Os Sete Pecados

Assim como os crentes, os leigos também cultuam seus pequenos pecados… muitos, porém, são Pecados Capitais! Nada direi da gula, da vaidade, da luxúria, da avareza, da preguiça, da ira e da inveja, pois esses são pecaditosque só fazem mal a quem os tem…Direi, sim, daqueles que levam o homem a praticar maldades, a destruir àqueles a quem amam, ou deveriam amar… a degradar a Natureza, a produzir infâmias inomináveis até para o mais amaldiçoado dos seres… a nos conduzir para o fim inevitável!

Falarei dos vícios, não os terríveis, que acabam com o Ser em tão pouco tempo que mal dá para fazer mal a outrem, senão a si próprios. Falarei do comportamento predatório, aquele que destrói tudo que é valioso para a humanidade. Falarei, também, da maldade intrínseca daqueles que juram nos proteger enquanto representantes e delegados para cuidar de nossos interesses públicos. Direi, ainda, que a intolerância é irmã gêmea da libertinagem, assim como todos os extremos se tocam no infinito.

E, assim, serão seis os pecados, pois o sétimo está no coração de todos os homens, e só espera a distração e o descuido para se manifestar… esse eu deixarei para o final, para que cada um o encontre por si mesmo e o extirpe, feito erva daninha!

Quais serão esses vícios tão perniciosos? De que, afinal, morre e mata o ser humano, mais do que a pior das doenças, a pior das epidemias, a pior das guerras, dia após dia, dentro e fora de nossos lares?

Seriam o tabagismo, o álcool, o AVC, o infarto, os acidentes de trânsito, a violência urbana, o câncer?… nossas vidas foram traídas pelo ritmo alucinado da sociedade contemporânea!Porém, quando mencionamos os acidentes vasculares cerebrais, o infarto e o câncer, estamos dissimulando suas verdadeiras causa mortis que são o descontrole causado pelos vícios: o cigarro mata destruindo os pulmões, enquanto que o álcool mata destruindo o fígado (e os neurônios!)… o stress mata ao destruir o equilíbrio emocional… o tabagismo e o álcool são a porta de entrada para o uso de drogas mais pesadas… e todos eles são causas potenciais de diversos tipos de câncer, de quase toda violência urbana e da maioria dos acidentes de trânsito! Quantos crimes se cometem por excesso de álcool ou falta de controle emocional?

Mais, porém, do que essas causas individuais, existem as causas coletivas da morte: a destruição da Natureza, a manutenção da miséria como recurso colonialista, a exploração das fraquezas humanas através do tráfico e consumo das drogas, o incitamento à violência racial e religiosa, conseqüência natural da intolerância e da libertinagem, as políticas públicas direcionadas para a conquista e o domínio de bilhões de seres humanos…

E as plantações de tabaco, de cana de açúcar e de todas as culturas extensivas que, no período colonial se denominavam plantation e foram a causa da escravidão no Brasil e demais terras do Novo Mundo? e a criação extensiva de gado, que além de desmatar florestas produz enorme quantidade de gás metano, uma das causas do aquecimento global… ???

Pois somos muito competentes em dissimulação! Fingimos desconhecer essa realidade que nos mata, tentamos ignorar o fim que nos espera, certos de que iremos embora antes que esses males nos destruam, e deixamos aos nossos descendentes a responsabilidade por reverter esse quadro de desolação que nos espera… haverá tempo para eles? A cada dia, o fim nos parece mais próximo!

Enquanto isso, os fenômenos naturais nos enviam alertas desesperados, tentando nos convencer do pouco tempo que nos resta: são furacões, tufões, ciclones, maremotos, terremotos, erupções vulcânicas e ondas gigantes (tsunami) que gritam em nossos ouvidos moucos!

Não sei se falei dos sete pecados… nem importa! Mas adicionei meus clamores aos apelos da Natureza… quem quiser, acredite! Não será Nostradamus quem dirá que nosso fim está próximo: seremos nós mesmos!

Adivinhou o sétimo pecado? Pois é apenas e tão-somente a…

sua omissão!!!!
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por João Carlos Figueiredo Postado em Ensaio

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