As Mazelas do Capitalismo

Não foi a primeira vez que o mundo se quedou estupefato diante de uma nova crise financeira… A mais notável e emblemática foi em 1929, causada pela especulação americana. Não é para menos que cada nova crise é comparada àquela pelos "analistas de plantão"!

Todos se recordam da crise do petróleo, da crise mexicana, da asiática, da russa, da argentina… sempre levando consigo centenas de bilhões de dólares de prejuízos dos incautos aprendizes que ousaram acreditar nas "maravilhas" do Capitalismo!

No passado recente, até o final da década de 80 (a "década perdida"!), ainda havia o contraponto do Socialismo a se comparar a essa maravilha de regime que a todos encanta! Agora já não existe mais, senão para os saudosistas como eu…

O que sinalizam essas crises, afinal?

Em primeiro lugar, a fragilidade de uma Economia Mundial assentada na especulação de toda espécie: do preço do petróleo ao comércio imobiliário norte-americano; das fortunas "ciganas" que assaltam as economias dos países pobres ("emergentes") como nós à miséria degradante das guerras não declaradas que perduram por décadas, perpetuando o "status quo" dos poderosos…

Essa primeira evidência reflete a falácia sobre a qual está construído o Capitalismo, ao mesmo tempo que serve aos especuladores para migrar seu capital entre as bolsas de valores que apresentem as melhores ofertas de rentabilidade e, portanto, de lucros!

E aí está a diferença abissal entre a crise de 1929 e as contemporâneas: naquela época, os bancos centrais não existiam, os governos não eram tão habilidosos, e os milionários virtuais ainda sequer tinham sido "inventados". Por isso, aquela crise foi inevitável e incontrolável. Agora, porém, enquanto os países ricos despejam bilhões de dólares e de euros nos grandes bancos, os pequenos investidores amargam seus prejuízos irreparáveis, nas parcas economias que confiaram ao mercado de capitais…

O segundo sinal evidenciado pelas crises é o fato de que as ondas de desenvolvimento e os vales de retração das economias não conseguem e nem se importam com a redução das imensas disparidades sociais, mantendo a maior parcela da população mundial na mais absoluta miséria e ignorância diante de um mundo em transformação. Ou seja, NÃO vivemos em um mundo melhor, graças ao Capitalismo, embora a aparência do mundo, devida à tecnologia, seja de evolução frenética e acelerada!

Mas há um fator ainda mais perverso em nossa realidade, que as crises acabam por ocultar: caminhamos para o caos, mas não o caos econômico, não o caos social, nem o caos político! Caminhamos para o caos da degradação ambiental, preço alto demais a ser pago pelo "desenvolvimento", que acaricia os ricos e oprime os pobres, e que nos leverá a todos à Era Glacial da Ignorância.

Se a nação mais rica do mundo se recusou a aderir à luta pela preservação ambiental, contando que o tempo que lhes restava era o suficiente para torná-los ainda mais ricos, agora já não haverá tempo hábil a ninguém para salvar o nosso Planeta!

O Socialismo teria evitado tudo isso? Provavelmente não; mas a própria dialética da oposição ideológica obrigaria os dirigentes a pensar melhor a realidade e os problemas da Humanidade, exigindo decisões mais sábias e menos comprometidas com o ganho de Capital. Afinal, a dicotomia entre pensamentos e valores antagônicos assegurou a evolução que percebemos hoje.

Realmente, a homogeneidade intelectual provocada pela globalização é o nosso pior e fatal inimigo!

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por João Carlos Figueiredo Postado em Ensaio