma e encanta,
Tornando viva a primordial semente do amor que o gerou…

Que lhe reserva a Vida, minha criança? ouso lhe perguntar, silente.
E ouço o som de um coração que pulsa, intenso, de esperança!

Em sua mente ainda não germina a dor e o sofrimento…
Tampouco crescem virtudes e mazelas desta humana Terra…

Qual será o seu destino, enfim? insisto em indagar, perplexo…
E, novamente, apenas o coração responde com seu eco forte.

Pois, sim, uma criança ainda em formação no seu materno ventre
Não sabe o mundo que herdará dos pais que hoje nos tornamos…

Portanto, às indagações alguém responderá, enternecido e breve:
De nós terás a "natureza morta" ou a indescritível beleza preservada!

Assim, meu neto, querido ser tão esperado, busco fazer minha parte,
Retribuindo o que restou da herança recebida de meus ancestrais…

E sei que o tempo, célere, exige, de cada um, o esforço extremo
Por retratar-nos do mal que praticamos ao devastar o Paraíso Eterno!

Vem, neto querido, ajude a compreender essa fundamental missão:
Que haja, na Terra Prometida, mais bondade, empenho e caridade!

Que venham a nós crianças abençoadas pelos desígnios do Bem!
E possam, nossos filhos, resgatar, do caos, o Shangrilá perdido…

Nicolas, meu netinho, benvindo às infinitas belezas desse mundo,
E lute por cultivar virtudes, a despeito do mal que não se esconde…

Essa é a lei do Bem e da Verdade, que espero ver cumprir, um dia:
Em lugar do vale de lágrimas que religiões terrenas nos legaram,
Apenas Luz, a indicar a estrada que o mundo desconhece…

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por João Carlos Figueiredo Postado em Poesia