Ícones do passado

Vivemos de memórias…
… e de ícones, símbolos, imagens de nós mesmos refletidas em nosso inconsciente…

Sonhamos ser livres e, no entanto, somos apenas e tão somente prisioneiros de nossas próprias ilusões…

Olhamos ao espelho, e lá não estamos nós, pois o filtro da mente que engendramos, nos engana, nos trai, fazendo-nos crer melhores do que somos, em verdade. Ali está a nossa imagem refletida, fixamente nos constrangendo com suas memórias (que renegamos) e, no entanto, inexoravelmente impregnadas de atos e sentimentos, nem sempre suportáveis, de cada instante de nossa história.

Lá estamos nós, verdadeiramente despidos de nossas máscaras, nus perante nossa própria alma, aquela mesma alma que, um dia, evidenciaremos em nosso leito de morte, sem enfeites, sem maquiagens, nós, diante de nossos olhos interiores, implacáveis e cruéis, sem subterfúgios, como deveríamos ser em todos os instantes de nossos dias, sem complacência, sem justificativas…

O que nos restará, então, senão resquícios de um passado sem sentido, do qual nada levaremos a lugar nenhum? As vaidades, as riquezas armazenadas, essas ficarão para outros, e nada poderemos fazer para que nos dêem o desejado valor que, equivocadamente, mantivemos e preservamos em vida… Serão apenas dinheiros, propriedades, objetos sem sentido e sem lembranças… apenas isso…

E aquele filme rápido que passará diante de nós, nos derradeiros momentos de nossas vidas, trará algumas poucas cenas de nossas generosidades, de nosso amor, solidariedade e compreensão, de alguns poucos instantes verdadeiramente importantes, que deixamos passar sem nenhum, ou muito pouco interesse, como se pudéssemos repeti-los à exaustão em outras épocas, em outros lugares que nunca, jamais revisitamos, por absoluta ausência, desinteresse ou vontade, ou, simplesmente porque a vida não se repete…

E cá estão de volta os nossos ícones: papéis representados para uma sociedade que já nos esqueceu, mesmo antes que nossos corpos se esfriassem no estéril chão que nos servirá de leito, até que os vermes nos devorem as carnes putrefatas…

E as memórias? onde ficarão elas? aqueles verdadeiros momentos que, um dia, cremos ter valido a pena? Elas também se esvairão na eternidade, como pó, como areia numa praia imensa, como partículas de vento dispersas no firmamento…

Pois nada somos senão isso: um instante efêmero, um lapso de tempo do universo… nada mais…

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por João Carlos Figueiredo Postado em Ensaio

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