Diário de um louco


Hoje eu inicio um relato que pretendo manter até o final de meus dias: o "diário de um louco" é o meu libelo contra a decadência de nossa civilização! Sim, pois já não mais existem parâmetros para a normalidade em nosso mundo contemporâneo. A cada dia novas barreiras da razão e do bom-senso são derrubadas em defesa de uma liberdade que não conhece limites…

Sou um ser anacrônico, pois ainda acredito em valores éticos e morais (enquanto não dogmáticos e transformadores), acredito na família como unidade essencial de agregação dos homens e de preservação da espécie, enquanto seres inteligentes e evolutivos. Acredito que precisa haver um limite, contrariando nossos instintos degenerativos. Sem ele, nenhuma ação humana seria passível de críticas e tudo seria permitido!

No entanto, as novelas globais, a política menor e a justiça "tucana" e tosca da impunidade, a complacência dos educadores e a multiplicação das seitas farisaicas e sem conteúdo solapam os alicerces de nossa sociedade desnudando nossos desejos mais secretos e inconfessáveis e tornando-os possíveis e aceitáveis perante o mundo em que vivemos, em que nos consumimos…

Pois esse devassado mundo já não comporta segredos, nem ideologias, nem convicções carismáticas, nem mistérios espirituais… somente clichês são permitidos e compartilhados à exaustão nos escaninhos dos sítios de relacionamentos, onde a vulgaridade é a senha de acesso e o mote das discussões monossilábicas, devaneios sem sentido e sem propósito, senão o de nos manter "online", atados aos artefatos tecnológicos da alienação e das conversas vazias e improdutivas.

Se os crimes, as contravenções, as fofocas, as mentiras e desdizeres populam as páginas de informação inútil de nosso cotidiano, ninguém haverá de lamentar… afinal, essa foi a escolha quase unânime desse século que, conforme Nostradamus, nem deveria ter começado! Já não temos mais ídolos ou heróis (que "morreram de overdose", segundo Cazuza)… já não temos mais credos ou ideário… somos apenas estações repetidoras de idéias alheias, cujos autores desconhecemos.

Se a Humanidade evoluiu em todas as áreas do conhecimento, não conseguiu, no entanto, tornar esse saber necessário e valioso o suficiente para nos manter despertos e preservar nossa individualidade. Quais são, afinal, os valores de nossa sociedade?

Na essência, todos os meus escritos passados caberiam neste diário inacabado…

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônica

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