Wasuregusa

Já não me lembro mais da lenda… acho que também bebi da “erva do esquecimento”… “wasuregusa”! Eram dois jovens… mas não sei bem o que eles faziam nessa história… e havia também uma outra erva, a das recordações: “omowaregusa”… sei que a erva do esquecimento servia para apagar as lembranças… de mais, eu não me recordo. Afinal, tantos anos já se passaram!

Ontem passei o dia esperando… um telefonema, um torpedinho, um email, até mesmo uma visita dos meus amigos! Mas o dia se passou, e eles não estavam comigo… devem ter tomado, também, a erva do esquecimento… esqueceram-se do meu aniversário!

Justo eu, que nunca me importei com datas, agora me tornei sentimental, vejam só! Queria mesmo não ser esquecido…

Lembrei-me desses 58 anos passados, minhas viagens, minhas aventuras, os lugares que visitei, as pessoas que conheci, os livros que devorei na solidão das madrugadas insones, a companhia inesquecível de minhas filhas, compartilhando tantos momentos só nossos!

Lembrei-me, contudo, e principalmente, dos meus amigos, aqueles de quem nunca nos esquecemos, e que estiveram presentes em muitas dessas passagens de minha vida, amigos com quem compartilhei alegrias e sofrimentos, segredos e sentimentos, vontades e pensamentos…

Onde estarão meus amigos?

O dia se passou, e eu decidi também tomar a minha pequena dose de “wasuregusa”… deitei-me, cansado da espera e do silêncio, e lamentei perder as esperanças… em meu recolhimento, saboreei a erva amarga do esquecimento e, finalmente, adormeci…

por João Carlos Figueiredo Postado em Crônica

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